Crítica: Morangos Silvestres (1957)

Quando se trata do diretor Ingmar Bergman, sempre podemos esperar um filme que nos faça refletir sobre o que vemos. Morangos Silvestres, um dos mais famosos trabalhos do diretor, não foge dessa regra.

Com uma narração em off, somos apresentados a Isak Borg (Victor Sjöström). Ele é um médico que chegou a velhice com opiniões sólidas em relação a vida.  Isak escolheu viver de maneira isolada, nunca demonstrando afeto sincero com seus familiares. Sempre foi dono de uma atitude fria, inclusive com a esposa. Apesar disso, nota-se que foi um médico competente e que criava empatia com os pacientes.

Ele deve fazer uma viagem até a cidade de Lund, onde receberá um importante reconhecimento. A viagem seria de avião, mas um sonho surreal o faz mudar de ideia. A constatação da aproximação da morte impulsiona Isak a percorrer o caminho de carro, o que permite que ele tenha tempo para avaliar sua existência ao passar por locais que o marcaram no passado.

Mesmo sendo um filme estruturalmente simples, Morangos Silvestres encanta por discutir temas bem densos, sempre tendo como base Isak refletindo sobre o próprio passado. Alguns temas são abordados de maneira rápida, como religião e a existência de Deus, mas o fato é que todos os diálogos são intensos ao ponto de nos atingir de maneira irreversível.

É marcante observar a diferença entre o trio de jovens cheios de vida e ingenuidade e o casal mais velho, donos de um impressionante cinismo. Um dos vários detalhes que fazem do filme uma obra-prima de verdade.

Fica difícil saber que posição tomar em relação a Isak. Sentimos pena, raiva ou admiração? O que fica claro é a capacidade de Bergman de nos fazer pensar não só sobre Isak, mas também sobre os nossos erros e acertos ao longo da vida. Convenhamos, algo que não é para qualquer um.
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8 comentários sobre “Crítica: Morangos Silvestres (1957)

  1. O mais fascinante no cinema do Bergman, e também nesse filme, é como ele trabalha com uma simplicidade narrativa enorme, mas é capaz, com isso, de pôr em discussões tantas questões sobre o ser humano, mais especificamente sobre nossas atitudes com o passar do tempo, uma discussão da própria personalidade. Além disso, faz uma grande homenagem a Victor Sjöström, esse que é quase um pai do cinema sueco.

    1. Verdade Rafael. Fui atrás de informações sobre o Victor Sjostrom e deu pra perceber que ele foi muito importante para o cinema. Não sabia que ele também era um diretor.

  2. Faço coro com Matheus e digo que o filme não está nem entre os meus 10 favoritos do grande Bergman, mas suas qualidades, que você descreveu, são difíceis de negar e, afinal de contas, é um clássico de fato. E um dos filmes mais calorosos de Bergman. Só espero não chegar à velhice como Borg.

  3. Incrível como Ingmar Bergman entrega um filme terno, doloroso e ao mesmo tempo engrandecedor! Não é seu estilo, já que o mestre é acostumado a explorar a dor com muito mais crueza, mas lembrou-me muito David Lynch, que ao fugir de sua naturalidade (com O Homem-Elefante) fez um filme único. Bergman, por sua vez, é brilhante em qualquer estilo…

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