Crítica: Meia-Noite em Paris (2011)

Deixar a razão de lado e mergulhar de cabeça neste romance com toques de ficção e nostalgia são dicas valiosas. Quando digo romance falo da fascinação que Paris exerce em Gil (Owen Wilson), um roteirista que tenta escrever um livro de verdade, torcendo para ser inspirado pelas luzes da cidade.
A magia entra em cena com uma carona em um carro antigo e com as doze badaladas que anunciam a meia-noite. Jamais sabemos como (e precisa?), mas Gil volta ao passado e se encontra com monstros da literatura, música e artes em geral, como Buñuel, Dali, Hemmingay, Picasso e outros.
Gil tem a possibilidade de conversar com artistas que ele admira e até de ter o seu livro lido e debatido por eles.
Além de brincar com o nosso imaginário ao colocar uma pessoa do século XXI frente a frente com importantes personagens do passado, Meia-Noite em Paris nos faz refletir sobre a irremediável insatisfação que sentimos com o tempo em que vivemos. Tudo o que Gil queria era a Paris dos anos 1920, mas algumas pessoas deste período preferiam ter nascido na Belle Époque e os deste tempo desejavam ter vivido no Renascimento. É a velha história da grama do vizinho ser mais verde.
Uma dica que Gertrude Stein deu para Gil foi para que ele adicionasse um pouco mais de otimismo nas suas linhas. Convenhamos, otimismo é algo essencial para manter o bom humor nos dias de hoje.
Um pouco de fantasia não faz mal a ninguém e Woody Allen sabe oferece-la de um jeito bem peculiar. Ao lado de A Rosa Púrpura do Cairo, eis mais uma prova. Quisera eu conhecer melhor alguns dos artistas representados, pois aí a experiência seria ainda melhor. De qualquer forma, é uma viagem que pode ser apreciada por todos que ainda fazem questão de sonhar de vez em quando.
8/10
IMDb 

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13 comentários sobre “Crítica: Meia-Noite em Paris (2011)

  1. Um Allen de primeir, eu diria. Gosto muito da forma como ele é muito despretensioso em contar essa fantasia, mas uma coisa que me chama muito a atenção é o fato de que, por mais que todo esse clima de nostalgia seja trazido pelo diretor na forma de uma viagem fantasiosa deliciosíssima, me parece que existe uma bela defesa do tempo presente ali. Gil vai perceber lá no final do filme que o tempo a que ele pertence é o presente, onde ele nasceu, se criou e se formou enquanto pessoa, mesmo que tivesse inspiração no passado. Não dá para fugir disso, negar o passado, mas mesmo assim é possível encontrar inspiração nele para continuar criando no presente. O filme é gracioso do início ao fim.

    1. De fato é um dos melhores do Allen!

      E realmente, aos poucos ele te dá essa sensação de que deve-se aproveitar o presente e parar de cultuar apenas o passado.

  2. O grande ponto alto deste filme é a forma como ele retrata Paris. O idealismo, a nostalgia e o romance são típicos sentimentos que Paris desperta em nós. Eu fico com a sensação de que tem muito do Woody Allen no personagem que o Owen Wilson interpreta. O filme é BELO!

  3. Pelo que me lembro, outros que aparecem no filme são os pintores Picasso, Paul Gauguin, Toulouse-Lautrec, Degas, o escritor americano Scott Fitzgerald e sua instável mulher, Zelda. Na página do IMDB devem estar todos. Até sair em DVD, podemos aprofundar nosso conhecimento de cada um dos artistas e rever o filme na maior tranquilidade e prazer.

    Bruno, adorei você ter lembrado do conselho de Gertrude Stein para Gil: livrar-se do pessimismo no livro. Na vida ou na arte, um toque de otimismo é fundamental. Que bom que você gostou!

    1. Pois é, vou recorrer ao IMDb e tentar ficar mais preparado numa próxima assistida…

      E essa parte da Gertrude Stein não tinha como passar batida. Uma dica bem valiosa…!

  4. Desculpem-me os ardorosos fans de W. Allen, mas o filme só vale pelas belas paisagens de Paris e pela excelente música. O resto é muito chato e monótono. Roberto

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