Crítica: Prometheus (2012)

Apesar de se passar em um universo próximo de Alien e de solucionar alguns mistérios referentes a série iniciada pelo próprio Ridley Scott em 1979, Prometheus não deve ser encarado como uma prequel. Trata-se de um filme com vida própria e que funciona até para quem nunca teve contato com Alien e suas continuações.
Aqui temos uma história das mais ambiciosas. No ano de 2089 um grupo de cientistas faz uma viagem até um planeta distante em busca de respostas para mistérios que assombram e estimulam a humanidade desde os primórdios: quem somos, para onde vamos, quem nos criou e por quê?
No momento em que os cientistas chegam ao planeta, a atmosfera de mistério e tensão é construída sem pressa e com muita competência por Ridley Scott.  A tecnologia 3D nos ajuda muito no processo de imersão naquele mundo, que conta com cenários vastos e sombrios, ao mesmo tempo belos e assustadores.
Há uma mistura de vários elementos, como sci-fi, suspense, ação (de qualidade), terror, romance (pouco), até gore (seres ariscos adentrando em outros pela via oral e assim por diante). Seria mais interessante se ele investisse mais nos pontos positivos e perdesse menos tempo nos aspectos que não funcionam tão bem. Damon Lindelof, um dos criadores de Lost, aparentemente tentou transportar para o cinema elementos de roteiro que dão certo em seriados, como reviravoltas bombásticas que marcam o final de alguns episódios. Aqui as reviravoltas soam um tanto absurdas e fora de propósito, como na revelação de que certa personagem é filha de outra e etc. O que também desagrada é que Prometheus parece não fazer tanta questão de responder as indagações iniciais. É claro que não dá para exigir respostas que satisfaçam a todos, mas por que não mostrar ousadia e inteligência com algumas reflexões mais aprofundadas de cunho científico e filosófico?
De qualquer forma, mesmo com falhas, o filme é ótimo. Vale e muito por nos fazer pensar sobre a humanidade como espécie, além de ser uma experiência visual que dificilmente será esquecida tão cedo. São muitas as cenas grandiosas, em que os efeitos especiais empolgam e ainda servem aos propósitos do roteiro. Noomi Rapace, que inicialmente parece insegura como a personagem principal, demonstra uma intensidade impressionante a partir de uma sequência que envolve uma cirurgia de emergência. Essa cena pode causar um certo desconforto nos estômagos menos preparados, mas não dá para negar que é um dos melhores momentos do filme. Isso sem falar no ótimo personagem David (Michael Fassbender), um robô fisicamente igual aos humanos, fã de Lawrence da Arabia e que parece ter objetivos distintos dos demais tripulantes a bordo.
Chego a estranhar algumas críticas bem negativas que tenho lido. Algo me diz que em um futuro não tão distante Prometheus vai ser valorizado como merece.
8/10 

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13 comentários sobre “Crítica: Prometheus (2012)

  1. Primeira crítica que leio e que está bem de acordo com o que achei do filme. As pessoas, ao que parece, queriam um “novo alien”, uma prequência do clássico filme que fosse seguir o caminho todo “corretinho” e terminar no início de alien ou algo assim. E criaram também altas expectativas.

    Gostei também do filme, acho que vale o ingresso apesar de possuir alguns furos e falhas.

    1. Verdade, cara… as expectativas estavam MUITO lá em cima… pô, Ridley Scott, elenco de primeira e um trailer do caralho… não tinha como não ficar empolgado! Mas a gente sabe que não é uma boa ir assistir a um filme esperando uma obra-prima…

      E tem isso, não dá pra assistir pensando em Alien, apesar das conexões que fazemos ao longo dele.

      Valeu o ingresso e quero assistir mais uma vez em DVD!

      Abs

  2. As expectativas estavam muito acima mesmo , o filme é um bom suspense, só acho que ele poderia ter desenvolvido melhor o roteiro, as respostas que você cita, não exatamente em forma de respostas prontas, mas que tivesse um encadeamento melhor desenvolvido para as perguntas, pois do jeito que ficou, pareceu tudo muito tolo.

