Crítica: O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos (2014)

THE HOBBIT: THE BATTLE OF THE FIVE ARMIES

Se levarmos em conta a qualidade da obra literária produzida por J. R. R. Tolkien em 1937, não há como chegar ao fim desta trilogia sem experimentar um razoável grau de decepção. Não que os filmes sejam ruins, mas o fato é que eles poderiam ter sido muito melhores caso escolhas mais sábias tivessem sido feitas. Confesso que não consigo entender como Peter Jackson não foi capaz de transmitir para a telona o espírito do livro O Hobbit, que possui um agradável equilíbrio entre aventura, humor, ação, fantasia e tensão. O diretor tentou adicionar uma carga dramática e um tom épico que essa história simplesmente não tem e nem precisa ter.

A partir daqui, haverá spoilers no texto.

Os primeiros minutos são dedicados ao dragão Smaug destruindo a Cidade do Lago, em uma sequência empolgante, com efeitos especiais que funcionam. Smaug pareceu realmente ameaçador e pronto para aniquilar qualquer um que se colocasse à sua frente. O problema é que ele morre rápido demais e toda expectativa criada anteriormente vai por água abaixo.

Até a tal batalha dos cinco exércitos temos uma sucessão de cenas pouco interessantes, com algumas exceções. É inexplicável e beira o absurdo a presença de um personagem chamado Alfrid. Supostamente incluído no roteiro para servir como alívio cômico, ele consegue apenas irritar. As aparições dele provocam tudo, menos risos. Personagem totalmente desnecessário, com importância zero para a trama.

Falando em personagens, como explicar passarmos cerca de 8 horas na Terra Média sem conhecermos de fato os anões da comitiva? Tirando Thorin, Balin e Kili, os outros não se destacam e dessa forma nosso envolvimento emocional com eles é bem pequeno. Prefiro não comentar o romance entre o anão e a elfa. É mais um exemplo de que três filmes foi apenas uma maneira de ganhar dinheiro fácil.

E por que tão pouco tempo de Bilbo na tela? A trilogia não se chama O Hobbit? Ele se transforma em um mero coadjuvante aqui, o que é uma pena, já que o ator Martin Freeman demonstra bastante confiança e consegue criar empatia com o público.

Mas chega de falar das coisas que me desagradaram. Apesar de tudo, devo dizer que me diverti bastante, principalmente no início e nos 40 minutos finais. A batalha final é sem dúvida épica, com milhares de combatentes, bastante energia, além de doses de criatividade nas coreografias e uma certa beleza visual, como no embate entre Thorin e um líder orc. Aliás, este foi um dos poucos momentos em que realmente me importei com o destino de um personagem.

Merecem elogios, também, as cenas que ajudam a construir a ponte entre O Hobbit e O Senhor dos Anéis, algo que tem mais chance de agradar aos fãs de Tolkien.

Quanto mais penso sobre o que assisti, mais tenho vontade de diminuir a nota. Infelizmente, a trilogia não correspondeu às expectativas. Eu não esperava um novo O Senhor dos Anéis. Esperava algo bem diferente, mas igualmente bom. Foi justamente a ambição de Peter Jackson de fazer algo grandioso como a trilogia do anel que o fez errar a mão. Às vezes, menos é mais.
[7.0]

Crítica: The Maze Runner (2014)

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Acreditem ou não, The Maze Runner é mais um exemplar “young adult” inspirado em livros de sucesso. Para minha surpresa, o filme não decepciona, apesar do ato final que por pouco não arruinou toda a experiência. A primeira hora reserva as melhores sequências, com muito mistério, suspense e ideias promissoras. Somos colocados na pele de Thomas, um jovem que se vê no meio de uma clareira cercada por enormes muros e habitada apenas por garotos. Aos poucos ele vai descobrindo algumas coisas, como o gigantesco labirinto que fica atrás desses muros e a presença de criaturas assassinas patrulhando o caminho. A fuga parece impossível, mas o inquieto Thomas vai fazer de tudo para descobrir uma saída. O começo promissor e envolvente vai perdendo a força a cada minuto que passa. A culpa não é dos competentes atores e nem dos razoáveis efeitos especias. É mesmo o roteiro que fica devendo em termos de conteúdo e criatividade, chegando até a nos insultar com a resolução, que parece querer dizer algo como: “esse final pode ser tosco, mas aguardem o próximo capítulo que vocês não vão se arrepender!” Será?
[7.5]

Crítica: A Pedra da Paciência (2012)

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A Pedra da Paciência tentou ser o representante do Afeganistão no Oscar 2013, porém acabou ficando de fora da lista dos cinco indicados a melhor estrangeiro, injustamente. Eis uma história corajosa e que conta com uma poderosa atuação de Golshifteh Farahani, a atriz principal.

Em um algum lugar do Oriente-Médio, uma mulher cuida do marido em coma e de duas filhas, ao mesmo tempo em que tenta sobreviver as explosões e as batalhas que acontecem literalmente no quintal de sua casa.

Próxima ao desespero, a mulher decide botar para fora tudo o que sente, fazendo do seu marido comatoso um fiel ouvinte. Ela revela vários acontecimentos passados, alguns até surpreendentes e mostra uma clara insatisfação em relação as tradições machistas e opressoras da sociedade em que vive.

