Crítica: Sonhos Imperiais (2014)

Após passar um tempo considerável na cadeia, Bambi terá pela frente o desafio de se reinserir em uma sociedade que tem pouco espaço para pessoas como ele. É no lado nada romantizado de Los Angeles onde Bambi tentará alcançar o sonho de publicar um livro. Esse objetivo parece ficar cada vez mais distante a medida que novos problemas surgem na sua frente. O dinheiro inexiste, a família pouco pode ajudar e um emprego está bem difícil de conseguir sem uma carteira de motorista. Para tirar a carteira ele tem que pagar 15 mil dólares de pensão, mas como conseguir isso sem um trabalho? E não é apenas de si próprio que ele tem cuidar, mas também do filho pequeno. Isso sem falar da violência por todos os lados. Pois é. Parece que todo o sistema quer empurrar Bambi para a vida do crime novamente. Sonhos Imperiais é um retrato honesto e emotivo sobre uma parcela marginalizada da sociedade. O diferencial de Bambi é que ele é capaz de transformar em palavras contundentes tudo aquilo que já viveu. Será o bastante para garantir um futuro para ele e para o filho? Além de um roteiro bem escrito que foca em um tema relevante, temos aqui uma performance extremamente competente de John Boyega. Vale a pena uma sessão dupla com Fruitvale Station.

Nota: 8

Anúncios

Sinais (Signs, 2002)

Mais do que um filme sobre invasão alienígena, Sinais é a história de um homem e sua fé. Após um acontecimento trágico, Graham Hess abandonou a batina e decidiu não perder mais tempo com orações. Ele levava uma vida tranquila com seus dois filhos e o irmão mais novo quando coisas misteriosas começam acontecer na sua fazenda e no mundo inteiro. Animais agem com agressividade e enormes círculos surgem em várias plantações. Quem ou o quê está por trás disso? As revelações são feitas aos poucos e com muito suspense. M. Night Shyamalan usa suas influências com sabedoria e constrói cenas que causam aflição. O diretor consegue criar uma atmosfera de medo quase palpável, quase sempre de um jeito mais sutil. São sons que ouvimos à distância, sombras passando pelo vão das janelas, videos caseiros de outro país e assim por diante. Acompanhamos essa situação apenas a partir da perspectiva da família de Graham Hess. O resto do mundo importa muito pouco aqui. Desde o início conseguimos nos conectar com os quatro. A qualidade dos atores obviamente colabora, mas os diálogos são muito bem escritos e a dinâmica entre eles propicia tanto momentos engraçados como situações com mais carga emocional. Em uma segunda assistida é possível notar pistas sobre quase tudo o que é visto no ato final. Tudo tem um porquê, desde o passado nos campos de basebol de Merrill, a asma de Morgan e a mania de Bo em relação a água. Seriam sinais ou coincidências? Ou como pergunta Graham para o irmão: estamos por nossa conta ou existe alguém nos ajudando?

Nota: 9

Game of Thrones – 8×02: A Knight of The Seven Kingdoms

A Knight of the Seven Kingdoms, segundo episódio da oitava temporada, foi basicamente perfeito ao que se propôs. Trata-se de um episódio de preparação extremamente eficiente. Além de trabalhar a tensão que antecede uma batalha com maestria, ele ainda colocou frente a frente diversos personagens e nos brindou com diálogos inteligentes e emocionantes. Houve tempo também para várias referências a acontecimentos passados, o que não deixa de ser uma bem vinda recompensa para os fãs.

Para quê acelerar as coisas? Outros seriados provavelmente nem se dariam ao trabalho de ter um episódio destes, mas isso é Game of Thrones.

Todos os 58 minutos se passam em Winterfell. Vemos os soldados treinando, as armas com vidro de dragão em fabricação, armadilhas preparadas e estratégias debatidas. Tudo muito verossímil. Não poderia ser diferente quando há um imenso exército de mortos chegando nos portões. Até quem nunca empunhou uma espada irá contribuir de alguma forma. Mesmo com o medo estampado nos olhos.

Eu achava que Jaime sofreria um pouco mais ao retornar a Winterfell, mas não foi bem assim. Graças a Brienne ele foi aceito por Daenerys. Como disse Jon, não dá para desperdiçar um soldado nessas horas.

Daenerys tem o costume de soar irritante quando questiona Tyrion. Todos sabemos do potencial do anão e ela parece esquecer disso às vezes. A Rainha dos Dragões dificilmente assume que cometeu um erro e prefere jogar a culpa na sua Mão. Jorah e Sansa talvez tenham a convencido a acreditar nele em definitivo.

