A Trilha Sonora de Boyhood

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Boyhood foi uma das experiências mais originais proporcionadas pelo cinema nos últimos tempos. Suas qualidades são inúmeras e uma que me chamou muito a atenção foi a trilha sonora. As músicas foram selecionadas a dedo, nos ajudando a nos localizar no tempo e ainda trazendo um agradável ar de nostalgia em alguns momentos. Listo aqui as minhas preferidas:

Crítica: Sniper Americano (2014)

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Não consigo entender a birra que alguns tem com Sniper Americano. Muitos criticam uma suposta glorificação dos Estados Unidos e dos soldados em meio a guerra do Iraque, algo que não consegui enxergar aqui. Clint Eastwood apenas relatar os quatro turnos de um soldado e sua dificuldade em se reinserir na sociedade. Além disso, em vários momentos o filme faz críticas a guerra e ao papel desempenhado pelos Estados Unidos. Esse patrulhamento e o ódio contra os americanos é muito exagerado. Que tal analisar o filme pelo o que ele é? Dica: não se trata de uma aula de geopolítica.

O fato é que estamos diante de um filme mediano. Praticamente todos os temas apresentados aqui já foram abordados com qualidade superior anteriormente, como exemplo podemos citar Guerra ao Terror e até mesmo Nascido em 4 de Julho.

O que faz de Sniper Americano merecedor de certo reconhecimento é a intensa atuação de Bradley Cooper, uma cena envolvendo o personagem dele e uma criança e a sequência de batalha no final. Eastwood entrega um filme de guerra competente, mas que não possui a menor chance de entrar no rol de melhores do gênero. Poderia facilmente ter cedido o seu lugar entre os indicados ao Oscar para O Abutre ou Garota Exemplar.
[7.5]

Crítica: A Trilogia Apu (1955-1959)

a-trilogia-apu Desde quando decidi me aprofundar no mundo do cinema e ler o maior número possível de material sobre os aspectos que o envolvem, com bastante frequência me deparo com textos exaltando a qualidade e a importância do cineasta indiano Satyajit Ray e sua trilogia Apu. Com grandes expectativas fui assistir aos filmes A Canção da Estrada, O Invencível e O Mundo de Apu e fui brindado com uma experiência das mais recompensadoras. Agora compreendo todos esses elogios que o diretor recebe.

Bebendo na fonte do neorrealismo italiano, Satyajit Ray nos apresenta a história do garoto Apu e de sua família, habitantes de uma cidade rural da Índia, onde falta muita coisa, menos esperança de dias melhores. A trilogia é sobre o garoto Apu e o seu amadurecimento, mas os membros de sua família também são desenvolvidos a contento, tanto que nos importamos profundamente com cada falecimento que ocorre. E não são poucos.

Os filmes oferecem cenas de pura poesia e mesmo assim não deixam de ser realistas. Tudo parece muito honesto e natural. Chegar a ser impossível não criarmos uma forte empatia com o garoto Apu, que desde cedo dá mostras de ser um rapaz curioso, com uma imensa vontade de conhecer o mundo e de aprender.

São três filmes que mostram a evolução de Apu, tanto física quanto mentalmente. A trilogia tem suas doses de tragédia, mas a beleza da vida e e das relações humanas são realçadas de maneira inequívoca.
[9]

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Crítica: Selma (2014)

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A temporada 2014 do cinema norte-americano ficou marcada pelo grande número de biografias e Selma pode ser considerada a mais importante delas.

O filme, dirigido pela talentosa Ava DuVernay, mostra a luta pacífica de Martin Luther King Jr. pelos direitos civis dos negros, que pela lei estavam aptos para votar, mas eram confrontados com uma enorme burocracia quando tentavam se registrar. Uma enorme burocracia e revoltantes atos racistas.

Selma possui um bem-vindo equilíbrio entre sequências épicas das marchas e momentos mais intimistas de King e sua família. Conseguimos ter uma noção da violência e brutalidade imposta pela “lei” do estado sulista do Alabama, cujos policiais não hesitavam em espancar idosos e mulheres por estes terem uma cor de pele diferente das suas, ao mesmo tempo em que o personagem histórico de Martin Luther King é humanizado ao demonstrar apreensão, medos e falhas.

Impossível não exaltar a magnética atuação de David Oyelowo, injustamente esquecido pelo Oscar. O ator estudou com muita dedicação os trejeitos e a oratória de King, resultando em um trabalho dos mais marcantes.

São poucas as falhas presentes em Selma. Podemos citar a queda do ritmo em alguns momentos ou até mesmo a atuação de Tom Wilkinson, que para a maioria dos críticos americanos não conseguiu representar a personalidade desafiadora do presidente Lyndon Johnson.

