Crítica: Waiting for Superman (2010)

O documentário faz um painel de como está o sistema educacional público americano. Estatísticas preocupantes são apresentadas, como a que mostra que apenas 12% dos alunos de escolas públicas de Washington são proficientes em matemática. Waiting for Superman dá nome e cara as estatísticas, nos aproximando do assunto.

A narração do diretor Davis Guggenheim é ótima, sem ironias e sem sensacionalismo.

Procura-se entender os motivos que levam a um quadro tão ruim e que gera muito poucos universitários no futuro. Um dos motivos apontados é o despreparo de alguns professores, que são protegidos pelo sindicato da classe. No contrato deles existe algo chamado “estabilidade” que faz a demissão ser quase impossível. Num estado americano, 1 em cada 57 médicos perdem o direito de atender pacientes, 1 em cada 97 advogados perdem o direito de atuar e somente 1 em cada 2.500 professores ficam proibidos de dar aula.

É revoltante ver professores lendo jornais quando deveriam ensinar alguma coisa para os alunos. Pior ainda é escutá-los dizendo: “Vocês aprendendo ou não, eu ganho o mesmo”. E esse é mais um problema das escolas públicas. Não faz diferença se você é um professor bom ou ruim. O salário e os benefícios são os mesmos.

Parecia uma situação sem esperanças até Geoffrey Canada aparecer com sede de mudanças. A chance de crianças menos favorecidas economicamente reside nas escolas charter, que são públicas, mas são administradas de maneira particular. Geoffrey Canada surge com uma fórmula “mágica” de professores competentes, motivados e com melhores salários e uma carga horária de aulas maior. Funciona. O problema é que esse tipo de escola tem poucas vagas. A disputa para fazer parte delas se dá por sorteio, como uma loteria. É muito triste ver o futuro de uma criança depender de um maldito sorteio. O documentário trabalha bem com nossas emoções na sequência final, em que vemos as crianças torcendo para serem contempladas com a chance de um futuro promissor.

Waiting for Superman é informativo, relevante e hipnótico do começo ao fim.
IMDb

/b. knott

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11 comentários sobre “Crítica: Waiting for Superman (2010)

  1. O documentário ainda nem tem nome em português… Fiquei com água na boca! O assunto me lembrou da saga de uma amiga que passou uma temporada nos EUA. O marido foi a trabalho e o casal só escolheu as acomodações depois de se informar sobre as boas escolas públicas. Havia grande discrepância entre o ensino de um bairro rico e de um bairro pobre.

    No Rio de Janeiro, Luciana Landrino, diretora da Escola Municipal João de Deus melhorou o desempenho dos estudantes do ensino fundamental pelo incentivo à leitura. Funciona. A média dos alunos da escola da Penha no IDEB foi 7,8!

  2. A esnobada da academia à esse documentário foi um dos muitos erros desse ano, que ficou sem explicação, o longa vinha levando todos os prêmios e foi ignorado. Vai Entender.

  3. Fiquei interessado! Não sei se você já viu Entre os Muros da Escola. Se não viu, veja! É uma abordagem européia sobre o mesmo universo: o da educação. Vou procurar esse pra baixar. Gosto do tema e acho que a educação anda um tanto esculhambada no mundo.

  4. Esse documentário recebeu pouca atenção por um motivo simples: ele representa o pensamento da direita americana, dos chamados liberais. Acho que esse filme só não foi fortemente atacado pelo fato de Geoffrey Canada ser negro (os negros republicanos, liberais, são praticamente “embranquecidos” nos Eua), o que poderia criar indisposições dos esquerdistas americanos com o movimento. Fica claro que as escolas americanos pioraram muito depois que os sindicatos passaram não a defender os direitos dos trabalhadores e sim a servir aos interesses políticos dos esquerdistas, para a implantação do chamado marxismo cultural. O professor passou a ser visto como pertencente a uma classe e como tal só deveria pensar em seu próprio interesse e a sua ideologia, não mais em qualidade de ensino.

    1. Lucian Gonzales….
      você tá de brincadeira…. a escola pública dos EUA éuma instituição típica do capitalismo onde há a necessidade de um estado enfraquecido para favorecer o sistema privado…. este documentário mostra que algumas tentativas de “melhorar” a educação fracassaram como: aprovação automática e meritocracia. mas olha a conscidência: aqui no Rio, já passamos pelo fracasso da aprovação automática e neste momento estamos nos afundando na meritocracia… será que voce acha que as escolas cariocas e brasileiras são marxistas? inclusive este documentário elogia uma escola que no fundo é PRIVADA (olha o capitalismo) que é a escola daqueles professores… procure saber sobre as escolas públicas de CUBA (analfabetismo e evasão) e depois faça suas comparações sobre setor público no capitalismo e no socialismo…

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