Crítica: Hercules Reborn (2014)

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Algo bizarro: em 2014 foram lançados três filmes cujo personagem principal é Hércules, o herói da mitologia grega. Algo mais bizarro: eu fui assistir logo o pior deles. Eu não assisti aos outros dois, mas pelo o que vi aqui e pelas notas no IMDb creio ser humanamente impossível alguém conceber algo tão ruim assim. Não quero perder muito tempo escrevendo sobre algo tão desastroso, mas sinto-me na obrigação de expor algumas das características que fazem de Hercules Reborn o provável framboesa de ouro do ano. O roteiro é daqueles mais clichês e previsíveis. Temos um herói esquecido que precisa voltar a ser quem era para salvar uma cidade. O problema é que o tal herói é um completo desconhecido para o público, afinal seus feitos jamais são mencionados. Os personagens não poderiam ser mais unidimensionais, a começar pelo vilão sanguinário, que não hesita em matar qualquer um que faça algo de que ele não goste. Tudo piora ainda mais graças as ridículas e forçadas atuações, que fazem dos atores de Carrossel serem dignos de Oscar. A direção frenética estilo video-clipe também só atrapalha, assim como os efeitos especiais de qualidade bem duvidosa. E é melhor nem falar dos desmotivados figurantes. Eis a pior coisa que vi este ano. Sinto até que emburreci um pouco depois de 90 minutos deste atentado contra o cinema e os bons costumes. Preciso me recuperar assistindo a algo do nível de Kubrick ou Kurosawa, urgentemente!
[3.0]

Data de estreia: 07/08/2014
País: EUA
Duração: 95 minutos
Direção: Nick Lyon
Roteiro: Jim Hemphill
Elenco: John Hennigan, Christian Oliver, James Duval, Dylan Vox, Christina Ulfsparre
Nota IMDb: 4.1
Aprovação RT: não foi nem avaliado, ninguém teve coragem de assistir…
[info]

Crítica: O Médico Alemão (2013)

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O médico alemão do título não é ninguém mais, ninguém menos do que Josef Mengele, o médico nazista que conduziu experimentos atrozes com os judeus em Auschwitz durante a Segunda Guerra. O filme mostra o médico escondido na Patagonia nos idos de 1960. Ele conhece uma família e se encanta pelos atributos de uma garota de 12 anos, que, segundo ele, só não é perfeita pela baixa estatura. Mengele vai usá-la como cobaia para o uso do hormônio de crescimento e também pretende fazer das suas experiências com os gêmeos que estão para nascer. Temos aqui um material rico que foi subaproveitado. Poderíamos ter um filme com mais suspense, mais tensão e com um clímax memorável. Mas não é bem isso o que acontece. Apesar de detalhes interessantes como diálogos em que sutilmente Mengele revela sua ideologia nazista ou o fato de ele produzir bonecas da “raça superior”, O Médico Alemão é um tanto previsível e pouco envolvente. O cinema argentino pode ser bem melhor do que isso!
[6.5]

Data de estreia (br): 12/06/2014
País: Argentina
Duração: 93 minutos
Direção: Lucia Puenzo
Roteiro: Lucia Puenzo
Elenco: Àlex Brendemuhl, Diego Peretti, Guillermo Pfening
Nota IMDb: 6.9
Aprovação RT: 73%
[info]

Crítica: O Lobo Atrás da Porta (2013)

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O Lobo Atrás da Porta é impressionante do começo ao fim e o impacto é ainda maior para aqueles que desconheciam o fato verídico no qual ele se baseia, como era o meu caso. Mais um exemplar da ótima fase que vive o cinema brasileiro, o filme nos mostra o já batido tema do adúltero de uma forma original e contundente. Tudo tem início com o desaparecimento de uma criança e a investigação policial que se sucede. São ouvidos a professora do colégio que entregou a criança para uma mulher misteriosa, Bernardo e Sílvia (os pais da criança) e a amante de Bernardo. Flashbacks nos mostram o desenrolar dos fatos, mas eles não são exatamente confiáveis. Mistério e reviravoltas estão presentes. Temos aqui uma mistura de drama, policial e thriller de grande competência. Há ainda espaço para o humor, principalmente pelas reações dos personagens diante de certas situações e por diálogos bem escritos, às vezes com algumas gírias e frases de efeito: “Vou dar um arrocha naquela vagabunda”, diz o delegado em certo momento. Mas aos poucos percebemos que O Lobo Atrás da Porta é um trabalho dos mais sérios, forte e corajoso, que mostra que o ser humano é capaz de praticamente tudo. [9.0]

