A Onda

Título original: Die Welle
Ano: 2008
Diretor: Dennis Gansel

O trailer de A Onda chamou minha atenção, mas não ao ponto de me empolgar de verdade. Isso começou a mudar quando ótimos comentários sobre o trabalho de Dennis Gansel pipocaram pelos blogs e sites especializados.

Estava na locadora em busca de um filme estrangeiro quando me deparei com “A Onda”. Não pensei duas vezes e peguei o DVD.

Não me arrependi nem um pouco. Já vou adiantando que trata-se de um filme que mexe com o público e que dificilmente deixa alguém passivo na frente da TV, o que geralmente é um sinal qualidade.

O filme começa com Rainer Wenger dirigindo seu carro pelas ruas da Alemanha atual e ouvindo rock no último volume. O cara parece tudo, menos um professor de História. É até engraçado ver Rainer com seu estilo desleixado no meio de professores de terno e gravata. Só por essa apresentação do personagem já podemos ter uma ideia da sua essência.

Ele é escalado para dar um curso de autocracia no colégio onde leciona. Ele não está nada empolgado com isso, pois queria mesmo era dar aulas sobre Anarquia. Algo mais apropriado ao seu estilo, eu diria.

Ocorre que ele resolve explicar o assunto de uma maneira nada convencional. Uma discussão a respeito de ditadura e nazismo entre os alunos inspira o professor a dar uma verdadeira aula prática do assunto.

Neste momentos já estamos conectados com o filme e aguardamos o desenrolar dos acontecimentos com ansiedade. Aos poucos aquele bando de alunos nada aplicados vai se transformando em algo bem diferente. Rainer, por sabe-se lá qual motivo, vai botando ideias autocráticas em ação.

Ele próprio vai representar o ditador e vai mandar nos alunos. Eles terão que obedecer ou serão convidados a se retirar do curso.

Eles precisam de um uniforme, afinal, necessitam ser reconhecidos por eles próprios e temidos pelos outros. A cor branca é escolhida.

Eles precisam de um nome, pois precisam ser chamados de alguma coisa. Está formada A ONDA.

O que seria de uma marca sem um logo, certo? Um logo é criado e espalhado pelos quatro cantos da cidade para demarcar o território.

Este curso tem duração de uma semana e em alguns dias todos já estão diferentes. Eles sentem que fazem parte de uma família, se sentem seguros uns com os outros e vêem na figura do professor um verdadeiro líder.

Mas isso tudo é saudável? As pessoas quando estão em grupos tem a tendência de fazer coisas que jamais fariam quando sozinhas.

Todo esse ar pseudo-nazista-experimental do filme é a sua grande qualidade. Eu fiquei preocupado com os rumos que esse grupo iria tomar. Qual era o objetivo real desses garotos? Nenhum, será? Apenas sentir que faziam parte de uma família? Que era uma unidade?

O mais difícil é compreender as motivações do professor para iniciar um movimento desses. Não sabemos ao certo se ele queria apenas ensinar os alunos de uma maneira diferente ou se havia uma sede de ditadura em seu sangue.

O filme me agradou em sua maior parte. A ideia foi genial e possibilita muitas e muitas discussões.

Existem problemas, mas nada que atrapalhe o filme como um todo. Me incomodou a passagem de tempo, que parece um tanto artificial. É meio difícil aceitar que tudo ocorre em apenas uma semana. Além disso, não tem como não dizer que o final é forçado. De qualquer forma,  ele é essencial para que o filme cause um impacto ainda maior e deixe impressões positivas. Um verdadeiro paradoxo, assim como esse professor Rainer.

Nota: 8

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8 comentários sobre “A Onda

  1. Gostei do filme também, mas não tanto quanto você. Em algumas cenas, achei ele muito exagerado e didático demais. Mas, em suma, como você apontou, é interessante o suficiente para levantar várias discussões sobre alienação e vários outros temas que podem ser discutidos a partir do filme.

    abs!

  2. “O mais difícil é compreender as motivações do professor para iniciar um movimento desses. Não sabemos ao certo se ele queria apenas ensinar os alunos de uma maneira diferente ou se havia uma sede de ditadura em seu sangue.”

    Pois é, nessa versão alemão a intenção do professor fica confusa, na versão americana tudo fica mais claro e o professor tem o controle real da situação, como demonstra no final. Na verdade, essa é uma história real, que aconteceu em um colégio Americano em uma aula de história. O filme americano foi feito em 81, para televisão, tem no youtube.

    Falei sobre ele há um tempo lá no CinePipocaCult:
    http://www.cinepipocacult.com.br/2009/09/onda.html

  3. Aluguei essa semana, volto aqui para falar a respeito, mas o que vale no filme é exatamente esse movimento de influência na figura de um líder e como esse tipo de influência mobiliza os pensamentos alemães. bjs

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