Crítica: O Segundo Rosto (1966)

O diretor John Freinkenheimer cria em O Segundo Rosto um verdadeiro filme-pesadelo. Somos tomados desde o início por uma sensação de estranhamento e de que alguma coisas de ruim vai acontecer com o protagonista. A fotografia em preto e branco que explora closes fechados, câmera subjetiva e câmera tremida, além da trilha sonora com acordes fúnebres colaboram para essa atmosfera de mistério e suspense. A técnica é invejável, mas o destaque mesmo é o criativo e perturbador roteiro. Arthur Hamilton é um homem de meia idade que é induzido a participar de uma experiência científica das mais ousadas: forjar a própria morte, mudar suas características físicas e recomeçar uma outra vida em outro lugar. Arthur repensa sua vida antes de aceitar o experimento e simplesmente não encontra razões para continuar sendo ele mesmo. Ele tem um bom emprego, uma mulher e uma filha com futuro encaminhado, mas mesmo assim não se sente feliz. Será que nessa nova oportunidade as coisas vão ser diferentes? Será que ele vai encontrar o caminho para fazer a vida valer a pena?
Após adquirir a nova identidade, sendo conhecido agora como Wilson, ele se transforma em um artista e participa de festas regadas a vinho e mulheres. Tais cenas se contrapõe de maneira gritante com o seu relacionamento frio com a esposa antes de adquirir o novo rosto, mas seria isso uma felicidade genuína?
Como se não bastasse o argumento criativo, o visual competente e as reflexões que o filme nos permite fazer, ele oferece um terceiro ato impecável, completando o arco narrativo com uma eficiência como pouco se vê atualmente. Freinkeiheimer merece todos os elogios por criar algo desse nível e por não demonstrar medo em dar ao personagem principal um dos destinos mais angustiantes que minha mente cinéfila é capaz de recordar.
9/10 

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3 comentários em “Crítica: O Segundo Rosto (1966)

  1. Poxa, nunca tinha ouvido falar desse filme, que parece ser muito, mas muito interessante mesmo. E adoro o trabalho do John Frankenheimer. Irei tentar conferir, mesmo sendo uma não apreciadora de ficção científica.

  2. Resumindo o que achei do filme: uma boa ideia, quase sempre mal desenvolvida ao longo da narrativa. Apesar de ter alguns méritos, o melhor do filme ainda são os primeiros 35/40 minutos, ainda sem a personagem principal “transformada” numa nova identidade. Fiquei um pouco dececionado, pois o filme é do mesmo realizador (John Frankenheimer) do fantástico “the manchurian candidate”, realizado apenas 4 anos antes. Só posso classificar com 6/10.

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