Crítica: Rango (2011)

Rango, a primeira incursão da Industrial Light & Magic na animação, mostra que a empresa de George Lucas veio para ficar e que ainda tem muito a oferecer para este nicho. Dirigido por Gore Verbinski (Piratas do Caribe, O Chamado) e roteirizado por John Logan (O Aviador, O Último Samurai, A Máquina do Tempo), Rango traz um ar de novidade para o mundo da animação, já que não tem medo de investir em situações um tanto pesadas, como piadas envolvendo exames de próstata e “uma mulher com muita atividade social”, e também por mostrar personagens “do bem” morrendo em cena, algo não tão comum em desenhos.

Ele não agrada adultos e crianças na mesma proporção. No cinema em que assisti foi perceptível o desinteresse delas depois de um tempo, além de demonstrarem medo em algumas cenas. Felizmente, para o público adulto, Rango é um deleite. Rango é o nome do personagem principal da história, um camaleão que após um acidente na estrada se vê perdido e desidratado no deserto de Mojave. Ele acaba encontrando uma cidadezinha povoada por diversos bichos da fauna local e que sofre pela falta de água. Graças ao seu bom papo, torna-se o xerife e vai tentar ajudá-los de alguma forma.

O requinte técnico impressiona. Imagens belíssimas e contemplativas que exploram o deserto de maneira invejável, uma trilha sonora de Hans Zimmer que remete a clássicos do Western e cenas de ação criativas, que realmente empolgam, são alguns dos exemplos do ótimo trabalho de toda a equipe por trás deste trabalho.

Os amantes do Western vão vibrar com cada cena, com cada detalhe e com cada referência aos filmes do gênero, desde os Western Spaghetti de Leone até De Volta Para o Futuro III. Não tem como não se sentir no Velho Oeste, afinal, temos duelos, um saloon, personagens que cativam pela feíura, esporas, índios, uma cidade com arquitetura típica e até um espírito do oeste, o que acaba se tornando uma ótima homenagem a Clint Eastwood.

São tantas referências que é impossível identificar todas. Particularmente, tive palpitações quando ouvi a trilha sonora tocando acordes de A Cavalgada das Valquírias e do Danúbio Azul, que sempre nos fazem lembrar de  Apocalypse Now e 2001 – Uma Odisseia no Espaço.

Não posso deixar de comentar o ar nostálgico que tive ao perceber que um dos dubladores é Jose Santa Cruz, o mesmo profissional que deu voz ao Dino de Família Dinossauro. Quero ver a versão original com Johnny Depp, mas a versão brasileira está ótima.

Rango tem tudo o que alguém pode esperar de um bom filme: ótimos personagens, técnica impecável e questões morais bem pernitentes. Sem exageros, é possível elevá-lo ao patamar de filmes como Wall-E e Toy Story e aguardar um bom reconhecimento nas premiações do ano que vem.
IMDb

Anúncios

8 comentários sobre “Crítica: Rango (2011)

  1. Pois é, também adorei o filme, as referências e construção do personagem. E também ainda quero ver a versão com Johnny Depp, apesar de ter curtido a versão brasileira.

  2. Olá, Bruno!

    Saiba que você é o primeiro colega blogueiro de confiança que me deixa entusiasmado com “Rango”, que ainda não conferi. Sim, digo confiável porque não é de hoje que conheço seu blog (que acompanho a tempos via feeds).

    Por conta disso, fico surpresa e contente em receber elogios seus e muito grato pela inclusão no seu blogroll (fiz questão de retribuir a gentileza).

    Mas é isso aí! Vamos indo frente que tem filmes de sobra para comentarmos.

    Grande abraço!

  3. Eu gostei muito de “Rango”, mas acho que esta é uma animação mais feita para os adultos que para as crianças. Acho que eles terão dificuldades em compreender o ritmo acelerado da narrativa desta obra. Sempre tem algo acontecendo…

  4. Uma belezinha esse fime. Além de um roteiro caprichado, cheio de reviravoltas interessantes, o visual do filme é bom demais. Só de pensar que Roger Deakins foi o consultor de fotografia do filme dá pra se ter uma noção disso. Aliás, as referência ao western são uma delícia. Até agora é, depois de O Mágico, a melhor animação do ano.

  5. Apesar de (concordando com a Kamila) também achar Rango uma animação para adultos, pois não sei a garotada miúda entendeu muito do que viu, adorei Rango e é desde já minha animação favorita de 2011 até agora. Melhor coisa que o Johnny Depp fez nos últimos tempos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s