Crítica: Another Earth (2011)

Um dos trunfos de Another Earth é misturar sci-fi com um drama pessoal que funciona na maior parte do tempo, tendo que gastar para isso não mais do que 90 minutos, colaborando para o dinamismo da experiência.

O acidente fatal causado por Rhoda Williams faz com que a vida dela mude completamente. De uma universitária de futuro promissor acaba se tornando faxineira graças aos 4 anos de prisão. Ela foi presa por ter dirigido alcoolizada e acabado com a família de John Burroughs.

Essa situação ocorre no mesmo tempo em que uma nova Terra é descoberta. Um planeta idêntico ao nosso, não só em termos geográficos, mas também humanos. É com espanto que percebemos que a Terra 2 é como um espelho do nosso mundo, já que lá existe uma “cópia” de cada pessoa que aqui vive.

O conflito pessoal de Rhoda às vezes soa absurdo, principalmente devido a maneira que ela se aproxima de John, algo que às vezes parece mais inacreditável do que a existência de um planeta igual a Terra, mas é inegável que essa situação proporciona momentos dolorosos e melancólicos suficientes para que nos importemos com os dois personagens. O diretor Mike Cahill constrói uma atmosfera fria, um tanto depressiva, que reflete bem o sentimento de Rhoda e John. A câmera digital também é essencial para que tudo se torne mais próximo de nós, mais real e mais urgente.

Olhando agora para a essência sci-fi do filme, ele merece reconhecimento pela ideia criativa que proporciona diversas discussões. Como receberíamos a notícia de que existe uma pessoa igual a nós? Será que ela teria os mesmos gostos, as mesmas vontades, os mesmos medos?

Talvez o roteiro poderia ter explorado mais esse ar misterioso que envolve a Terra 2, ao invés de centrar tanto no lado intimista da história. Em um mundo como o nosso, em que a grande maioria da população é religiosa, seria interessante mostrar algo relacionado a isso. Como as pessoas encarariam algo desse tipo em um lado espiritual? Faltou um pouco de tempo e quem sabe de ousadia para trabalhar esse lado.

De qualquer forma, Another Earth é um filme que intriga, que traz um ar de novidade para o gênero e que é dono de um desfecho que permite várias interpretações. É sempre bom poder imaginar as diversas possibilidades de um final, exatamente como ocorre aqui.
7/10 

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8 comentários sobre “Crítica: Another Earth (2011)

  1. No final das constas é um filme que vale a pena e concordo contigo, poderia ser melhor explorado ao invés de se prender tanto na relação entre a menina e o viúvo. Mas ele levanta interessantíssimos questionamentos e o final também me agradou.

  2. Estou colocando alguma expectativa sobre este filme, além dos seus apontamentos, li recentemente uma crítica do Alex (Cine Resenhas) que me deixou muito curioso. Porém, você pisa mais no freio, mostrando que há alguns problemas narrativos. Vou conferir assim que puder.

  3. Eu adorei esse filme….mas fiquei meio frustrada com o final, pois gostaria que a estória continuasse…… de qualquer forma, valeram os questionamentos feitos pelo filme. Bom para se assistir e grupo e depois conversar sobre o tema.

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