Crítica: O Ditador (2012)

A parceria entre o diretor Larry Charles e o ator Sacha Baron Cohen rendeu dois filmes com um estilo semelhante. Tanto Borat como Brüno possuíam um roteiro bastante improvisado, com várias cenas em que os personagens de Sacha interagiam com pessoas comuns, garantindo momentos autênticos e hilários. Em O Ditador isso foi deixado de lado para dar lugar a um roteiro 100% encenado. Tal medida poderia significar uma evolução da dupla, mas isso não acontece, já que o enredo mostra-se extremamente infantil na maior parte do tempo, contando com poucos momentos realmente inspirados.
Tudo começa de maneira promissora: uma dedicatória ao falecido ditador Kim Jong-il e cenas mostrando as peculiaridades de Aladeen, o líder autoritário da República de Wadiya. Nos divertidíssimos minutos iniciais, vemos o ditador criando leis absurdas de gramática, promovendo e vencendo todas as provas de uma olimpíada que não preza pelo espírito esportivo, discutindo com um engenheiro por não fazer uma bomba nuclear pontuda e mandando matar pessoas do seu convívio pelos motivos mais banais.
As coisas perdem um pouco da graça quando ele sai do seu país e chega em Nova York. O filme desperdiça tempo em um romance bobinho e com algumas críticas sociais nada sutis. Não dá para negar que Sacha Baron Cohen consegue nos fazer rir com o seu timing cômico perfeito e com a sua coragem por não considerar nenhum assunto tabu. São muitas as piadas politicamente incorretas que podem até ofender aqueles que tem dificuldades de aceitar que trata-se apenas de um filme.
No final das contas O Ditador se salva graças a cenas pontuais. No geral, é um roteiro problemático que evidencia uma falta de maturidade dos criadores que pelo jeito vai durar eternamente. Recomendado só para fãs de Sacha Baron Cohen e para aqueles que já assistiram a quase tudo o que está em cartaz atualmente.
6/10

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4 comentários em “Crítica: O Ditador (2012)

  1. Bruno, pela sua descrição, e pela ausência completa de lembranças do único filme do Sacha Baron Cohen que assisti, vou pular esse. Acho que só vejo se ficar 2 semanas sem novidades na locadora… :-/

  2. Eu consigo gostar mais desse filme do que dos outros dois anteriores do Baron Coen porque aqui o humor não á tão escatológico ou exagerado. Tem muitos momentos que não funcionam mesmo, mas dei boas risadas. Um filme mediano, no fim das contas.

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