Crítica: Cavalo de Guerra (2011)

Há quem diga que Cavalo de Guerra é artificial nas suas tentativas de fazer o público chorar. Agora, eu pergunto: é possível assistir a uma bela história como essa sem se emocionar pelo menos um pouco? Nem o mais frio dos corações é capaz de acompanhar os desafios enfrentados por um cavalo que foi tirado de seu dono durante a Primeira Guerra Mundial sem demonstrar alguma reação genuína.
O roteiro do filme é bem simples. O personagem principal é o cavalo Joey, que acompanhamos desde os primeiros anos de vida. Ele é o fio condutor de tudo o que vemos. Durante a guerra Joey passa pelas mãos de diferentes donos e enfrenta vários tipos de situações. Essa maneira de contar a história praticamente impossibilita que criemos empatia com os personagens humanos, mesmo com a presença de bons atores como Niels Arestrup, Tom Hiddleston, Emily Watson e Peter Mullan, mas quando se trata do cavalo a coisa é bem diferente. Você não quer que nada de mal aconteça com Joey, você vibra com os seus avanços no treinamento, você se emociona com a amizade dele com o dono e com um outro cavalo e você sofre quando ele sofre. Isso tudo já faz a experiência valer a pena, mas o trabalho técnico de recriação dos horrores da Primeira Guerra também impressiona. Spielberg nos coloca dentro do front quase que da mesma forma que em O Resgate do Soldado Ryan. A violência das trincheiras é retratada de uma maneira realista e intensa, o que não deixa de ser uma homenagem aos combatentes daquele conflito pouco retratado no cinema e também a filmes como Sem Novidade no Front e Glória Feita de Sangue.
Infelizmente não dá para relevar algumas forçadas de barra do roteiro, como o fato de um cavalo ser capaz de fazer um médico (e aparentemente boa parte dos seus pacientes) dedicarem total atenção a ele. Isso sem falar no ganso arisco que garante algumas boas risadas, mas que parece deslocado dentro do contexto do filme.
Mesmo com essas demonstrações de irregularidade, Cavalo de Guerra nos oferece ótimos momentos na frente da tela e ainda transmite positividade. Perceber que todos os donos de Joey, sejam eles ingleses, franceses ou alemães, fazem de tudo para proteger o cavalo é um sinal de que Spielberg está longe de perder as esperanças em relação a humanidade.
7/10 

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8 comentários em “Crítica: Cavalo de Guerra (2011)

  1. Eu sou uma das pessoas que acha que esse filme é muito sólido. Eu acho que “Cavalo de Guerra”, por mais que tenha sérios problemas, especialmente de roteiro, é um filme com a marca fortíssima de seu diretor. É uma obra tipicamente do Spielberg, com momentos épicos (emulando até mesmo “E O Vento Levou…”), com uma história emocionante e inspiradora sobre a passagem da inocência para a vida adulta, num momento de guerra, num momento difícil. E é impossível não se envolver com a história, como você mesmo aponta no seu texto. A parte técnica acaba sendo o grande destaque desse longa.

    1. Aquele finalzinho é de uma beleza impressionante… uma grande homenagem a E O Vento Levou…

      Apesar dos problemas, ele te envolve e você releva muita coisa.. isso foi natural pra mim!

  2. Concordo exatamente com a Kamila. Cavalo de Guerra é um filme de Spielberg, primeiramente, e carrega as marcas do seu diretor muito bem fundamentadas, apesar de alguns tropeços de roteiro. A emotividade que emana do filme me parece sempre muito verdadeira, e isso que o diferencia de qualquer outro produto “feito para chorar”. Fotografia e trilha sonora são lindas.

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