Crítica: Persona (1966)

Uma experiência surreal, recheada de simbolismos muitas vezes indecifráveis. Persona precisa de muita atenção para ser minimamente compreendido. A inveja crescente da enfermeira Alma pela atriz que decidiu não mais falar é o ponto central da história. A partir disso, abre-se um leque que pode ser estendido para as relações humanas como um todo.

Apesar da ótima ideia e da curta duração, Persona tem um ritmo arrastado. Mesmo com monólogos interessantes, como o relato de uma experiência sexual na praia, às vezes ficamos um tanto perdidos em meio aos longos diálogos, algo que pode cansar um pouco. O que é um deleite do início ao fim é a beleza da fotografia de Sven Nykvist, que se destaca pelos enquadramentos precisos e pela ótima iluminação, transmitindo com eficiência o sentimento das personagens principais.

Cenas como aquela de um homem queimando vivo ou o close em uma foto de judeus em meio a soldados alemães são inesquecíveis. Todo esse sofrimento pode ajudar a explicar os motivos que levaram a atriz a parar de falar. Bergman não mastigou nada nesse filme, cabe a nós tentar advinhar o que ele quis dizer.

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7 comentários sobre “Crítica: Persona (1966)

  1. Ah, não acho cansativo, não, Bruno. hehe. Na verdade, adoro esse filme. Um dos meus preferidos de Bergman, acho que só perde para Sonata de Outono. A cena da experiência sexual, então, repetida cada hora focando uma atriz é linda. E no final, a revelação das duas identidades também é ótima.

    bjs

  2. Persona parece um quebra-cabeças impossível de montar, mas irresistível na tentativa de desvendá-lo. Cada vez que assistismos, não cansamos de buscar explicações para a trama. Acho que essa é a beleza do jogo que Bergman propõe, num jogo d eduplos que vão se confundindo à medida em que a trama avança. Com certeza, um de seus melhores filmes. E Sven Nykvist é gênio total.

  3. Olha, tb não achei cansativo. Prestava atenção nos monólogos pois acho que muitas pistas foram dadas ali.
    Percebe como a enfermeira era manipulável? Ela não possuía uma personalidade forte. Passou a fumar dentro da casa por influencia da atriz, participou da orgia na praia por influencia da amiga. E no início do filme, ela tenta provar para ela mesma que é feliz, e que está tomando boas decisões.
    Acredito que a persona da atriz ja estava bastante gasta, acredito que de tanto fingir ela perdeu o referencial de si própria. Isso acontece quando existe uma distãncia muito grande entre o que vc é, no íntimo, e como vc é no exterior, no trato com os outros. Acho que ela precisava absorver outra personalidade, achar outro referencial.
    Gosto das cenas em que aparecem as duas juntas, parece ate que há um envolvimento amoroso. Mas percebam como parece um corpo só e duas cabeças. Uma parece envolver a outra, ou seja, parece que uma comanda, influencia a outra.
    No final, parece que a atriz está novamente curada, mas e a enfermeira? Aí ja não sei, parece que essa saiu com uma nuvem escura sobre a cabeça depois da experiencia. Suas convicções foram postas à prova.

    • Gostei do teu ponto de vista sobre o filme… realmente a enfermeira demonstrou ter uma personalidade influenciável demais… quem foi contratada pra curar acabou “doente”, pelo jeito! ;)

  4. Este filme nada tem de cansativo. Assisti-o atentamente, assim como a todos os outros filmes de Bergman com duração até mais longa. Persona = máscara; atriz. Realidade e compreensão da realidade a partir de conteúdos oníricos; imaginação.

    • Persona está longe de ser um filme acessível… pra mim é o filme mais difícil do Bergman, é necessário um pouco de bagagem pra aproveita-lo de maneira completa. Considerar o filme arrastado não é exatamente criticá-lo negativamente…

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