Crítica: A Árvore da Vida (2011)

Terrence Mallick é um diretor extremamente dedicado. Ele só estreia um filme após uma lapidação intensa, algo que explica o fato de ter lançado apenas 5 filmes ao longo de 40 anos. É permitido não gostar dos resultados finais, mas não dá para negar que trata-se de alguém muito empenhado, que prefere qualidade do que quantidade.

A Árvore da Vida é o trabalho mais ambicioso do diretor. São muitos temas a serem discutidos, simbolismos a serem reconhecidos e inúmeros momentos para serem simplesmente aproveitados. Não me lembro de ter visto um filme que tenha desenvolvido tão bem uma família como Mallick fez aqui. Tudo é visto pelo ponto de vista do filho mais velho, o garoto Jack, desde o nascimento, passando pela infância, até a pré-adolescência, além de o vermos também como um homem feito. O crescimento dele é filmado de maneira ágil e até conseguimos nos sentir na pele dele e dos irmãos quando exploram o mundo ao redor e fazem novas descobertas. O conflito entre Jack e o pai vai crescendo aos poucos, até se transformar em um complexo de édipo. É genial a diferença entre a mãe e o pai na criação dos filhos, sendo este extremamente rígido e disciplinador e aquela excessivamente amorosa. O pai quer ensiná-los a se defenderem do mundo opressor e violento, tentando mostrar que para terem sucesso não podem ser tão bons, mas devem respeitar os outros e não desistir dos sonhos. A mãe prefere mostrar que eles devem amar o próximo e a natureza. Só isso já tornaria o filme memorável, mas Mallick se aprofunda e contextualiza a família dentro de algo mais grandioso: a criação do mundo. Quantas vezes não lemos sobre o Big Bang e tentamos imaginar como tudo aconteceu? Mallick nos mostra isso de uma maneira inesquecível, passando pela explosão, pelos seres unicelulares, dinossauros, era glacial e tudo o mais, até o nascimento de Jack. Ambicioso, visualmente empolgante, poético e filosófico. Por mais que a morte de um membro da família seja uma desgraça insuperável, numa visão universal isso representa alguma coisa relevante? A resposta é dolorosa e injusta, mas não há nada para se fazer a respeito.

Eu estava prestes a sair do cinema extremamente feliz por ter presenciado uma obra-prima, capaz de rivalizar com grandes filmes do passado, mas o final me desanimou. A visão da vida após a morte de Mallick torna o desfecho arrastado e cansativo. Fica claro que ele quis fechar o ciclo, mas faltou brilho, ainda mais quando comparado com o que vimos antes.
8/10

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9 comentários sobre “Crítica: A Árvore da Vida (2011)

  1. Ah, Bruno, eu me emocionei tanto naquela cena da praia. De verdade, estava em êxtase, não achei cansativo. Acho que ele quis trazer para o lado pessoal mesmo. Mas, entendo quando você reclama da falta de brilho.

    • amanda, por isso que deixei claro que trata-se de uma opinião minha… tb entendo perfeitamente que muitos tenham gostado do desfecho!

      de qualquer forma, é um grande filme.

  2. Entendo que não gostou muito do desfecho, mas achei aquela cena final linda. Sobre o filme, é complexo, mas uma belíssima experiência, especialmente visual. È preciso deixar a mente aberta para entender as intenções de Malick com esse filme, por isso a ambição. ;)

  3. Pingback: Os Melhores Filmes de 2011 | Cultura intratecal

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