Crítica: Histórias Cruzadas (2011)

Dono de um ritmo fluido, de uma interpretação memorável de Viola Davis e de alguns momentos tocantes, Histórias Cruzadas nos agrada em boa parte do tempo, mas se pararmos para pensar de maneira mais atenta sobre ele, veremos que o filme sofre de alguns sérios problemas, começando pela amenização de um tema sério: o racismo que imperava na sociedade norte americana nos anos 1960. Apesar de retratar bem algumas situações grotescas, como uma dona de casa que exige que sua empregada vá fazer as necessidades em um outro banheiro ou um homem pedindo de maneira mal educada um sanduíche, o roteiro tem dificuldades em nos transmitir a dor que ser tratado dessa maneira causa. Para piorar, os brancos ou são bonzinhos demais com suas empregadas ou são verdadeiros carrascos. Onde está o meio termo? Esse excesso de estereótipos atrapalha bastante, trazendo um ar de artificialidade difícil de ser esquecido. Outras coisas também prejudicam o resultado final, como as inúmeras tentativas forçadas de nos emocionar. Esse material poderia render um filme mais denso, mais sério, menos colorido, um filme que fosse um retrato honesto daquele triste período. Só espero que o Oscar não saia distribuindo prêmio a um filme que não merece tanto.
6/10

Anúncios

9 comentários sobre “Crítica: Histórias Cruzadas (2011)

  1. Pelo jeito gostei de Histórias Cruzadas um pouco mais do que a maioria das pessoas. Talvez, por justamente achar nele um filme que propositalmente não quis dar seriedade a história. É como se quisessem mostrar: “Olha como é risível este preconceito” ao invés de “Olha como é desumano este preconceito”. Percebo isso pelo caráter dos personagens brancos, irracionais, fúteis e mesquinhos. Acho um filme “divertido” dentro dos seus propósitos, mas que realmente possui algumas falhas, principalmente nas tentativas de emocionar e principalmente pelas subtramas de enojar. Mas, daria nota 7,5

    Abraço

    1. é possível ver o filme dessa maneira mesmo, aí ele fica até mais interessante. o problema é que eu tive dificuldades para encara-lo desse jeito… de qq forma, é um filme agradável de se assistir, passa bem rápido, apesar de longo.

      Abs

  2. Assino embaixo de sua análise, Bruno. O filme poderia realmente ser mais denso, mais sério e urgente, mas os estereótipos e a narrativa frouxa, enfraquecida por subtramas dispensáveis, torna o filme ultra artificial para sua proposta. O que realmente merece crédito é o elenco, sobretudo Davis e Jessica Chastain.

    abs!

  3. A primeira coisa que notei neste filme foram as cores exuberantes. Seja nas casas, nos carros, nos vestidos, nos verdes dos gramados, etc. Acho que a ideia de nos colocar de frente de tantas cores (incluindo as da pele) é para que nós percebamos o quão bela cada uma delas pode ser. Principalmente se estivem em harmonia.
    Já em relação a história em si, creio que houve falhas em alguns momentos. Como por exemplo, nas tentativas de emocionar. Outro ponto fraco, talvez, seja realmente as subtramas que poderiam ter sido dispensadas, ou quem sabe, aprimoradas.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s