Quando parecia que Sansa e Daenerys iriam se acertar de uma vez, eis que surge a dúvida sobre o que será feito com o Norte depois das batalhas que virão. Claro, essa discussão só existirá mais para frente se as batalhas forem vencidas, mas é algo a se pensar, ainda mais agora que Jon descobriu quem ele é.

Confesso que ainda não sei o que pensar sobre Arya e Gendry. Isso veio meio que do nada. De qualquer forma, é natural alguém buscar conforto (e prazer) em uma noite que antecede uma batalha.

Minha teoria sobre Theon provavelmente irá se concretizar. Gostei de vê-lo ser bem recebido por Sansa e ter o aval de Bran para protegê-lo. Duvido que ele sobreviverá ao próximo episódio e imagino que ele irá se despedir com um ato de bravura. Tomara. Ele merece a rendição agora.

Os melhores momentos de A Knight of the Seven Kingdoms se passaram na roda de conversa em frente da lareira. Brienne, Podrick, Tyrion, Davos, Jaime e Tormund. E vinho. Bastante vinho. Finalmente descobrimos como o selvagem Tormund ficou tão forte: ele mamou nos seios de uma gigante por três meses, óbvio. Atenção marombeiros! Isso é melhor que Whey Protein. Essa inesperada resenha não foi apenas de diálogos engraçados. Apreciamos o prodígio Podrick cantando uma bela canção e testemunhamos Brienne de Tarth receber o título de Cavaleira de Jaime Lannister e ser efusivamente aplaudida por Tormund. A quase sempre impassível Brienne sorriu e ficou com os olhos umedecidos. Nós também.

Este foi um episódio de preparação que beirou a perfeição e o cliffhanger não poderia ter sido melhor executado. Em meio a revelação que Jon fez para Daenerys a trombeta soou três vezes e agora não há mais como adiar: O INVERNO CHEGOU.

Nota: 9.8

Música | Resumo da Semana

Beyoncé na Netflix

Estreou na Netflix o documentário Homecoming. Podemos conferir aqui todo o contexto do elogiado show da cantora no Coachella 2018. Este é um dos maiores festivais de música do mundo e existe desde 1999. Beyoncé foi a primeira mulher negra a ser headliner do festival.

Repercussão do álbum do Fontaines DC

Fazia tempo que não havia tanta repercussão para um álbum de uma banda indie/alternativa. Dogrel vem dando o que falar. Vários sites especializados tem feitos generosos elogios e avaliando com nota máxima. Sugiro um pouco de calma com essa banda irlandesa. Espero que eles invistam mais no post/punk melódico de músicas como Television Screens, Roy’s Tune e Liberty Belle do que em músicas que eles mais falam do que cantam.

60 anos de Robert Smith

O frontman do The Cure está fazendo 60 anos hoje. O tempo passa, não é mesmo? Será que quem vai receber o presente somos nós com a confirmação de show deles no Brasil em 2019? Estamos aguardando ansiosamente.

Novo álbum do Cage The Elephant

Os americanos do Cage the Elephant já disponibilizaram o sexto álbum de estúdio deles. Você pode conferir Social Clues no Spotify.

Música da semana

Fontaines D.C – Roy’s Tune

Assunto de Família (Shoplifters, 2018)

Desde quando entrei em contato com o cinema de Hirokazu Koreeda pela primeira vez, faço questão de acompanhar todos os seus lançamentos. Em se tratando de cinema japonês, talvez ele seja realmente o nome de maior destaque. Assunto de Família é mais uma prova da qualidade superior do diretor. Indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro e vencedor da Palma de Ouro em Cannes, o filme faz um retrato sensível e honesto de uma família peculiar. Mesmo empregados, o dinheiro está sempre no limite. O garotinho Shota já se transformou em um especialista na arte de praticar pequenos delitos. Ele rouba comida e shampoo. E assim esse pequeno grupo segue na batalha diária da sobrevivência. A menina Yuri foge da sua casa por sofrer maus tratos e é, digamos, adotada pela família. A trama se desenrola com sutileza e aos poucos conseguimos entender os anseios de cada um deles, assim como a estranha dinâmica em que vivem. Não se surpreenda se chegar ao final sentindo uma enorme conexão com cada um deles e talvez com os olhos levemente marejados.

Nota: 9

The Walking Dead “The Big Scary U” Crítica

Eu achava que não teria coragem de voltar a assistir a Walking Dead depois da péssima sétima temporada e do fraquíssimo início da oitava. Eu havia abandonado o seriado quando tive o desprazer de testemunhar o episódio 8×03, mas agora – em um ato heroico e masoquista – voltei para o mundo dos zumbis. The Big Scary U evidencia novamente a falta de criatividade dos roteiristas. A trama não avança e as cenas pouco verossímeis estão presentes, ainda que em menor número do que nos episódios anteriores. O único alento aqui foi a tentativa de adicionar camadas ao unidimensional Negan. Em termos de profundidade ele está bem abaixo do Governador, por exemplo. Quem sabe isso mude no futuro. Agora que voltei a assistir pretendo ir até o final, custe o que custar.

