Crítica: Tigerland (2000)

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Tigerland – A Caminho da Guerra não figura em listas de melhores do gênero, mas este filme possui algumas qualidades que permitem com que ele não seja totalmente esquecido. Apesar da temática batida, do personagem principal exagerado e dos momentos de pieguice, temos aqui uma bela surpresa. A trama mostra um grupo de soldados americanos que se prepara para entrar na Guerra do Vietnã. Eles não enfrentam apenas um treinamento duro, mas também alguns oficiais que são verdadeiros carrascos, além do medo crescente de ir para o outro lado do mundo e talvez não mais voltar. Roland Bozz (Farrell) é um encrenqueiro que parece viver em um mundo paralelo. Ele não respeita as ordens de seus superiores e não se importa com as punições que recebe. Ele desconhece o conceito de hierarquia, aparentemente. Tive alguns problemas em aceitar um personagem com essas atitudes um tanto inverossímeis, mas o fato é que Farrell demonstra tanta energia e força que ficamos fascinados pela rebeldia dele. O título se refere a um local que simula quase todas as condições que os soldados enfrentarão do Vietnã. Trata-se da última parada antes do caos. Joel Schumacher merece créditos por realizar um trabalho competente. Ele acertou em cheio ao utilizar a câmera tremida, fotografia granulada e atores poucos conhecidos, fazendo com que o estilo se aproxime do documentário. Não é um filme essencial, mas os admiradores do gênero não vão se arrepender de conferir.

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Resenha de filme: Trens Estreitamente Vigiados (1966)

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Dirigido por Jiri Menzel, Trens Estreitamente Vigiados é um dos ótimos exemplares da nouvelle vague tcheca. Aparentando simplicidade e desenvolvido com maestria, o filme mostra as agruras da adolescência em plena Segunda Guerra Mundial. A estação tcheca ocupada pelos nazistas é o pano de fundo da história do jovem que sofre de ejaculação precoce e que tenta encontrar uma saída para essa situação. O roteiro nos oferece cenas de um humor inteligente e de sensualidade. Impossível não destacar o beijo interrompido pela partida do trem e um fetiche envolvendo carimbos nas partes íntimas. Isso mesmo. Para complementar, temos um final forte e inesperado. Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1967, Trens Estreitamente Vigiados é daquelas pequenas jóias do cinema que são pouco vistas pelo púbico.

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Resenha de Filme: Nascido Para Matar (1987)

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É fácil observar que Nascido Para Matar é dividido em duas partes. Na primeira, o ator R. Lee Ermey oferece uma metralhadora de xingamentos e humor negro ao discursar para os futuros fuzileiros navais. O sargento Hartman deve prepará-los para a guerra, algo que faz com muita intensidade. As cenas do treinamento passam voando. É digno de pena ver o soldado Pyle sofrendo nas mãos do sargento e dos outros soldados. Na segunda parte, o cenário é a guerra do Vietnã propriamente dita. Assim como no início, acompanhamos o soldado Joker (Matthew Modine). O personagem se torna um mistério tanto para os outros soldados, como para o público. Ele utiliza um símbolo da paz, ao mesmo tempo em que pinta no capacete a frase: Nascido Para Matar. Ele explica para um oficial que isso se deve a dualidade do homem, mas nunca o compreendemos realmente. Ao contrário do que muitos pensam, não considero este um filme anti-belicista. Kubrick simplesmente mostra a guerra como ela é. Claro, o final extremamente forte é um sinal de como a guerra é ruim. Pucos filmes de guerra alcançaram o estado da arte em termos estético. Este é um deles. Cada frame nos oferece uma fotografia das mais belas. Não é para menos quando se trata de Kubrick.

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Resenha de filme: Andrei Rublev (1966)

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Talvez este seja o filme mais ambicioso de Andrei Tarkovsky, diretor russo dono de uma carreira grandiosa.Temos aqui a visão de Tarkovsky sobre a vida de Andrei Rublev, um pintor de ícones religiosos que viveu no fim da idade média. Trata-se de um verdadeiro épico mediavel com 3 horas e meia de duração, dividido em 8 capítulos. Cada capítulo mostra situações e acontecimentos que influenciaram Rublev e que também são retratos da História da Russia. Por ser longo, é natural que a experiência fique um pouco arrastada em alguns momentos, mas as imagens diante de nossos olhos são tão belas que ficamos quase que hipnotizados e pedindo por mais. O preto e branco reforça ainda mais essa beleza única.

