Crítica: Planeta dos Macacos: O Confronto (2014)

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Avançando 10 anos no tempo após o início do caos visto no filme anterior, Planeta dos Macacos: O Confronto nos apresenta a um futuro pós-apocalíptico em que a maior parte da população humana foi dizimada pela chamada gripe símia. Melhor sorte tiveram os macacos, que evoluíram muito e criaram uma sociedade organizada vivendo em uma aparente paz.

As primeiras sequências basicamente não possuem diálogos. Os macacos se comunicam por sinais e também por expressões faciais. Rapidamente observamos como a técnica do motion capture alcançou o nível de excelência. São os detalhes que fazem a diferença, como o olhar penetrante dos personagens, os pelos, as lágrimas, o jeito de caminhar e assim por diante. A ambientação é outro destaque. O diretor Matt Reeves nos coloca dentro daquele mundo de tal forma que sentimos as aflições e as alegrias dos macacos. Nos envolvemos de fato com a história, com César e o filho dele, com Malcom e até mesmo Koba. É claro que os atores tem grande responsabilidade nisso, principalmente Andy Serkis em outra performance monstruosa. Um dia ele receberá todos os prêmios que merece!

Os macacos viviam tranquilamente na floresta Muir até receberem a visita dos humanos, que buscam utilizar a represa do local para gerar a energia que tanto faz falta. Existe uma chance dessas diferentes espécie entrarem em um acordo em que ambos se beneficiem? A verdade é que quem é essencialmente ruim, praticará o mal, não importa a espécie. O interessante é que o roteiro se preocupa em justificar as atitudes de vários personagens, adicionando profundidade a trama. Vejam Koba, por exemplo. Torturado física e mentalmente por homens, não há como não compreender o ódio que ele sente. Trata-se de um ser trágico e fascinante. A relação dele com César é outro ponto alto do filme!

Além de possibilitar inúmeras reflexões de cunho social e de investir em momentos intimistas com sabedoria, Planeta dos Macacos: O Confronto esbanja qualidade nas cenas de ação. Com enquadramentos ousados, ritmo dinâmico (mas não frenético) e uma certa imprevisibilidade, o diretor Matt Reeves confirma o seu talento para o gênero, algo que já vimos em Cloverfield. É difícil negar a força deste segundo capitulo da trilogia. Não é sempre que temos a oportunidade de assistir a um blockbuster que foge tão bem do lugar-comum.

Algo me diz que erraram feio no título nacional, para variar. Tivemos batalhas sim, mas o verdadeiro confronto entre macacos e homens será visto no fechamento da trilogia. Estou ansioso desde já!
9/10

Crítica: Sob a Pele (2013)

sob-a-pele-posterSe você está interessado em assistir a Sob a Pele apenas pela nudez de Scarlett Johansson é melhor pensar duas vezes. É fato que ela aparece aqui como veio ao mundo, mas se você não tiver a mente aberta para uma experiência cinematográfica diferente as chances de se sentir entediado são grandes.

Já li críticos que o comparam com 2001 – Uma Odisseia no Espaço, seja pelo sentimento inicial de que não estamos entendo nada ou pela previsão de que este é um filme que vai ser discutido ao longo dos anos e receberá o selo de obra-prima. Quanto mais penso em Sob a Pele, mais compartilho dessas ideias, só que com ressalvas: apesar de se destacar em termos visuais e nas reflexões que proporciona, tais aspectos estão abaixo daqueles vistos no seminal trabalho de Kubrick. Mas isso está longe de ser um problema.

under-the-skin-2013-2O que o enredo tem de criativo ele também tem de simples: Scarlett Johansson interpreta uma alienígena que chega na terra com o propósito de seduzir o maior número possível de homens, capturá-los e (possivelmente) enviá-los para seu planeta natal na forma de suprimento.