Nota: 6.1

Review | Game of Thrones 8×01 – Winterfell

Minhas expectativas estavam naturalmente altas para este primeiro episódio da oitava temporada e no final das contas posso dizer que gostei do que vi, ainda que com algumas ressalvas. Quem acompanha Game of Thrones desde 2011 sabe que na maioria das vezes os roteiristas desenvolvem a trama com calma, aumentando a intensidade aos poucos até chegar no ápice em um episódio chave. Essa temporada terá apenas seis episódios e apesar do início mais comedido – cheio de reencontros e momentos intimistas – deu para perceber que as coisas vão pegar fogo na sequência.

Finalmente Theon consegue se redimir perante a irmã. Pareceu um tanto fácil e rápido demais, mas o que importa é que ele conseguiu resgatar Yara das mãos de Euron. E pelo jeito, ele está rumando para Winterfell. Até consigo vislumbrar ele morrendo em breve, talvez se sacrificando para salvar alguém que ele prejudicou anteriormente. Theon é um dos personagens mais trágicos de Game of Thrones, digno de um misto de sentimentos e merecedor de um pouquinho mais de crédito.

Falando em Euron, eis aí um cara sinistro, arrogante e confiante. Basicamente, algumas das qualidades que Cersei quer em um homem. Pelo menos é o que pareceu aqui. Game of Thrones gosta de ter pelo menos um vilão meio exagerado como foram Joffrey e Ramsay. Nas últimas temporadas, esse papel cabe a Euron. Convenhamos, ele tem bem menos presença que os já saudosos Joff e Ramsay, mas tem o seu apelo.

Mas vamos para Winterfell. É muito bom ver Winterfell recheada de personagens que amamos. E melhor ainda foi presenciar reencontros com consideráveis doses de emoção. É surreal pensarmos que a última vez que Jon e Arya se viram foi na primeira temporada, na época em que Ned Stark ainda estava vivo. Seria ótimo se houvesse mais tempo disponível para aproveitarmos esse reencontro, mas a trama precisa andar. Apesar do tempo curto, o roteiro foi lá e investiu em uma cena bem boba. Claro que me refiro ao passeio de dragão pelos ares do Norte. Que coisa patética.

O episódio foi razoavelmente morno na maior parte do tempo e melhorou muito nos minutos finais. Foi impactante testemunhar Sam falando para Jon sobre sua real origem. Fica um tanto difícil saber o que ele irá fazer agora. De acordo com os costumes de Westeros, o rei é ele e não a titia Daenerys.

Foi um alívio saber que nosso amado Thormund está vivo, assim como Beric. O problema é que o Rei da Noite está pertinho e com sede de carnificina. Coitado do molequinho Umber. Confesso que tomei um belo susto quando ele gritou.

E para encerrar em alto nível e nos deixar a semana inteira com vontade de ver o segundo episódio, tivemos nada mais nada menos do que Jaime Lannister em Winterfell. Ele chega e já dá de cara com Bran na cadeira de rodas. Isso sem falar que logo estará diante de Daenerys, a filha do rei que ele matou.

Não tenho nenhum problema em admitir que esperava mais da season premiere, mas sei do que o seriado é capaz. Considerando tudo o que já vimos e todas as possibilidades, é justo esperar por um desfecho épico. Sinto que estamos caminhando para isso.

Nota: 7.8

As Melhores Músicas do Imagine Dragons

Poucos são tão relevantes no cenário musical atual como o Imagine Dragons. Fundada em 2008 em Las Vegas, a banda gosta de dizer que não tem gênero definido, mas fica evidente que trata-se de uma mistura de pop, rock e indie. O quarteto sabe fazer um som contemporâneo que o público moderno quer ouvir, ainda que isso os faça não serem bem recebidos pela maioria dos críticos.

Nigh Visions, Smoke + Mirrors, Evolve e Origins obviamente não estão livres de falhas. O Imagine Dragons adora os excessos, tanto em termos de produção como até mesmo na quantidade de músicas nas versões deluxe de seus álbuns, mas o fato é que eles já criaram tantos hits que perdemos as contas. São músicas construídas com cuidado, letras honestas, melodias empolgantes e refrões fáceis de absorver e sair cantando por aí.

E convenhamos, Dan Reynolds é um frontman bem competente, algo essencial para uma banda fazer sucesso.

Listo aqui as minhas músicas preferidas dos caras. Fica de preparação para quem vai conferir os caras ao vivo no Rock in Rio 2019.