De qualquer forma, temos aqui um belo filme, que deveria fazer parte das aulas de História de agora em diante. Em um mundo ainda repleto de preconceito, é essencial que personalidades como Martin Luther King permaneçam em evidência.
[8.5]

Crítica: O Jogo da Imitação (2014)

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Durante a Segunda Guerra Mundial os alemães se comunicavam através de um código chamado “enigma”, que era considerado impossível de ser decifrado. Após sofrerem muitas perdas materiais e humanas, os ingleses decidiram formar um grupo para tentar quebrar o tal o código e, assim, mudar os rumos do conflito.

O Jogo da Imitação tem como personagem principal Alan Turing, notável matemático e considerado o pai da computação. O filme mostra três momentos diferentes da vida dele: a adolescência – quando começava a descobrir suas inclinações sexuais -, o período da guerra e a luta para decifrar “enigma” e alguns anos depois, quando Turing foi acusado de indecência pela lei inglesa, por ser homossexual.

Cada período possui sua particularidade e os três funcionam muito bem em termos dramáticos, mas o destaque fica mesmo para o período da guerra e a missão quase impossível que coube ao grupo liderado por Turing. 

Alan Turing tinha uma personalidade um tanto peculiar e Benedict Cumberbatch foi muito feliz na composição do personagem. Turing era um gênio que não sabia interagir normalmente com o mundo à sua volta, algo que garante algumas boas cena de humor e outras em que o lado emotivo toma conta.

Temos aqui um filme dinâmico e sempre interessante e que cumpre o papel de deixar devidamente registrada a importância de Turing, não só para a vitória aliada na guerra, mas também para o mundo informatizado em que vivemos hoje.
[8]

Crítica: La Cueva (2014)

la-cueva-2014 O gênero found footage pode já estar um tanto saturado, mas ocasionalmente ele nos brinda com filmes de boa qualidade, como [REC], Poder Sem Limites, Cloverfield e agora este espanhol La Cueva (A Caverna). A história não poderia ser mais simples: cinco jovens de férias buscam por aventuras regadas a álcool na natureza. Em um passeio, decidem explorar uma imensa caverna. Não demora muito e eles descobrem que estão perdidos e o medo começa a tomar conta de todos. Será que acharão o caminho de volta?

La Cueva cumpre muito bem o papel de nos entreter com doses cavalares de suspense e tensão. Quando percebemos que os jovens estão perdidos, passamos a nos imaginar naquela situação e experimentamos uma dose de claustrofobia. Tudo é muito escuro, apertado, hostil e encontrar a saída parece quase uma missão impossível. O tom realista do found footage funciona muito bem neste caso. Não existem monstros ou qualquer outra coisa sobrenatural. Os personagens são tomados pela sensação desesperadora de que esse talvez seja o último lugar que visitem, afinal a água está acabando, assim como a força física e psicológica de cada um.

Além de nos colocar em uma situação aterrorizante, La Cueva não hesita em mostrar o quão selvagem o ser humano pode ficar ao enfrentar uma situação extrema. Várias sequências dependiam da qualidade dos atores e eles corresponderam. O filme ainda se beneficia por não nos permitir adivinhar o desfecho. Grata surpresa! [7.5]

Crítica: A Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) [2014]

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Birdman era um dos filmes mais esperados por este cinéfilo de plantão e devo dizer que as minhas expectativas foram quase completamente correspondidas. Indicado a 9 Oscars, o mais recente trabalho de Alejandro Gonazáles Iñárritu merece todo o reconhecimento e admiração que vem recebendo. O filme é grandioso em termos técnicos, tematicamente ambicioso e ainda conta com atuações muito inspiradas.

Michael Keaton é Riggan Thomson, um ator que fez muito sucesso ao interpretar o herói Birdman há 20 anos e hoje tenta reconquistar o seu lugar ao sol adaptando, dirigindo e estrelando uma peça na Broadway.

Com o desejo de provar a todos que ele ainda é relevante, Riggan não vai medir esforços para fazer com que a peça seja um sucesso. O problema é que o dia da estreia se aproxima e a cada instante uma nova dificuldade surge. Problemas, problemas e mais problemas!

Iñárritu utiliza longas tomadas e a edição quer nos passar a ideia de que tudo foi feito em um longo plano-sequência. Essa escolha faz de Birdman uma experiência cuja intensidade não para de crescer. Temos a sensação de que estamos de fato vivendo essa história junto com os personagens. A conexão é total. O que muito colabora para isso, também, são as atuações que beiram a perfeição. Michael Keaton está incrível e Edward Norton não fica muito atrás.

Além da técnica apurada, Birdman se destaca por criticar o mundo do cinema e das artes em geral, algo que é feito de diversas maneiras: jornalistas que não se aprofundam em uma entrevista, críticos que querem destruir um trabalho por birras pessoais, desvalorização da arte e assim por diante.

Este é um filme praticamente completo, que funciona como drama existencial e até como comédia. Diversas sequências nos oferecem boas doses de um humor eficiente e às vezes até surpreendente.

O final ambíguo permite algumas interpretações interessantes, mas considero que um desfecho mais claro poderia ser muito benéfico. De qualquer forma, um dos grandes do ano!
[9.0]