Resenha de filme: A Doce Vida (1960)

La Dolce Vita

Confesso que não sou o maior fã de La Dolce Vita, uma das grandes obras do cineasta italiano Federico Fellini, mas consigo reconhecer suas qualidades. É engraçado. Esta é a terceira vez que assisto ao filme e a cada assistida eu acabo gostando um pouco mais do que vejo. Ainda não o suficiente para considerá-lo uma obra-prima, ressalto.

Em sua duração de quase três horas, o filme é uma junção de grandes sequências entrelaçadas, tendo como personagem principal o colunista social Marcello Rubini. A maior parte destas sequências aborda os temas da alienação, decadência moral, manipulação religiosa, sensacionalismo, entre outros. As mais marcantes para mim, e que realmente considero momentos acima da média, são as cenas em que Marcello passa com o pai e este lendário momento na Fontana de Trevi, ilustrado na foto do post.

A trilha sonora de Nino Rota desempenha um papel muito importante, inclusive com a capacidade de nos deixar um tanto hipnotizados admirando o que vemos. Apesar de considerar La Dolce Vita um pouco cansativo, me encanto profundamente com o estilo e a técnica de Fellini, um diretor capaz de criar cenas repletas de um requinte estético difícil de ser alcançado. É uma pena que não consigo me envolver realmente com os personagens e as situações, com algumas exceções.

Será que ainda me falta bagagem cinéfila para apreciar La Dolce Vita em sua plenitude? O tempo dirá. Certamente será revisto em alguns anos.

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Crítica: Ratos do Deserto (1953)

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Ratos do Deserto é um competente filme de guerra que nos apresenta a uma importante batalha da Segunda Guerra Mundial, o cerco a Tobruk, no norte da África. Em 1941 o marechal-de-campo Rommel comanda uma forte ofensiva contra a região, que foi defendida por soldados australianos pouco experientes. A fotografia em preto e branco, as atuações, as estratégias de batalha e as imagens de arquivo nos fazem pensar que estamos diante de um documentário, o que torna a experiência bem realista. As batalhas não são grandiosas, mas são razoavelmente empolgantes. Apesar do roteiro investir em uma subtrama com dois personagens, não fui capaz de me conectar com nenhum deles. Não recomendaria Ratos do Deserto para qualquer um. Para apreciar suas qualidades é necessário gostar do gênero e se interessar pela História do cinema.

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Resenha de Filme: A Estrada 47 (2013)

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Apesar de ser fã do cinema nacional e saber do seu potencial, não esperava que nossos cineastas fossem capazes de produzir um filme de guerra tão brilhante tecnicamente. Com uma linda fotografia que explora as belas e geladas paisagens da Itália, a trama retrata, de maneira cadenciada, um feito heroico de um grupo de pracinhas brasileiros durante a Segunda Guerra Mundial. Após uma demonstração do despreparo psicológico de um batalhão, um grupo de soldados tenta executar o perigoso trabalho de limpar uma estrada repleta de minas, o que permitiria a entrada do exército americano na cidade. Não espere por muitas cenas de ação e combate. A Estrada 47 mostra que tiros e explosões nem sempre decidem os rumos das batalhas. Com uma narração em off repleta de sinceras reflexões, o filme transmite bem o medo de estar no meio de um conflito desse porte. As melhores sequências, mesmo sendo levemente clichês, são aquelas que destacam a aproximação de um carismático soldado brasileiro com um alemão capturado. O roteiro também merece aplausos por tratar nossos soldados de maneira honrada e sem cair no erro de glorificá-los. As referências ao samba e ao futebol poderiam ter ficado de fora, mas estão longe de atrapalhar essa ótima e surpreendente experiência.

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