Crítica: Deixe-me Entrar (2010)


Me assustei quando li que um remake do sueco Deixe Ela Entrar seria feito. Eu pensava que a empreitada serviria apenas para arrecadar uns dólares e, inevitavelmente, estragar algo que já era excelente. Que surpresa! O resultado é quase tão bom quanto o original. Bom saber que um excelente filme sobre vampiros ainda pode ser feito nos Estados Unidos.

Deixe-me Entrar nos apresenta a Owen (Smith-McPhee), um garoto magrelo e sensível, vítima de um forte bullying no colégio. Sem muitos amigos, ele se aproxima de Abby, uma garota que acaba de se mudar para o mesmo prédio em que ele vive. Owen aos poucos percebe que Abby não é uma garota comum. A verdadeira identidade dela é desvendada aos poucos, sem pressa, com algum mistério, suspense e muito sangue. O diretor Matt Reeves impõe ao filme um clima melancólico e perigoso, investindo em uma fotografia escura e cenas fortes, que colaboram para a dramaticidade da história.

É um remake que captura a essência do original, copiando algumas cenas, mas também trabalhando novos aspectos que lhe dão vida própria. Como exemplo, cito a aterrorizante sequência do banheiro. Reeves oferece um suspense digno de alguém que sabe o que faz atrás da câmera. O diretor também soube, de maneira exemplar, apresentar muitas características que fazem parte da mitologia do vampiro. Prato cheio para quem gosta do tema. Claro que Chloe Moretz e Kodi Smith-McPhee também foram muito importantes para que o filme funcionasse, principalmente Moretz, que só com o olhar consegue revelar toda a tristeza e experiência de Abby. Até agora você só leu elogios, certo? A única falha que posso encontrar é o fato de Deixe-me Entrar não ter um ar poético tão eficiente como tem o filme sueco. A diferença pode ser vista na cena da piscina. Enquanto no americano ela é competente e merecedora de elogios, no sueco ela é uma mistura de violência e arte raramente vista no cinema. Mas aí era pedir demais…

Título original: Let Me In
Ano: 2010
País: USA
Direção: Matt Reeves
Roteiro: Matt Reeves
Duração: 116 minutos
Elenco: Chloe Moretz, Kodi Smith-McPhee, Richard Jenkins, Cara Buono, Elias Koteas,

/ deixe-me entrar (2010) –
bruno knott,
sempre

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20 comentários sobre “Crítica: Deixe-me Entrar (2010)

  1. Eu fui ver ontem e gostei muito também. É mais um diretor para eu observar de perto, o Matt Reeves. Já tinha gostado dele em Cloverfield e agora ele faz um remake como deve ser feito. Por que os filmes sobre o universo vampírico não podem ser assim? Têm necessidade fazer porcarias como Crepúsculo e a série Vampire Diaries?

    1. E bota porcaria…

      Verdade, Matt Reeves foi ótimo em Cloverfield, provavelmente é o melhor filme-documentário desde A Bruxa de Blair! Tb vou observa-lo mais atentamente.

  2. Bruno, eu perdi o Deixe Ela Entrar! Vamos ver se existe nas locadoras do meu bairro, enquanto espero o “Deixe-me Entrar”. A Kamila me deixou preocupada…

  3. Gostei do filme, mas longe de considerá-lo 5 estrelas. “Deixe-me Entrar” pra mim é o que a obra sueca seria sem citações a homossexualidade, pedofilia ou qualquer termo que Tomas Alfredson engenhosamente tenha aberto portas para abstrairmos em Deixa Ela Entrar.

    Creio que Matt Reeves opta por fazer uma narrativa mais voltada a sobrevivência de Abby e é a partir dessa batalha que geram alguns momentos tensos e o que liga os personagens principais um ao outro. Mas, ha uma certa dificuldade em sentirmos envolvidos pelo relacionamento dos dois e com isso, acarreta alguns diálogos frouxos, sem impacto e até mesmo um pouco enjoativos para o espectador.

    Remakes por remakes, Deixe-me Entrar não nos envergonha e nem ofende o longa sueco, justamente por deixar clara a proposta de partir para outros princípios e não se atrever a ir onde somente a obra principal teve a capacidade de ir. O respeito em deixar o que a obra de Tomas Alfredson tem de único é a sua principal qualidade, mesmo que seja única por inteira.

    O filme só comprova o quanto a obra original é insuperável.

    1. Cara, seu comentário é ótimo e eu concordo bastante com ele. O remake, como você percebeu, teve um grande impacto em mim. O relacionamento entre os dois me pareceu bem trabalhando, quer dizer, eu sentia a vontade do garoto em fazer um amigo que fosse e a cena em que Abby fala para ele enfrentar os valentões do colégio é incrível.

      Realmente, o original é um filme muito mais corajoso e artístico, mas as qualidades do remake não podem ser esquecidas. Não sei se 5 estrelas é um exagero da minha parte, mas foi o sentimento que tive no fim da sessão!

      Abraços e agradeço o comentário.

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