Crítica: Butch Cassidy (1969)

Butch Cassidy marca uma mudança de rumos do gênero Western. Ao invés de utilizar o tom mais sério e sóbrio de westerns antigos, ele investe em uma abordagem mais humorada e leve, além de ter a coragem de colocar uma música moderna dentro de um filme de época. Sim, falo da magnífica cena em que Paul Newman anda de bicicleta enquanto a música Raindrops Keep Falling on my Head invade nossos ouvidos.
Butch Cassidy e Sundance Kid são dois ladrões de banco e de trens que após um assalto ter dado errado, passam a maior parte do tempo fugindo de seus implacáveis perseguidores, o que os acaba levando até a Bolívia. A química entre Paul Newman e Robert Redford impressiona. Parecem de fato dois amigos de longa data que precisam passar por alguns percalços. Não faltam diálogos espirituosos e genuinamente engraçados, mas talvez a grande sequência do filme seja a perseguição que ocupa todo o segundo ato. O diretor George Roy Hill cria uma atmosfera extremamente tensa, permitindo que o público compartilhe com os personagens toda a aflição que lhes é imposta pelos seus perseguidores. Parece que não há saída. Qualquer rumo que eles decidem tomar para despistar se mostra infrutífero. Mesmo com uma certa distância entre eles, não tem como não ficar temendo pelo pior. Apesar desse lado tenso, a dinâmica entre os dois continua garantindo momentos divertidos, mas os tiros e o sangue não são deixados de lado.
Para completar, temos duas ou três cenas em que apenas a trilha sonora e algumas imagens marcam a passagem do tempo. São cenas belíssimas e criativas, que elevam ainda mais a qualidade do filme. Isso sem contar o icônico final, que nos permite refletir sobre o destino desses dois cativantes cowboys.
10/10 

Anúncios

4 comentários sobre “Crítica: Butch Cassidy (1969)

  1. Bruno, continua tão bom assim? Os grandes filmes são raros mas não envelhecem … Só de ver a foto, me veio à mente “Raindrops keep falling on my head”. Essa marcou!

  2. Gosto muito deste filme, mesmo ele subvertendo as características do faroeste clássico. O interessante é que muita gente (incluindo a atriz Katharine Ross) achou que a cena da volta de bicicleta não precisava de música. E Raindrops keep falling on my head acabou virando o maior símbolo do filme.
    Abraços!

  3. Estou há muito tempo para assistir a esse filme, mas até agora não o vi ainda. Não sei por adio tanto para ver a química entre Newman e Redford!

  4. Incrível como esse filme me lembra muito a espirituosidade da Nouvelle Vague, embora esteticamente não tenha muito haver com o movimento de vanguarda francês. Mesmo asism, é um sopro de liberdade num gênero bem delimitado de marcas textuais. Essa cena do passeio de bicicleta ao som de Raindrops Keep Falling on my Head é sensacional, pra ficar na História do cinema. Sem exageros.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s