Crítica: Rastros de Ódio (1956)

Escrevo esse post para fazer algo difícil: falar mal de um clássico. Pior ainda, um clássico de um dos meus gêneros preferidos, o Western. Este trabalho de John Ford, que conta com a participação do endeusado John Wayne, é considerado por muitos como o melhor filme já feito sobre o Velho-Oeste, algo que discordo com todas as minhas forças. Antes que eu comesse a irritar os admiradores deste trabalho, devo dizer que a fotografia de Rastros de Ódio é das mais belas, explorando muito bem a beleza natural e a aridez da região de Monument Valley, cenário dos mais típicos do gênero. O argumento do filme também é interessante, mostrando uma família sendo destruída por índios, que capturam duas crianças e os cinco anos que o personagem de John Wayne e um agregado passam em busca do resgate, mas a maneira que essa história é contada é digna de uma boa cochilada.
O que temos aqui é um amontoado de atuações fraquíssimas, com raras exceções. Alguns momentos chegam a ser constrangedores, como a reação de uma das meninas a aproximação dos índios. Aquela expressão que ela faz e o grito subsequente é um dos piores momentos que já presenciei na frente de uma televisão. Quando um filme conta com tantas atuações patéticas fica difícil de se manter interessado, mas como é um western com John Wayne me mantive firme. O fato é que as coisas só pioram. Existem diversas tentativas frustradas de se fazer humor. Quando digo frustradas é até um elogio, pois mais parecem cenas escritas por crianças, praticamente impossível de se fazer um adulto rir. Esses momentos de humor que não funcionam tiram a seriedade da situação enfrentada pelos heróis e aí a qualidade do filme cai ainda mais.
Melhor nem falar sobre a passagem de tempo, só digo que nunca vi cinco anos passarem tão rápido e de uma maneira tão confusa. Ah e esqueçam desenvolvimento de personagens, isso simplesmente não existe aqui.
Eu sei que Rastros de Ódio retrata o racismo da população americana daquele tempo contra os índios, mas precisava mesmo mostrar uma coitada de uma índia velha tomando uma voadora de um imbecil vestindo chapéu? O pior é que eu tenho certeza que essa cena foi feita para ser engraçada, algo no mínimo absurdo.
Não tem como levar a sério um filme que mostra John Wayne querendo resgatar a sobrinha por cinco anos para matá-la, por achar que ela foi contaminada pelos índios, mas o fato é que ela é a mesma pessoal, a única diferença é que tem um pouco de tinta na testa e grita bastante.
Repito, é uma ideia boa que foi realizada de maneira tosca e simplesmente não consigo entender como o filme é admirado por tanta gente, sorte que não estou sozinho nessa: http://www.imdb.com/title/tt0049730/reviews?filter=hate.
4/10 

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