Data de estreia: 05/06/2014
País: Brasil
Duração: 100 minutos
Direção: Fernando Coimbra
Roteiro: Fernando Coimbra
Elenco: Thalita Carauta, Juliano Cazarré, Milhem Cortaz, Leandra Lea, Fabiula Nascimento
Nota IMDb: 7.6
Aprovação RT: 86%
[info]

/curta: fanpage intratecal

Crítica: No Olho do Tornado (Into the Storm, 2014)

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Ninguém deveria assistir a um filme como No Olho do Tornado esperando algo digno de Oscar, não é mesmo? Temos aqui um disaster movie cujos personagens principais são os tornados. Até dá para dizer que os atores fizeram um trabalho decente diante de um roteiro frágil, que investe em situações clichês e dramas familiares sem sal com o propósito de aumentar o tempo de duração. Mas falemos dos tornados, já que quando eles aparecem o filme torna-se um entretenimento competente. Os efeitos especiais permitem cenas espetaculares, capazes de causar arrepios se nos imaginarmos naquelas situações. O diretor acerta ao criar expectativas e só depois mostrar o poder de destruição da força da natureza. A tensão vai crescendo aos poucos, até culminar em um ato final que é um deleite para olhos ansiosos por sequências criativas e empolgantes de ação. Infelizmente, o filme erra feio ao tentar fazer um alerta em relação às mudanças climáticas causadas pelo homem. O assunto é importante, claro, mas este não era o lugar certo para isso. É uma pena que No Olho do Tornado tente parecer mais sério do que deveria. De qualquer forma, boas doses de diversão estão mais do que garantidas.
[6.5]

Data de estreia: 28/08/2014
País: EUA
Duração: 89 minutos
Direção: Steven Quale
Roteiro: John Swetnam
Elenco: Richard Armitage, Sarah Wayne Callies, Matt Walsh, Alycia Debnam Carey
Nota IMDb: 6.0
Aprovação RT: 24%
[info]

/curta: fanpage intratecal

Crítica: Uma Vida Comum (Still Life, 2013)

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Eu desconhecia completamente este filme e quando os créditos começaram a rolar confesso que fui tomado por um misto de emoções. Sem dúvida, foi uma das melhores experiências cinematográficas que tive este ano. O roteiro nos apresenta ao Sr. May, um homem que possui a função peculiar e nobre de encontrar parentes de pessoas que morreram sozinhas. Tarefa não muito fácil, tanto que em várias vezes o Sr. May, o padre e o cadáver são os únicos presentes nos funerais que ele mesmo organiza. Ele se entrega de corpo e alma ao trabalho, pesquisando, tentando encontrar pistas que levem aos conhecidos do falecido, tudo da maneira mais respeitosa possível. O Sr. May é tão dedicado que praticamente aboliu os prazeres da vida, pois não possui família, mantém poucas relações e degusta sempre o mesmo jantar insosso, porém prático: atum, torradas, chá e uma fruta. Após 22 anos neste trabalho, recebe a notícia de que será despedido. Antes, deve resolver o caso de um vizinho que morreu sozinho, tendo apenas três dias para isso. Uma Vida Comum apresenta momentos de um humor seco no melhor estilo inglês e consegue nos deixar investidos na busca do Sr. May. Há um tom melancólico em praticamente todas as cenas, o que é ressaltado pela trilha sonora e pela fotografia mais fria, mas não somos manipulados emocionalmente. Se as lágrimas surgirem, é algo natural e humano. A parcela excessivamente exigente do público pode até torcer o nariz para a última cena, no meu caso digo que aplaudi de pé.
[10]

