Crítica: O Vencedor (2010)


Micky Ward (Wahlberg) encontrava dificuldades dentro do ringue e fora dele, isso graças a mãe-empresária (Melissa Leo) e ao irmão ex-boxeador e usuário de crack, que se tornou uma lenda local após derrotar Sugar Ray Leonard. A passividade de Micky o fazia aceitar lutas arranjadas pela mãe e pelo irmão, algo que não acabava sendo um bom negócio, já que uma vez foi colocado para lutar contra um cara 10 kg mais pesado e apanhou como um condenado. Após conhecer Charlene (Amy Adams) ele experimenta tomar diferentes rumos para a carreira, almejando ser grande, almejando títulos. Claro que ele fará uma visita ao fundo do poço, resta saber se terá motivação e empenho suficientes para dar a volta por cima.

O filme agrada graças ao quarteto Wahlberg, Mellisa Leo, Christian Bale e Amy Adams. Bale deve, merecidamente, faturar o Oscar de ator coadjuvante. O ator perdeu cerca de 30 quilos para o papel e com maestria demonstra o jeito brincalhão, nostálgico e desesperado do personagem.

O que não merece tanto destaque é a direção de David O. Russell. É um trabalho que sofre pela falta de ousadia e criativade. Admito que é uma direção segura e que a escolha de filmar as cenas de boxe com um estilo de televisão dos anos 90 é acertada, mas o filme simplesmente não empolga e ainda se mostra irregular na tentativa de fazer humor. A cena em que Micky e Charlene assistem a um filme de arte e reclamam da legenda é ótima, mas a sequência suspostamente engraçada das filhas de Alice marchando rumo a casa de Charlene causa estranheza.

Queria gostar mais do que vi, afinal uma história de superação é sempre bacana, ainda mais com tantos bons atores nela. Infelizmente, O Vencedor não é inspirador como Rocky e nem comove como Menina de Ouro. No desfecho, quando poderia nos conquistar, o diretor entrega uma resolução extremamente apressada e sem sal. Algo que era para ter ares de triunfo e conquista acaba ficando insosso. Uma pena.
IMDb

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20 comentários em “Crítica: O Vencedor (2010)

  1. Bruno, simplesmente concordo com tudo o que disse a respeito de “O Vencedor”. Queria gostar mais de um filme que tinha uma história interessante recheada com um elenco impecável, mas a minha maior reclamação é referente ao roteiro lugar-comum e convencional. O. Russell faz o possível para contornar os clichés da trama, mas acaba virando cúmplice da superficialidade e dos aspectos formulaicos do filme.

    Achei bom, só isso. O grande show aqui é do elenco, com destaques para Bale e Leo.

    crítica em breve no blog 😉

    abs!

  2. Ainda não vi, verei no cinema. Mas, as muitas indicações desse filme só provam que a academia realmente gosta do tema, sem muita expectativa parece ser um filme igual a tantos outros.

  3. Não sou fã de filmes de luta… tanto que não gostei de Menina de Ouro!! Esse ainda não assisti, mas pelo jeito vai ser a mesma coisa!! Vou assistir pelo elenco, que deve estar maravilhoso!!

  4. Honestamente, esse filme não ganhou o que mais deveria no SAG, melhor elenco. Porque tirando as atuações – mesmo eu não sendo grande fã de todos os atores, o resultado para mim foi surpreendente – nada mais tem a acrescentar.
    Devo acrescentar que não entendi a indicação à Melhor Filme ao Oscar para The Fighter. Mas esse ano foi também muito fraco – grande novidade, mas o que esperar de americanos premiando alguma coisa? Dos 10 indicados – vi todos – eu tiraria uns 5 facilmente.
    O melhor filme de 2010 é Britânico.

    🙂

  5. Eu semprei fui meio desconfiado com Mark Wahlberg, considero pretencioso demais para o pouco carisma que tem. Mas, confesso que dessa parece-me que ele conseguiu pelo menos em partes agradar a crítica de maneira “geral”. Ainda não vi pretendo sim conferir o quanto antes..

    ^^

  6. JuniorAd

    Mark fez muitos bons filmes, independente de carisma é um bom ator.
    E não se escreve pretencioso e sim pretensioso, acho que vc é muito pretensioso com seu português extremamente chulo.

  7. Acabou tornando-se um veículo para grandes interpretações. Melissa Leo e Christian Bale impecáveis! Não sou um extremo admirador do David O. Russell, mas aqui ele acertou em cheio. Daria 4 estrelas tranquilo.

  8. Mais um filme de superação, num ambiente que eu nem curto tanto assim – acho Rocky superestimado e o mesmo vale para Menina de Ouro, ainda que concorde que ambos sejam bons. No ringue, sou mais O Lutador, de Aronofski.
    Sobre este, em específico, digo que não me envolveu tanto. As atuações do quarteto, porém, são excelentes. Walbergh está ótimo, e curiosamente foi o menos celebrado entre todos (provavelmente porque a maior de carga dramática está sobre Amy Adams, Melissa Leo e Christian Bale, todos excepcionais). Que fique com estes Oscars mesmo, porque como filme e direção não merece nem um pouco.

    1. É isso ai Weiner… atuações ótimas, roteiro nem tanto.

      Sem dúvida, O Lutador é um grande filme, mas não mencionei ele por não ser de boxe especificamente. Outro recente que eu gosto muito é Redbelt, de jiu jitsu!

      Abraços.

  9. Gente, o Baile TEM que ganhar um Oscar por esse filme. Pra quem tinha na lembrança ele como o mauricinho bruce Waine, quase caí de costa ao vê-lo seco, magérrimo e com aquele olhar vidrado e assustador. Esqueçam o anticlimax do final. O Boxe é apenas pano de fundo, um meio pra apresentar essa família MUITO louca. O que significa aquela mulherada doida não fazendo nada a não ser intriga dentro daquela casa. Imperdível.

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