Crítica: Jersey Boys (2014)

Film Review-Jersey Boys

Quem acompanha o blog sabe que sou um grande fã de Clint Eastwood, por isso é com tristeza que digo que Jersey Boys é extremamente fraco, sem dúvida um dos piores momentos da carreira de um diretor que já nos brindou com obras memoráveis. Adaptação de uma peça da Broadway sobre a banda Frankie Valli and The Four Seasons, o filme nos mostra períodos importantes do grupo, como a procura pela formação ideal, os rompantes agressivos de Tommy, dívidas com pessoas perigosas, dramas familiares e a incessante busca pela criação de hits. Já adianto que muitas coisas me incomodaram durante essa experiência. O primeiro aspecto negativo que me chamou a atenção foi a passagem do tempo. De uma hora para outra passam-se anos e só tomamos ciência quando algum personagem faz um comentário sobre isso. A estrutura narrativa também mostra-se errática. Como explicar um flashback que surge do nada para nos mostrar algo praticamente irrelevante? Outra falha daquelas é o fato de que simplesmente não conseguimos nos envolver com os personagens, sempre distantes e pouco interessantes. Dessa forma, uma cena que deveria produzir lágrimas passa muito longe disso. Agora aqui vai um problema que é bem pessoal: a música produzida pela banda não me empolga nem um pouco, inclusive considero irritante a voz de falsete de Frankie Valli. Ficou difícil encontrar alguma coisa de positivo em Jersey Boys para mim, talvez a recriação de época e a fotografia. E só.
[4.5]

Data de estreia: 26/06/2014
País: EUA
Duração: 134 minutos
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Marshall Brickman, Rick Elice
Elenco: John Lloyd Young, Erich Bergen, Michael Lomenda, Christopher Walken
Nota IMDb: 7.1
Aprovação RT: 53%
[info]

Crítica: Divergente (2014)

divergente-2014

Divergente é mais um filme baseado em um livro infanto-juvenil de sucesso. O material original foi escrito pela americana Veronica Roth, que provavelmente foi influenciada por alguns aspectos de Harry Potter e Jogos Vorazes. Minha surpresa: o filme está longe de ser ruim. O início promissor e envolvente mostra um futuro distópico um tanto inverossímil, mas interessante. Após uma guerra que destruiu muita coisa, a sociedade foi dividida em castas de acordo com a personalidade de cada um: abnegação, amizade, audácia, franqueza e erudição. O estranho é que apesar de um teste indicar qual combina mais com a pessoa, pode-se escolher qualquer uma. O fato é que Tris é uma divergente, ou seja, ela possui atributos de várias facções e isso é muito mal visto pelos líderes, tão mal visto que ela precisa mentir ou poderá acabar morta. Tris escolhe fazer parte de Audácia e as sequências que mostram a garota treinando e evoluindo são de longe a melhor coisa do filme. A atriz Shailene Woodley está ótima no papel e convence como uma garota comum que vai se transformando em uma heroína forte. Infelizmente, temos um ato final protocolar e arrastado, além de um romance bem descartável. Fica também a sensação de que faltou explorar melhor a tal guerra que fez as coisas ficarem do jeito que estão. Apesar de tudo, vou conferir o próximo capítulo com boas expectativas.
[7.5]

Data de estreia: 17/04/2014
País: EUA
Duração:  139 minutos
Direção: Neil Burger
Roteiro: Evan Daugherty
Elenco: Shailene Woodley, Theo James, Kate Winslet
Nota IMDb: 6.9
Aprovação RT: 41%
[info]

Crítica: Mar Negro (2013)

mar-negro-filme-2013

Mar Negro é um filme brasileiro independente de zumbis. Isso mesmo. Dirigido com raça, criatividade e talento por Rodrigo Aragão, temos aqui uma experiência que inevitavelmente vai agradar aos que gostam de uma cinema trash, repleto de gore e situações absurdas e que não se incomodam quando o roteiro não faz muito sentido. Basicamente a história se resume a uma vila de pescadores que enfrenta uma epidemia zumbi, algo que proporciona sequências que são verdadeiros banhos de sangue, com direito a membros decepados, mordidas em lugares estratégicos e algumas outras coisas nojentas. Há espaço para um humor eficiente, mas não esperem muito suspense ou uma carga dramática relevante. Recomendado para quem tem estômago forte e gosta desse cinema mais descompromissado, porém cheio de energia e feito por pessoas que amam o que fazem.
[7.0]

Data de estreia: 10/01/2014
País: Brasil
Duração: 105 minutos
Direção: Rodrigo Aragão
Roteiro: Rodrigo Aragão
Elenco: Mayra Alarcón, Kika de Oliveira, Walderrama dos Santos, Markus Konká, Christian Verardi
Nota IMDb: 5.9
Aprovação RT: sem avaliação
[info]

Crítica: Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy, 2014)

