Crítica: Anjo do Mal (1953)

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O Anjo do Mal é um thriller de muita qualidade dirigido por Samuel Fuller. A história se passa na Nova Iorque dos anos 1950 e reflete a paranoia da época em relação ao comunismo e aos ‘vermelhos’. A trama mostra um batedor de carteiras que, sem querer, rouba um importante código que seria levado para um comunista. Com um interessante jogo de luz e sombras, ritmo ágil, reviravoltas, perseguições, personagens marcantes e uma certa imprevisibilidade, trata-se de uma obra que merece ser vista. Não chega a ser um clássico, mas deve ser lembrado por ser um dos melhores filmes de um relevante diretor e pela impecável atuação de Thelma Ritter.
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Melhores Westerns: Pistoleiro Sem Destino (The Hired Hand, 1971)

the-hired-hand-1971Pistoleiro Sem Destino é um western bem diferente daqueles que estamos acostumados a assistir. Vários elementos comuns ao gênero não aparecem aqui ou aparecem em momentos bem específicos. Apesar disso, trata-se de uma experiência encantadora. Estreando na direção, Peter Fonda adiciona sensibilidade, uma agradável melancolia e recursos estilísticos um tanto ousados para filmes de faroeste. Somos brindados com várias sequências em que a fotografia e a trilha sonora se destacam e dão a ideia de que o velho oeste nem sempre era um amálgama de caos e desespero. Claro, a trama investe um pouco em ação e nas convenções do gênero quando mostra um conflito e um desejo de vingança, mas Pistoleiro sem Destino deve ser lembrado por enaltecer a camaradagem dos dois personagens principais, a coragem de uma mulher e por suas imagens de rara beleza. [9]

Crítica: Juventude Transviada (Rebel Without a Cause, 1955)

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A presença da lenda James Dean já faz de Juventude Transviada um filme que merece ser visto, mas devo dizer que a obra como um todo me desagradou bastante. O objetivo do filme é claro e interessante: mostrar jovens problemáticos com imensas dificuldades de conviver entre eles e com os pais. Temos aqui exemplos de bullying, de pais passivos e absurdas demonstrações de coragem para manter a honra intacta. Para analisar Juventude Transviada devemos levar em conta a época e o contexto em que foi produzido, mas mesmo assim a sensação é de que estamos diante de sequências exageradas, arrastadas e pouco realistas. Fiquei ainda mais decepcionado com o filme por se tratar do diretor Nicholas Ray, que produziu o excelente Johnny Guitar. Se não fosse por James Dean eu apostaria que Juventude Transviada cairia em total esquecimento.
[6.5]

Melhores Westerns: A Proposta (2005)

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Foi com muita curiosidade e boas expectativas que iniciei a sessão de A Proposta, um Western cuja história se passa na Austrália dos anos 1880.

As coisas começam de uma maneira inquietante. Uma música cantarolada por uma criança, fotos em preto e branco mostrando um crime chocante ocorrido há pouco, até que o filme realmente começa e nos coloca no meio de um tiroteio. Os irmãos Mikey e Charlie Burns tentam se defender do policial Stanley, sem sucesso. Os dois são capturados.

Stanley tem uma proposta para Charlie: matar o outro (e mais perigoso) irmão e assim conseguir salvar a si próprio e Mikey, que em 9 dias será enforcado.

Charlie inicia uma jornada solitária pelo imenso e opressivo outback australiano, com tempo suficiente para refletir sobre que atitude tomar quando encontrar Arthur, mas sem se descuidar dos inúmeros perigos a sua volta.

Um dos pontos fortes de A Proposta é o fato de seus personagens principais apresentarem personalidades complexas. O capitão Stanley procura ser justo da melhor maneira possível, o que pode acarretar em consequências negativas em uma terra em que a lei quase não tem voz. Uma terra podre. Tão podre que podemos ver e ouvir moscas por todos os lados.

