Crítica: Cisne Negro (2010)


Quando você for assistir a Cisne Negro prepare-se! Não é um filme comum. É uma viagem perigosa e eletrizante. É daquele tipo de filme que te hipnotiza, que faz o teu coração palpitar, que te assusta, que te enche de adrenalina e te comove até o instante final. O tempo voa, mas você quer permanecer o máximo de tempo possível na frente da tela, mesmo com a aflição que a história causa. O mais incrível é que o diretor Darren Aronofsky transmite essas sensações a partir de um roteiro cujo assunto principal é o ballet.

Para interpretar os papéis principais de Swan Lake é necessário uma atriz que transmita pureza quando está em cena o cisne branco e ousadia, quando é o cisne negro que toma conta do palco. Nina (Portman) é perfeita quando personifica o cisne branco, mas tem dificuldades quando chega o momento do cisne negro. Todo o sacrifício que uma bailarina enfrenta para tentar alcançar a perfeição é mostrado. Nina é consumida pela ideia de ser a atriz principal do ballet e sua transformação é conduzida sem censuras por Darren Aronofsky. Ela não come direito, treina incessantemente e segue alguns conselhos não muito ortodóxos do diretor da peça, Thomas.

Nina não enfrenta apenas mudanças físicas. A peça vira uma obsessão para ela, que ainda tem que enfrentar ciúmes das outras bailarinas e também o controle que a mãe ainda exerce sobre ela. Nina é uma mulher de 28 anos, mas praticamente não tem liberdade. A mãe não permite que ela se tranque no quarto, quarto esse que é bem infantil, cheio de bichos de pelúcia e que abusa da cor rosa. Para interpretar o cisne negro ela deve mudar muitos aspectos. Natalie Portman se entrega ao papel como poucas atrizes conseguiriam. É uma atuação para ser lembrada por muito tempo. Não bastasse a exemplar direção de Aronofsky, a música clássica tocada com mais vigor em momentos importantes deixa tudo mais vibrande e pulsante. Há quem reclame de alguns excessos do diretor e de uma certa visceralidade, mas são fatores essenciais para representar tudo o que se passa com Nina. Perfeição é utopia? Talvez não para Aronofsky e para Natalie Portman.

Título original: Black Swan
Ano: 2010
País: USA
Direção: Darren Aronofsky
Roteiro: Mark Heyman, Andres Heinz
Duração: 108 minutos
Elenco: Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Winona Ryder

/ cisne negro (2010) –
bruno knott,
sempre.

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28 comentários em “Crítica: Cisne Negro (2010)

  1. Para mim, o ballet é mero coadjuvante. A obsessão é que é o grande mote do filme. Mas concordo com a crítica. Black Swan é maravilhoso e beira a perfeição.

    Abraço!

  2. Como ainda não assisti ao filme, estou evitando ler as críticas sobre ele. Mas, tenho boas expectativas em relação à obra. Me parece ter sido bem recebida por todos os cinéfilos.

  3. Ah cara, vi o filme hoje e assim como você fiquei hipnotizado a todo momento! Pra mim, o filme não beira, consegue chegar a perfeição mesmo! Natalie Portman merece ganhar o Oscar de melhor atriz e espero que aconteça. Agora, o que seria realmente bom é ver o filme ganhar de Melhor Filme e Direção,algo que até agora “A Rede social” parece ser a favorita. Uma pena, já que acho “Cisne negro” infinitamente melhor!

    []s

    1. Alan, tb achei Cisne Negro melhor que A Rede Social. Seria muito bom ve-lo levar o prêmio.

      Agora, não tem como tirarem o Oscar da Natalie Portman, apesar de outras boas atuações por aí.

      1. Concordo com vocês, Cisne Negro é melhor que A rede social..Bem que o Oscar poderia surpreender e dar os principais prêmios para Cisne.

  4. Meu queixo está no chão até hoje. Que obra mais bem acabada, não há espaços sem preencher, a atuação de Portman é um LUXO (achei mais que merecido compara-la a Bette Davis, como andaram fazendo). Campanha UM OSCAR PARA ARONOFSKI e pelo menos 3 sequências ABSOLUTAMENTE PERFEITAS ( abertura, cena de Portman e Kunis no quarto, e claro, o desfecho, o que foi aquilo, Meu Deus?????).
    Adorei. Mesmo.

  5. Aronofsky acerta mais uma vez, só que dessa vez ele alcança a perfeição, o filme é uma obra-prima pura, cada cena, cada dança, cada dialogo tudo perfeito. Meu mais novo delírio é ver Cisne Negro ganhar merecidamente o Oscar de Melhor Filme no lugar de A Rede Social.

  6. Estudei ballet durante mais de 10 anos, e posso afirmar que o filme mostrou-se fiel a realidade de bailarinos, tanto pela cobrança extrema de ensaios, técnica e perfeição quando a própria aflição de bailarinas pelos papéis. Entretanto mais do que o ballet, o filme apresentou uma narrativa surpreendente as ”transformações” vividas por Nina estimulam quem estar assistindo a sentir o que a personagem estava vivendo. Posso afirmar com convicção que esse é um filme perfeito.

  7. Certamente este filme fez Freud revirar no túmulo.
    Um delirante e assustador drama psicológico.
    Atuação magistral da Natalie Portman.

  8. Natalie portman está incrível… Ela convence como bailarina doce e virgem e também como a psicótica. O filme pra mim merece o oscar…

  9. “O tempo voa, mas você quer permanecer o máximo de tempo possível na frente da tela”. Realmente foi assim que me senti durante o filme!

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