    Agora, quanto a Alien, acho que tem algo de prequel, apesar de ser um filme independente. Falo isso pelo detalhe no final do filme que acaba se ligando ao detalhe inicial do primeiro Alien, por mais que seja outro planeta (sabe-se lá, se tempos depois o nome e a atmosfera não mudou, hehe).

  3. A expectativa estava tão grande que cheguei meia-hora antes da primeira sessão de sexta-feira. Nada de pipoca e refrigerante, que esse era um filme sério. E já a cena inicial fez valer a pena! RS não decepciona no bom-gosto e na escolha da equipe técnica – o visual de Prometheus é impecável. O robô David é outro ponto positivo, mas foi difícil de aceitar o biólogo namorado de Noomi Rapace, tolo além da conta. Também quero assistir de novo, Bruno, mas em blu-ray para ter acesso a TODOS os extras!

  4. Concordo que “Prometheus” levanta questões interessantes que nos fazem pensar sobre a humanidade em si. Gostei de alguns pontos sutis que o longa levanta. Pena que tais questões não nos oferecem respostas, na medida em que o filme termina da mesma forma que começa… Sem evoluir a trama.

    A parte técnica que, no final, acaba sendo o ponto mais positivo de “Prometheus”. A trilha sonora, desde já, é a melhor do ano, até agora. E gostei muito também da atuação da Noomi Rapace, que, de uma certa maneira, interpreta uma personagem que me lembra muito a Ripley, de “Alien – O Oitavo Passageiro”.

  5. Tudo bem que não fosse um prequel de “Alien”, mas ficou devendo algumas explicações cruciais – como por exemplo, sobre as experimentações que os “Engenheiros” faziam naquela lua. Poderia ter sido melhor abordado e não seria necessária nenhuma resposta sobre o porque de terem criado a raça humana e os motivos que os levaram a intentar o fim da mesma, pois estaria tudo implícito na abordagem.
    O filme gasta muito tempo explicando a mesma coisa, e deixa questões importantes de lado – talvez fiquem para uma possível sequência.
    Resumindo: não foi o épico que intentava ser, mas supriu muito bem as expectativas da maioria dos fãs.
    Um bom filme, só isso.

  6. Faltou algo na história… Mas isso foi mero detalhe perto do visual impressionante do filme. E também gosto da forma como o filme envolve o espectador na tensão. Experiência para se ver obrigatoriamente no cinema!

  7. Pelo amor de deus.

    Depois de ler que havia relação com alien, resolvi ver alien oitavo passageiro e aliens o resgate antes de ver prometheus. meu deus do céu, prometheus é a réplica de alien oitavo passageiro. exatamente igual! o mesmo roteiro. puta falta de criatividade de Ridley. Esperava mais de um diretor multifacetado como ele. Não é um prequel de alien. É o próprio Alien, as cenas clássicas de alien transformadas em clichê: pessoas congeladas indo pra um planeta, um negão fumando um charuto como café da manhã, a galera no refeitório depois de acordar, o mesmo papo de “estou aqui pelo dinheiro”, o mesmo papo de sou só o piloto, a mesma babaquice dos que querem se safar contra os que querem manter os aliens (robos com ordens de levar aliens para a terra), a mesma cena da exploração de um lugar estranho, encontram vários vasos elípticos, equipe desunida (incrivel, uma expedição trilionária sem treinamento prévio e com equipe desunida), contaminação de um dos membros, pessoa doente que não pode entrar na nave, babacas desunidos sendo atacados por aliens pela boca, aliens que entram pela boca exatamente igual à infecção dos aliens tradicionais, robo sendo decaptado e continua vivo (essa tem em TODOS OS FILMES DA SÉRIE ALIEN, ERA OBRIGAÇÃO TER EM PROMETHEUS), briga de comando, morre todo mundo, só sobra uma mulher e um robô… meu deus do céu é A MESMA COISA!!!!

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