Chama a atenção o espetacular visual alcançado pelo diretor Jonathan Glazer. É criada uma atmosfera das mais pesadas. Somos absorvidos pela história de uma maneira inevitável e acompanhamos com curiosidade o misterioso desenrolar dos fatos. Aqui não há exposição e quase nada de diálogos. Muita coisa fica aberta a nossa interpretação.

under-the-skin-2013-4Uma coisa que podemos dizer é que a alien passa por uma mudança ao longo do filme. Antes ela fazia seu serviço de maneira automática, porém quando percebe que os seres humanos são capazes de boas ações, a alien parece hesitar diante de suas presas.

Somos livres para pensar que o roteiro faz um comentário crítico contra o ideal de beleza propagado mundo afora, entre outras reflexões.
under-the-skin-2014Junte um pouco de crítica social, um enredo original, uma performance acima da média, um ritmo contemplativo e inúmeras possibilidades e temos um grande filme. Se vai alcançar o grau de obra-prima, apenas o tempo poderá dizer. 8/10

Crítica: Os Carrascos Também Morrem (1943)

hangmen-also-die-1943Fitz Lang é um dos maiores cineastas de todos os tempos, mas Os Carrascos Também Morrem não é um de seus melhores filmes. Apesar de tudo, não deixa de ser uma experiência valida, principalmente quando focamos mais nos aspectos técnicos ao invés da história.

Acompanhamos aqui o assassinato do general Heydrich e a incessante busca da gestapo pelo responsável. É interessante ver como os habitantes de Praga decidem proteger o assassino, mesmo com os métodos cruéis dos nazistas. Cada sacrifício pessoal é um passo rumo a vitória na guerra. Isso fica bem claro. É uma pena que faltam mais momentos de impacto e um envolvimento maior nosso com os personagens. Fica difícil dizer se a culpa foi dos atores ou do próprio roteiro.

De qualquer forma, o filme consegue mostrar muito bem as atitudes opressoras da gestapo e o medo da população. Ele tem quase todas as qualidades de um bom noir, como a iluminação, o uso das sombras  e a fotografia em preto e branco, mas no geral ficou devendo.
7/10

Crítica: 48 Horas! (Went the Day Well?, 1942)

went-the-day-wellNunca tinha ouvido falar no diretor Alberto Cavalcanti e foi com muita surpresa que descobri que ele era brasileiro. Responsável por este clássico um tanto esquecido, Cavalcanti nasceu no Rio de Janeiro em 1897 e iniciou a carreira no cinema em 1920 na França.

O filma nos mostra uma vila inglesa recebendo soldados em busca de um local para descansar e planejar uma defesa contra um iminente ataque nazista.Na verdade, esses soldados são alemães disfarçados de aliados. Tal descoberta é feita aos poucos pelos habitantes, proporcionando cenas de suspense e tensão.

Algumas coisas soam absurdas, é verdade, mas Cavalcanti transmite um tom de urgência quase palpável e assim entramos de corpo e alma na história. Algumas sequências se destacam pela violência e outras pela coragem dos ingleses defendendo o lar da ameaça alemã.
8/10

 

Crítica: Correspondente Estrangeiro (1940)

correspondente-estrangeiro-1940Ainda que Correspondente Estrangeiro não esteja no rol dos grandes filmes de Alfred Hitchcock, é inegável que trata-se de um ótimo entretenimento, com direito a cenas bem construídas em termos de suspense e também a eficientes momentos de um humor inesperado.

Com a Segunda Guerra prestes a estourar, um jornalista americano é escolhido para ser enviado a Europa por desconhecer completamente o assunto a ser noticiado. Chegando lá ele se depara com situações das mais suspeitas e tipos extremamente misteriosos.

Hitchcock já começava a se estabelecer como um grande nome do cinema, aprimorando sua técnica a cada novo filme. Aqui ele conseguiu adicionar muita tensão para a história, além de utilizar truques para criar efeitos especiais competentes em cenas de ação.

Há um pouco de propaganda na última cena, algo compreensível dado o cenário mundial na época. As falhas do filme ficam por conta do romance bobo e da duração um pouco exagerada.
7/10