Crítica: Promised Land (2012)

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Em Promised Land o diretor Gus Van Sant foge bastante do estilo que marcou alguns de seus trabalhos anteriores, como Gerry, Last Days, Paranoid Park e Elefante. Não temos aqui aquelas cenas demoradas em que a câmera filma personagens andando ou fica alguns minutos estática mostrando a natureza. Dificilmente alguém vai dizer que Promised Land é entediante. Trata-se de uma história bem contada, com ótimas participações de Matt Damon, Frances McDormand e John Krasinski (do fantástico The Office). Só tem um problema: o desfecho totalmente inverossímil dadas as atitudes e convicções do personagem principal. E não é um deslize pequeno, fácil de ser perdoado. É algo que incomoda, pois temos a impressão que os roteiristas – os próprios Matt Damon e John Krasinski – pensaram que nós aceitaríamos facilmente as escolhas que fizeram.

Temos aqui Steve (Damon) e Sue (McDormand), dois funcionários de uma grande companhia de gás natural que tentam convencer habitantes de uma cidade rural dos benefícios de terem suas terras arrendadas. É muito interessante ver as estratégias que eles usam para conseguir as terras, com promessas de um futuro promissor para a região, de uma educação melhor dos filhos e também com subornos, chantagens e assim por diante.

Alguns se convencem, outros não. A tarefa de Steve e Sue torna-se mais difícil quando um ambientalista aparece e informa a população sobre os malefícios que a técnica pode trazer ao solo da região e, consequentemente, à vida de todos.

Pena que as coisas boas de Promised Land são jogadas para escanteio nos quinze minutos finais e aí começamos a pensar em outras irregularidades do filme, como um romance meia-boca, uma reviravolta relativamente previsível e personagens que são apresentados e esquecidos.

É… no final das contas era melhor o Gus Van Sant ter investido no estilo artístico de Paranoid Park e Elefante.
6/10

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8 comentários sobre “Crítica: Promised Land (2012)

  1. Eu me desinteressei um pouco de Gus Van Sant. O cinema independente que ele anda fazendo é interessante, mas cansativo. Nem vi Inquietos, mas talvez dê uma chance para esse aí.

  2. Inquietos é um bom filme, gostei de ter assistido. Os diretores deviam caprichar no final dos filmes – é que nem a sobremesa de uma boa refeição, se for ruim estraga o melhor dos banquetes.

  3. Não sabia que o Gus Van Sant tinha lançado outro filme recentemente. Não tinha ouvido falar ainda nesse “Promised Land”. Acho que faz bem ao diretor ele se distanciar um pouco do universo juvenil que marcou seus últimos filmes, mas, talvez, como comprova bem seu texto, ele deveria ter ficado restrito a esse território que ele domina bem. De todo jeito, é um filme que eu assistiria, especialmente por causa dos nomes envolvidos.

    • Pois é, parece que não tem nem título nacional ainda!
      É um filme que eu não teria medo de recomendar, mas já avisando que pode rolar uma decepção no fim!

  4. Eu esperava ver um resultado como o de Gênio Indomável, nessa parceria de roteiro e atuação de Damon e a direção de Van Sant. Ainda não vi, mas pelo que se comenta não deve ter o mesmo impacto, principalmente pelo fim.

  5. Eu sou um dos grandes fãs do Gus Van Sant – acho ele um dos grandes diretores do cinema independente, mas como muitos outros ele está sempre entre o bom e o fraco cinema, por isso não espero grande coisa de “Promised Land” – por mais que seja escrito por Matt Damon e o Krasinski (adoro ambos) o filme não me apeteceu.

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