Crítica: Rashomon (1950)

Não é pouca coisa dizer que Rashomon é um dos melhores filmes de Akira Kurosawa, afinal o grande mestre japonês é dono de uma vasta filmografia, recheada de obras-primas como Os Sete Samurais, Ran, Céu e Inferno, Yojimbo e outros.

Um dos aspectos relacionados ao filme que mais chama a atenção, é o fato de ter sido através dele que o mundo conheceu o cinema japonês. Claro, outros cineastas do Japão já tinham produzido ótimos filmes, mas Kurosawa com Rashomon foi o grande divisor de águas.

Mas por que essa importância e como ele se mantém atual até hoje? Primeiro, as inovações técnicas utilizadas pelo diretor. Rashomon nos mostra a história de um crime sendo julgado por um tribunal. Nós somos expostos a quatro pontos de vista diferentes, cabendo a nós decidirmos qual o mais honesto. Sim, não espere terminar o filme e ter certeza do que aconteceu. Cada ponto de vista transforma o crime e os envolvidos quase que totalmente. Essa situação permite que uma das grandes forças de Rashomon domine a tela: Toshirô Mifune. Nas quatro versões do crime o seu personagem é representado de maneira diferente, às vezes covarde, às vezes honrado e às vezes insano. O ator transmite muito bem essas nuances e possui uma atuação das mais hipnóticas. Kurosawa faz uso de flashbacks e de outras técnicas narrativas – como a câmera na mão seguindo um personagem ao caminhar – de uma maneira envolvente, que faz tudo acontecer de maneira dinâmica e fascinante.

O filme também se destaca por ser um verdadeiro estudo do ser humano e sua essência. Três personagens conversam sobre o crime e colocam para fora suas opiniões a respeito da humanidade. Por um momento, chega-se a conclusão de que o homem é mau, capaz de mentir e ser egoísta para obter vantanges.

Mas Kurosawa não poderia nos deixar com essa visão pessimista da sociedade, não é? A cena final mostra que em 1950 o diretor ainda tinha esperanças em relação a sociedade e nos entrega uma agradável mensagem.

Como curiosidade, Rashomon é apontado como a razão para a criação do prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar.
9/10 

Anúncios

Um comentário em “Crítica: Rashomon (1950)

  1. Esse é meu Kurosawa preferido de todos que eu vi, um filmaço. Para além da inovação da mesma história narrada a partir de pontos de vista diferentes, essa coisa da humanidade que você citou é o que mais me chama atenção no filme. Kurosawa acredita no ser humano, ainda. E isso é muito bom.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s