Em alguns momentos o ritmo fica um pouco leito, mas Farahani consegue facilmente envolver o público com sua dedicada interpretação. O final é daqueles que conseguimos adivinhar bem antes, porém quando chegamos a ele não há como não sentir o seu impacto.
[8.0]

Crítica: Coração de Leão – O Amor Não Tem Tamanho (2013)

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Coração de Leão – O Amor Não Tem Tamanho é uma comédia romântica cuja estrutura não difere daquilo que já estamos acostumados a assistir dentro do gênero: duas pessoas se conhecem de maneira inesperada, se apaixonam, têm um percalço no caminho e a possibilidade de uma redenção no final. O que faz deste filme argentino um pouco diferente dos demais é o fato do casal ser composto por uma mulher de estatura normal e um anão. Tal situação é capaz de garantir algumas boas risadas, muito pelo fato do personagem encarar a vida de uma maneira bem positiva e segura, mas também existem alguns momentos mais sérios, como quando temos exemplos descarados de bullyng e hipocrisia. O casal principal possui uma invejável química e carrega o filme com tranquilidade, garantindo um bom entretenimento para o público. Mas não há nada de novo, poucas surpresas e um final que quase estraga toda a experiência.
[7.0]

Crítica: Amor Fora da Lei (Ain’t Them Bodies Saints, 2013)

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Muitos críticos estão considerando o diretor David Lowery como um nome a ser seguido de perto. Após assistir a este interessante Amor Fora da Lei até posso entender os motivos, mas devo dizer que não sou um desses dispostos a endeusá-lo tão cedo assim .É inegável que o filme chama muito a atenção pelo o seu visual e sua atmosfera, que remetem aos trabalhos iniciais de Terrence Malick. A fotografia é exuberante, quase sempre aproveitando a famosa hora mágica, logo após o pôr do sol. Temos também atuações sólidas do trio principal, com destaque para Rooney Mara, mas a história não consegue nos envolver durante todos os 96 minutos. Faltaram surpresas e um clímax empolgante. O roteiro mostra um casal que pratica algum roubo, o homem é preso e a mulher fica livre e prestes a dar à luz. Ele está na cadeia e promete que logo voltará para eles. E é isso. Nem sempre uma fotografia excepcional e bons atores conseguem salvar um roteiro mediano e um tanto previsível. Quero sim ver o que David Lowery irá fazer no futuro, mas sem muito entusiasmo.
[6.5]

Data de estreia (br): 10/07/2014
País: EUA
Duração: 96 minutos
Direção: David Lowery
Roteiro: David Lowery
Elenco: Rooney Mara, Casey Affleckm Ben Foster, Keith Carradine
Nota IMDb: 6.5
Aprovação RT: 80%
[info]

Crítica: Hercules Reborn (2014)

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Algo bizarro: em 2014 foram lançados três filmes cujo personagem principal é Hércules, o herói da mitologia grega. Algo mais bizarro: eu fui assistir logo o pior deles. Eu não assisti aos outros dois, mas pelo o que vi aqui e pelas notas no IMDb creio ser humanamente impossível alguém conceber algo tão ruim assim. Não quero perder muito tempo escrevendo sobre algo tão desastroso, mas sinto-me na obrigação de expor algumas das características que fazem de Hercules Reborn o provável framboesa de ouro do ano. O roteiro é daqueles mais clichês e previsíveis. Temos um herói esquecido que precisa voltar a ser quem era para salvar uma cidade. O problema é que o tal herói é um completo desconhecido para o público, afinal seus feitos jamais são mencionados. Os personagens não poderiam ser mais unidimensionais, a começar pelo vilão sanguinário, que não hesita em matar qualquer um que faça algo de que ele não goste. Tudo piora ainda mais graças as ridículas e forçadas atuações, que fazem dos atores de Carrossel serem dignos de Oscar. A direção frenética estilo video-clipe também só atrapalha, assim como os efeitos especiais de qualidade bem duvidosa. E é melhor nem falar dos desmotivados figurantes. Eis a pior coisa que vi este ano. Sinto até que emburreci um pouco depois de 90 minutos deste atentado contra o cinema e os bons costumes. Preciso me recuperar assistindo a algo do nível de Kubrick ou Kurosawa, urgentemente!
[3.0]

Data de estreia: 07/08/2014
País: EUA
Duração: 95 minutos
Direção: Nick Lyon
Roteiro: Jim Hemphill
Elenco: John Hennigan, Christian Oliver, James Duval, Dylan Vox, Christina Ulfsparre
Nota IMDb: 4.1
Aprovação RT: não foi nem avaliado, ninguém teve coragem de assistir…
[info]

Crítica: O Médico Alemão (2013)

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O médico alemão do título não é ninguém mais, ninguém menos do que Josef Mengele, o médico nazista que conduziu experimentos atrozes com os judeus em Auschwitz durante a Segunda Guerra. O filme mostra o médico escondido na Patagonia nos idos de 1960. Ele conhece uma família e se encanta pelos atributos de uma garota de 12 anos, que, segundo ele, só não é perfeita pela baixa estatura. Mengele vai usá-la como cobaia para o uso do hormônio de crescimento e também pretende fazer das suas experiências com os gêmeos que estão para nascer. Temos aqui um material rico que foi subaproveitado. Poderíamos ter um filme com mais suspense, mais tensão e com um clímax memorável. Mas não é bem isso o que acontece. Apesar de detalhes interessantes como diálogos em que sutilmente Mengele revela sua ideologia nazista ou o fato de ele produzir bonecas da “raça superior”, O Médico Alemão é um tanto previsível e pouco envolvente. O cinema argentino pode ser bem melhor do que isso!
[6.5]

Data de estreia (br): 12/06/2014
País: Argentina
Duração: 93 minutos
Direção: Lucia Puenzo
Roteiro: Lucia Puenzo
Elenco: Àlex Brendemuhl, Diego Peretti, Guillermo Pfening
Nota IMDb: 6.9
Aprovação RT: 73%
[info]