Crítica: Gojira (1954)

É praticamente impossível encontrar alguém que nunca tenha ouvido falar de Godzilla, mas o número de pessoas que realmente viu o filme original é pequeno. Um dos motivos por trás disso é o fato dos americanos terem feito uma versão deturpada de Godzilla em 1956, que contou com a inserção de um personagem americano em várias cenas, uma dublagem em inglês e a quase total retirada do teor crítico que o original possui. O original, conhecido como Gojira, só foi lançado nas terras ianques em 2004.
Apesar de ser provavelmente o filme de monstro mais influente já realizado, o que faz Gojira se destacar é a sua alegoria sobre o impacto destrutivo causado pelas bombas atômicas no japão. Fica clara a severa crítica contra os americanos e sua corrida nuclear, não só pelo monstro em si, mas também pelo personagem que descobre uma maneira de matar o Godzilla só que prefere não divulgar, com medo de que alguém transforme seu experimento em uma arma de destruição em massa.
Em termos técnicos o filme anda bem defasado. É notório que o monstro não passa de alguém fantasiado e de que a cidade destruída é uma maquete. Mesmo que o diretor tenha optado por filmar a noite e com tomadas rápidas, a precaridade dos efeitos especiais incomoda um pouco. Mas o pior mesmo são as atuações falsas e teatrais demais. Quem se salva nesse quesito é Takashi Shimura, conhecido por seus trabalhos com Akira Kurosawa. É claro que o roteiro não colaborou muito para os personagens, inclusive colocando alguns deles em situações que de maneira não proposital nos fazem rir.
De qualquer forma, a mensagem do filme é extremamente relevante e captura bem todo a angústia que o povo daquele tempo viveu. Apesar de sua irregularidade, Gojira tem grande importância para o cinema mundial e merece ser visto pelo menos uma vez.
7/10

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3 comentários sobre “Crítica: Gojira (1954)

  1. Oh Deus! Bruno, o tema é realmente relevante e o filme torna-se historicamente importante, mas não vou aguentar. É preciso um roteiro genial e uma fotografia belíssima para me convencer a dedicar 96 minutos a um filme de ficção envelhecido. A nota do imdb confirma a sua, 7,3. Mas da velha safra, só me lembro de ter adorado Nosferatu (1922), do Murnau.

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