Crítica: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (2014)

hoje-eu-quero-voltar-sozinhoHoje Eu Quero Voltar Sozinho, filme dirigido e roteirizado pelo ótimo Daniel Ribeiro, é mais uma prova de que o Brasil possui um talento monstruoso em termos de cinema. Como é bom assistir a um filme que é sensível, emocionante, profundo e divertido. São cerca de 95 minutos que passam voando e nos deixam ávidos por mais.

Os adolescentes Leonardo (Guilherme Lobo) e Giovana (Tess Amorim) são amigos inseparáveis prestes a iniciar mais um ano letivo. Leonardo é cego desde o nascimento, mas ele consegue viver bem com isso, apesar do excesso de proteção da mãe. Ela tem muitas dificuldades de aceitar o fato de que o garoto pode e deve fazer as coisas sozinho de vez em quando. Infelizmente, na escola, Leonardo é alvo de bullying em algumas situações. É triste notar que as pessoas estão cada vez piores nesse sentido. Perde-se a civilidade, mas não a piada. Tudo isso o faz pensar em realizar um intercâmbio e sumir por uns tempos.

A forte amizade de Leonardo e Giovana recebe a companhia de Gabriel e logo se inicia um tipo de triângulo amoroso. O legal é que tudo acontece da maneira mais natural possível. A barra não é forçada em nenhum momento. O sentimento entre Leonardo e Gabriel cresce aos poucos, com um começando a gostar do estilo musical do outro, com conversas sinceras, piadas não intencionais e outras experiências.

Falando em música, várias cenas ganham em intensidade e significado graças as ótima escolhas da trilha sonora, que conta com The National, Belle and Sebastian e Arvo Part.

Estamos diante de uma história de amadurecimento que funciona tão bem devido ao brilhante roteiro e à qualidade do trio de atores principais. Criamos empatia com eles logo na primeira cena e assim compartilhamos suas alegrias e tristezas.

Confesso que fiquei impressionado com a capacidade de Daniel Ribeiro de abordar temas difíceis de um jeito leve, sem exageros, mas repleto de emotividade. Está aí um diretor cuja carreira quero acompanhar de perto.

E viva o cinema!
9/10

 

Leonardo (Guilherme Lobo), Gabriel (Fabio Audi), Giovana (Tess Amorim)

Review: Game of Thrones 4×02 – The Lion and the Rose

game-of-thrones-4x02

ATENÇÃO PARA OS SPOILERS! NÃO LEIA SE AINDA NÃO ASSISTIU AO EPISÓDIO.

Depois deste ótimo episódio já podemos dizer que a quarta temporada começou a todo vapor. The Lion and the Rose foi ainda melhor que o episódio da semana passada e nos mostrou uma morte das mais relevantes do seriado até agora, que tem a possibilidade de mudar muito os rumos da história. Mas vamos deixar isso para o fim do texto.

Logo no início vemos o estado digno de pena no qual se encontra Theon Greyjoy. Não bastasse ele ter sido esfolado e ter perdido a masculinidade, Theon acompanha Ramsay em seus jogos violentos e doentios como se fosse um animal domesticado. Depois de ter sofrido tanto nas mãos do bastardo de Bolton, ele simplesmente não consegue enfrentá-lo, como ficou provado quando Theon fez a barba de Ramsay sem lhe tirar uma gota de sangue. Quem não gostou muito dessa situação foi Roose Bolton, que queria utilizar o herdeiro Greyjoy como moeda de troca.

Detalhe para o humor negro: a cena seguinte a essa que descrevi mostra Tyrion começando a degustar uma salsicha. Coitado de Theon!

Falando em Tyrion, fazia tempo que ele não sofria tanto. O “duende” precisou cortar as relações com Shae de uma vez por todas. Ou isso ou garota corria o risco de perder a vida bem rápido, já que Cersei estava bem informada do relacionamento da garota com o irmão. Esse foi só o começo do sofrimento de Tyrion aqui.

O episódio mostrou algumas cenas centradas em Bran Stark e em Stannis. O garoto Stark recebe um tipo de visão que lhe indica o caminho a seguir e Stannis percebe que Melisandre e o Senhor da Luz ganham cada vez mais poder e influência.

Mas é claro que o destaque vai para o casamento de Joffrey e Margaery Tyrell. Eu costumo ter uma imaginação relativamente fértil, mas devo dizer que o pessoal da HBO conseguiu deixar essa sequência ainda mais interessante do que eu imaginava quando li o livro.

Tudo parecia correr normalmente: Joffrey manifestando sua arrogância de sempre, se divertindo com o sofrimento dos outros, Cersei e Jaime expressando que sentem muito ciúmes um do outro, Oberyn dando indiretas para Tywin e assim por diante.