Data de estreia: 05/06/2014
País: Reino Unido, Itália
Duração: 92 minutos
Direção: Uberto Pasolini
Roteiro: Uberto Pasolini
Elenco: Eddie Marsan, Joanne Froggatt, Andrew Buchan
Nota IMDb: 7.6
Aprovação RT: 92%
[info]

Crítica: Jersey Boys (2014)

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Quem acompanha o blog sabe que sou um grande fã de Clint Eastwood, por isso é com tristeza que digo que Jersey Boys é extremamente fraco, sem dúvida um dos piores momentos da carreira de um diretor que já nos brindou com obras memoráveis. Adaptação de uma peça da Broadway sobre a banda Frankie Valli and The Four Seasons, o filme nos mostra períodos importantes do grupo, como a procura pela formação ideal, os rompantes agressivos de Tommy, dívidas com pessoas perigosas, dramas familiares e a incessante busca pela criação de hits. Já adianto que muitas coisas me incomodaram durante essa experiência. O primeiro aspecto negativo que me chamou a atenção foi a passagem do tempo. De uma hora para outra passam-se anos e só tomamos ciência quando algum personagem faz um comentário sobre isso. A estrutura narrativa também mostra-se errática. Como explicar um flashback que surge do nada para nos mostrar algo praticamente irrelevante? Outra falha daquelas é o fato de que simplesmente não conseguimos nos envolver com os personagens, sempre distantes e pouco interessantes. Dessa forma, uma cena que deveria produzir lágrimas passa muito longe disso. Agora aqui vai um problema que é bem pessoal: a música produzida pela banda não me empolga nem um pouco, inclusive considero irritante a voz de falsete de Frankie Valli. Ficou difícil encontrar alguma coisa de positivo em Jersey Boys para mim, talvez a recriação de época e a fotografia. E só.
[4.5]

Data de estreia: 26/06/2014
País: EUA
Duração: 134 minutos
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Marshall Brickman, Rick Elice
Elenco: John Lloyd Young, Erich Bergen, Michael Lomenda, Christopher Walken
Nota IMDb: 7.1
Aprovação RT: 53%
[info]

Crítica: Divergente (2014)

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Divergente é mais um filme baseado em um livro infanto-juvenil de sucesso. O material original foi escrito pela americana Veronica Roth, que provavelmente foi influenciada por alguns aspectos de Harry Potter e Jogos Vorazes. Minha surpresa: o filme está longe de ser ruim. O início promissor e envolvente mostra um futuro distópico um tanto inverossímil, mas interessante. Após uma guerra que destruiu muita coisa, a sociedade foi dividida em castas de acordo com a personalidade de cada um: abnegação, amizade, audácia, franqueza e erudição. O estranho é que apesar de um teste indicar qual combina mais com a pessoa, pode-se escolher qualquer uma. O fato é que Tris é uma divergente, ou seja, ela possui atributos de várias facções e isso é muito mal visto pelos líderes, tão mal visto que ela precisa mentir ou poderá acabar morta. Tris escolhe fazer parte de Audácia e as sequências que mostram a garota treinando e evoluindo são de longe a melhor coisa do filme. A atriz Shailene Woodley está ótima no papel e convence como uma garota comum que vai se transformando em uma heroína forte. Infelizmente, temos um ato final protocolar e arrastado, além de um romance bem descartável. Fica também a sensação de que faltou explorar melhor a tal guerra que fez as coisas ficarem do jeito que estão. Apesar de tudo, vou conferir o próximo capítulo com boas expectativas.
[7.5]

Data de estreia: 17/04/2014
País: EUA
Duração:  139 minutos
Direção: Neil Burger
Roteiro: Evan Daugherty
Elenco: Shailene Woodley, Theo James, Kate Winslet
Nota IMDb: 6.9
Aprovação RT: 41%
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