A violência aqui é brutal, crua e realmente perturbadora. Algumas cenas podem causar um certo desconforto.

Com um ritmo contemplativo e com espaço para doses de lirismo, trata-se de uma experiência forte, mas levemente irregular. Pode ser considerado um dos grandes faroestes dos tempos modernos, apesar de estar distante em qualidade de obras como Os Imperdoáveis ou o seriado Deadwood.
[8.5]

Crítica: O Selvagem (The Wild One, 1953)

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O Selvagem é um daqueles casos de um filme que marcou época, mas que não envelheceu muito bem. Marlon Brando interpreta o líder de uma gangue de motoqueiros que invade uma cidade e arruma um pouco de confusão. Se formos comparar com as atrocidades cometidas hoje em dia, o que esses jovens faziam não era nada demais. Um pouco de álcool, muito barulho, troca de socos, tentativas de abordar mulheres locais, dar zerinhos com as motos e assim por diante. Não consigo ver uma história relevante aqui. O filme serviu mesmo para impulsionar a carreira de Marlon Brando e também a venda de jaquetas de couro, pelo jeito. A ideia era mostrar que a juventude estava ficando um tanto delinquente, um tanto rebelde sem ter uma causa específica. A teatralidade de algumas atuações e a falta de uma trama mais elaborada tornam a experiência pouco interessante. As lições de moral também incomodam um pouco. De qualquer forma, a duração é bem curta, não há tempo para nos entediarmos. E vale a pena também para vermos um grande ator em início de carreira.
[6.5]

Crítica: Relatos Selvagens (2014)

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Estava pensando em que nota dar para ‘Relatos Selvagens‘, filme argentino indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e cheguei a conclusão de que se trata de um trabalho merecedor de um 10. Os motivos para esta nota máxima são vários. Durante duas horas vivi uma experiência cinematográfica incrível, envolvente, extremamente empolgante, visceral e recheada de um humor negro e inteligente. É daqueles raros casos em que você nem percebe o tempo passando e torce para durar um pouquinho mais.

O filme é uma antologia. São 6 pequenas histórias independentes que possuem um mesmo objetivo: mostrar a que ponto o ser humano pode chegar quando a raiva toma conta e o desejo de vingança é maior do que tudo.

Acho desnecessário exemplificar cada uma delas, basta dizer que algumas histórias são ótimas e outras são absolutamente extraordinárias. Se for para escolher uma preferida, acredito que seja a do casamento apocalíptico cuja foto ilustra o post.

Temos aqui situações rotineiras que são levadas até as últimas consequências. Exageradas, sim. Impossíveis? Nos dia de hoje, parece-me que não. Prepare-se para uma enxurrada de emoções e para rir em momentos inesperados.

Apesar do cinema brasileiro viver um ótimo momento, ele fica um tanto empalidecido quando o comparamos com obras como ‘O Segredo dos Seus Olhos‘ e este maravilhoso ‘Relatos Selvagens‘. Viva o cinema argentino!

Crítica: Ben-Hur (1959)

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Quando penso em épicos do cinema, Ben-Hur é um dos primeiros nomes que me vem à cabeça. Tudo aqui é superlativo. São centenas de sets de filmagem, 8 mil figurantes, mais de 3 horas e meia de duração e 11 estatuetas no Oscar. Assistir a Ben-Hur é pura nostalgia, afinal filmes desse tipo não são mais feitos hoje em dia. É claro que ele tem seus problemas, como atuações teatrais demais e cenas que se alongam de maneira desnecessária. Nada que atrapalhe muito. A história se passa na época de Jesus. Acompanhamos o judeu Ben-Hur ser traído por um amigo romano. Ele se torna um escravo, vai para as galés e fará de tudo para ter sua vingança. A história é bem simples, mas consegue empolgar bastante. Particularmente, considero como destaque a corrida das bigas e as sequências em que Ben-Hur se encontra com Jesus. Este é um marco do cinema, inegavelmente.
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