Eis que Joffrey começa a humilhar Tyrion de uma maneira brutal. Primeiro ele ordena o tio a participar de um combate contra uma trupe de anões de circo, depois joga vinho na cabeça dele e, em seguida, o obriga a servi-lo. O garoto toma o vinho, come alguns pedaços de bolo e começa a passar mal. Rapidamente, Joffrey sangra e parte dessa para uma melhor. É isso mesmo. O provável personagem mais odiado de Game of Thrones morreu! E todas as suspeitas recaem sobre Tyrion, que vai preso a mando de uma desesperada Cersei.

Um detalhe que pode ter passado batido por alguns é um comentário feito por Olenna Redwyne no início da festa, no qual ela fala sobre a crueldade de se tirar a vida de um recém-casado, se referindo ao destino de Robb Stark.

Afinal, quem envenenou Joffrey? A resposta virá.

Mais uma vez somos surpreendidos por um acontecimento chave em Game of Thrones. É claro que não foi algo tão intenso como o Casamento Vermelho (mesmo porque nesse caso foi uma morte que agradou aos fãs da série), mas segue a ideia de que nenhum personagem é intocável e que tudo pode acontecer. Agora as coisas ficam ainda mais confusas em relação ao trono. Quem comandará o reino daqui para frente? E como os outros pretendentes à coroa receberão a notícia da morte de Joffrey? .
9.5/10

- casamentos em game of thrones possuem finais um tanto inesperados.
- margaery tyrell é viúva pela segunda vez. a garota, definitivamente, não é um bom partido!
- por onde anda o mindinho?

Crítica: A Regra do Jogo (1939)

regra-do-jogo-1A Regra do Jogo é considerado por muitos críticos como um dos melhores filmes de todos os tempos, algo que é fácil de se entender quando conseguimos perceber a qualidade deste trabalho de Jean Renoir. Confesso que na primeira vez que assisti, não considerei algo assim tão espetacular. Mas o problema era comigo. Faltava-me um pouco mais de experiência cinéfila para compreender e absorver toda a grandeza de A Regra do Jogo.

Antes de falar do filme propriamente dito, acho interessante mencionar que ele foi muito mal recebido na época do seu lançamento, chegando até a ser banido pelo governo. O filme original foi destruído e só não ficamos sem esse magnífico trabalho de Renoir graças a uma reconstrução feita na década de 1950.

A trama apresenta várias temáticas, desde romance, humor pastelão, críticas sociais até a tragicomédia. O que mais chama a atenção é o fato de que tanto a nobreza como os empregados são mostrados com as mesmas falhas de caráter. A futilidade, a hipocrisia e as intrigas amorosas fazem parte da essência dessa sociedade, que parece não perceber que a Segunda Guerra está batendo à porta. Ao mesmo tempo em que rimos, podemos perceber as ironias e o sarcasmo nos diálogos inteligentes. Trata-se de um roteiro primoroso, lapidado da melhor maneira possível.

Não há como não mencionar a espetacular direção de Jean Renoir, um verdadeiro artista da Sétima Arte. A Regra do Jogo é visualmente grandioso, com movimentos de câmera ousados e criativos, que deixam a história fluir com naturalidade. Isso sem falar na profundidade de campo, técnica que foi utilizada com maestria por Orson Welles e Gregg Toland em Cidadão Kane.

Quanto mais vezes assisto, mais consigo perceber os detalhes e admirar A Regra do Jogo. Filme para ser visto e revisto por todos nós, amantes do bom cinema!
9/10

:info IMDb
:curta Intratecal

Teatro: Nem Freud Explica

nem-freud-explicaNão é exagero dizer que João Luiz Fiani e Marino Jr. formam a dupla mais prolífica do teatro paranaense. Quando os dois unem forças o resultado só pode ser algo bem acima da média, como é o caso de Nem Freud Explica, peça escrita e dirigida por Fiani, que também atua ao lado de Marino Jr.

A peça está em cartaz há 14 anos e é um sucesso de público e crítica por onde passa. E o detalhe interessante é que ela parece ficar melhor a cada ano.

Fiani e Marino Jr demonstram uma química gigantesca e cativam a plateia do início ao fim do espetáculo, que se passa em um cenário cheio de possibilidades: o consultório de um psicanalista. O paciente é Frederico, um rapaz cuja vida nada mais é do que sofrimento, afinal quem olha para ele morre de rir. Literalmente.

Os diálogos são recheados de presença de espírito e humor inteligente. O timing cômico de ambos os artistas é impecável.

Nem Freud Explica não é “apenas” uma comédia de muita qualidade, como também faz críticas divertidas à psicanálise e oferece um bom exemplo do teatro do absurdo.

Quando essa bela experiência acaba só nos resta sorrir, levantar e aplaudir.