Crítica: Alphaville (1965)

Os anos 60 foram os mais produtivos de Jean-Luc Godard e Alphaville é um dos melhores trabalhos que ele realizou. Aqui temos uma ousada mistura de ficção científica com o estilo noir que funciona muito bem. Alphaville é uma cidade futurista que apresenta peculiaridades perturbadoras. Trata-se de uma sociedade em que a lógica, o silêncio e a prudência imperam. Não há espaço para demonstração de emoções, não há espaço para arte, para músicos e nem para sorrisos. Palavras chegam a ser eliminadas do dicionário. As pessoas que se comportam ilogicamente são sumariamente executadas e o ato é aplaudido pelo público com entusiasmo. Godard claramente empresta elementos de obras como 1984 e Admirável Mundo Novo, mas sem criar uma mera cópia. Um agente secreto vindo das Terras Externas se disfarça de jornalista enquanto tenta encontrar o Professor Von Braun, o criador desse mundo que não permite sentimentalismos.
O clima de mistério é trabalhado de maneira eficaz por Godard. A fotografia em preto e branco e a trilha sonora ajudam bastante na criação dessa atmosfera perigosa, fazendo da ambientação um dos pontos fortes do filme. Pena que ele se mostra confuso em alguns momentos, além de contar com diálogos monótonos proferidos pelo supercomputador alpha-60 que refletem algumas ideologias do diretor. Um trabalho irregular, mas que oferece uma visão sombria e fascinante do futuro.
7/10 

/gosta de ficção científica? então entre aqui: SCI-FI.

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3 comentários sobre “Crítica: Alphaville (1965)

  1. Também concordo que a década de 60 foi a melhor do Godard, seus filmes dessa época tinham um surto criativo e libertário senscionais. Acho incrível essa reapropriação dos gêneros clássicos para a proposta mais anárquica e antiparadigmática não só da Nouvelle Vague, como também do próprio estilo godardiano de quebrar certas convenções. Tavez por isso o filme pareça às vezes um tanto “confuso”, mas a meu ver é mesmo um traço libertário do próprio cinema que ele fazia. Meu melhor Godard, aliás, é O Demônio das Onze Horas.

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