XXX GUARDIANS-GALAXY-MOV-JY-0704.JPG A ENT

Mesmo sendo desconhecido para quem não é um especialista do universo Marvel, Guardiões da Galáxia conquista o público por apresentar figuras extremamente carismáticas e divertidas, além de trabalhar com a ação e o humor de maneira eficiente. Fazia tempo que eu não ria tanto em um filme. Os momentos cômicos são uma constante, principalmente com diálogos inspirados e gags visuais. A história não é o ponto forte, como acontece com a maioria dos filmes de heróis. Basta saber que existe um objeto poderoso desejado por muitos e um vilão odiado por outros tantos. E só. Apesar dessa simplicidade não se pode negar a qualidade de Guardiões da Galáxia. As sequências de ação empolgam bastante e a empatia pelos personagens garante nosso envolvimento. Para completar, a trilha sonora dos anos 1970 é espetacular e ainda tem importância dentro da narrativa. Eis aqui um entretenimento repleto de virtudes. Agora nos resta torcer para que as continuações mantenham essa pegada.
[8.5]

Data de estreia: 31/07/2014
País: EUA, Reino Unido
Duração: 121 minutos
Direção: James Gunn
Roteiro: James Gunn, Nicole Perlman
Elenco: Chris Pratt, Bradley Cooper, Zoe Saldana, Vin Diesel, Michael Rooker
Nota IMDb: 8.5
Aprovação RT: 90%
[info]

Crítica: A Gaiola Dourada (Le Cage Dorée, 2013)

a-gaiola-dourada

Se você está procurando por um filme leve, que mistura de maneira eficiente o humor e cenas com certa carga emocional, A Gaiola Dourada é uma opção muito interessante.

Somos apresentados a uma família de origem portuguesa que vive na França. José é um operário e Maria é zeladora no condomínio onde vivem. Ambos trabalham com prazer e ajudam os outros por serem naturalmente bons, mas o fato é que eles não recebem o reconhecimento que merecem, nem em termos financeiros, nem em agradecimentos.

Quando José recebe uma herança que o obrigaria a voltar a Portugal, as pessoas começam a agir de maneira diferente com o casal. São mimos cujo objetivo é fazê-los dispensar a herança e continuarem executando suas funções. São justamente essas cenas que proporcionam os melhores momentos de humor, como quando vemos a reação do patrão de José ao saber que seu filho está namorando a filha de José, por exemplo.

Algumas situações são um tanto mais emotivas, principalmente a sequência que o filho adolescente não diz que está diante de sua mãe e sim da zeladora do prédio para a namorada, com medo e vergonha de ser julgado por isso. O fado português é outro momento bem intenso.

A Gaiola Dourada convence ao retratar imigrantes portugueses que já se adaptaram ao novo país, mas que não negam suas raízes e que não estão completamente livres do preconceito. Diversão e um drama bem leve aqui. Só não consigo entender a desnecessária aparição de um jogador de futebol de Portugal, inclusive até atrapalhando o desfecho. Isso e a presença de alguns personagens caricaturais impedem uma nota um pouco maior.

Nota: 8

Crítica: Hermano – Uma Fábula Sobre Futebol

hermano-uma-fabula-sobre-futebol

Há quem diga que Hermano é o Cidade de Deus venezuelano, comparação que não é exagerada. Temos aqui a história de dois irmãos de criação que vivem em uma comunidade pobre de Caracas e almejam subir na vida através do futebol. O problema é que o futebol não é a única preocupação deles, já que vivem em um ambiente hostil, repleto de rixas e drogas, onde um erro pode trazer sérias consequências.

Tudo é muito realista e visceral em Hermano. A violência do dia a dia é retratada de maneira contundente e a história fica ainda mais autêntica graças aos dois ótimos personagens principais e ao fato de que nós brasileiros sabemos como funcionam as coisas no futebol.

As cenas dos jogos em si são muito bem realizadas, afinal os atores parecem realmente entender do jogo. A trilha sonora que remete a Friday Night Lights engrandece essas sequências ainda mais.

Algumas coisas podem ser consideradas previsíveis, mas não o final. Sinceramente, não estava preparado para algo tão intenso e dramático. Um pouco forçado? Talvez, porém nada absurdo nos dias de hoje.

Nota: 9

Crítica: Paixão Inocente (Breathe In, 2013)

paixao-inocente-2013Paixão Inocente pode não trabalhar com um tema exatamente original, mas o filme consegue evitar alguns dos clichês do gênero e ainda adiciona bastante sensibilidade em algumas cenas.

Sophie é uma intercambista que sai da Inglaterra para viver uma experiência diferente na região de Nova Iorque. Ela é acolhida por uma família composta por um casal e uma filha de 18 anos, praticamente a mesma idade de Sophie. Keith dá aulas de música em um colégio, porém não se sente um professor. Rapidamente percebemos que algo acontece entre Keith e Sophie, principalmente pelos olhares que trocam, mas eles evitam qualquer tipo de contato. Até quando?

Sophie vai estudar neste mesmo colégio e quando a garota demonstra todo o seu talento no piano, Keith passa a sentir algo ainda mais forte por ela.

Quando digo que o filme foge dos clichês, me refiro principalmente a composição da personagem Sophie. Ela não é uma femme fatale e nem uma Lolita. Não. Ela é uma garota culta, que gosta de ler e de tocar piano, que age naturalmente e está em processo de amadurecimento.

Apesar de algumas sequências serem um tanto previsíveis e o final descambar para o moralismo, Paixão Inocente investe de maneira envolvente em um romance capaz de gerar uma infinidade de problemas para uma família, contando com cenas poéticas, donas de uma bela fotografia e uma trilha sonora que utiliza música clássica com sabedoria.

Grande pequeno filme.

Nota: 8.5