1. Radioactive

2. On Top of the World

3. Natural

4. It Comes Back To You

5. It’s Time

6. Walking the Wire

7. Thunder

8. Amsterdam

9. Shots

10. Smoke and Mirrors

11. Bad Liar

12. Trouble

13. Believer

14. Start Over

15. West Coast

Se quiser ouvir no Spotify, aí vai:

* * *

– Qual o seu Top 3 dos caras?
– E o CD preferido?

 

Crítica | Creed II (2018)

É impressionante constatar como a história de Rocky ainda é capaz de gerar ótimas experiências. Essa seminal saga de boxe ganhou uma sobrevida com Rocky Balboa em 2006 e voltou para ficar com Creed em 2015. Fico contente em confirmar que Creed II é uma continuação extremamente competente.

Ainda que as cenas de luta não possuam a técnica apurada empregada por Ryan Coogler no filme anterior, elas conseguem transmitir toda a beleza brutal do esporte e a sua imprevisibilidade. No primeiro embate de Adonis e Viktor Drago fica claro o poder destruidor do boxeador russo. Podemos ter uma boa noção de quão pesada é a mão do filho do lendário Ivan Drago e assim tememos pelo nosso herói. Trazer a família Drago para a trama foi uma escolha mais do que acertada do roteiro, pois a luta ganha um significado ainda maior. Colabora também a louvável tentativa de humanizar os Drago. Se sobrasse um pouco mais de tempo para a dinâmica dos russos ser explorada, talvez o público ficasse indeciso na sua torcida.

A fórmula dos filmes de esporte é seguida quase que à risca em Creed II, mas isso não tira o seu brilho. Quando você vai assistir a Creed II você já espera por algumas coisas como dramas pessoais potencializados, cenas de treinamento intensas, sequências de luta que empolgam e uma trilha sonora que te deixa com vontade de virar um boxeador. A boa notícia é que isso tudo é oferecido com tanto vigor e sentimento que optamos por fazer vistas grossas aos inevitáveis deslizes do filme.

Nota: 9

TOP 10 – Melhores Filmes de 2018

2018 vai ficar marcado como um dos anos mais fracos da década em termos de cinema, mas teve coisa boa aí. Nota-se a ausência de obras-primas.

10 A Melhor Escolha

Os diálogos bem escritos e as atuações inspiradas de Bryan Cranston, Laurence Fishburne e Steve Carell como veteranos da Guerra do Vietnã fazem de A Melhor Escolha um pequeno diamante bruto.

9 Nasce uma Estrela

Além de boas músicas, há espaço para críticas ao mundo do show business.

8 O Sacrifício de um Cervo Sagrado

Um thriller psicológico que abraça o bizarro e nos pede para esperar o inesperado.

7 Viva – A Vida é uma Festa

Elementos da cultura mexicana, a música e o significado de se fazer parte de uma família fazem nossos olhos lacrimejarem.

6 Sem Amor

A frieza brutal e revoltante de dois pais resultam no desaparecimento de uma criança inevitavelmente afetada. Experiência dolorosa, melancólica e impactante.

5 A Taxi Driver

Grata surpresa do cinema coreano, A Taxi Driver mostra que em certos momentos sacrifícios pessoais são necessários para ajudar todo um povo.

 

4 Me Chame Pelo Seu Nome

Toda a sensibilidade de um inesperado amor de verão.

3 Western

Uma tensão palpável escancara as rusgas de dois povos .

2 Três Anúncios Para um Crime

Performances de alto nível em uma história de vingança que nos faz refletir.

1 Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississippi

Uma história sobre o racismo opressor no Mississippi da década de 1940 trabalhada com autenticidade e vigor.

Crítica | Western (2017)

Podem haver conflitos quando um grupo de alemães trabalha em uma região do interior da Bulgária, ainda mais quando alguns destes alemães agem de maneira arrogante. Este não é o caso de Meinhard, um homem de meia idade que procura interagir com o povo local de forma amistosa. A trama se desenrola sem muita pressa, mas a tensão que permeia boa parte das cenas não permite que nosso interesse diminua. O ar de superioridade demonstrado pelos alemães, a dificuldade de comunicação e até a lembrança da Segunda Guerra são elementos que dificultam bastante a relação entre os locais e os de fora. É um mundo complexo, austero e perigoso. De uma hora para outra a hostilidade pode tomar conta. Deve-se respeitar e garantir que você seja respeitado de volta. O título Western não foi á toa. Há muitas características deste seminal gênero do cinema aqui, mesmo com cenários bem diferentes daqueles que nos acostumamos nos filmes americanos. Com um ritmo particular e focando em assuntos delicados, Western demanda um pouco de paciência. Mas não se preocupe. A paciência vai ser bem recompensada com uma das melhores experiências do cinema em 2018.

Nota: 9