Crítica: Elefante Branco (2012)

O edifício que foi construído para ser o maior hospital da americana latina transformou-se em uma enorme estrutura de concreto sem uso, atraindo milhares de pessoas ao seu redor para formar uma grande favela na cidade de Buenos Aires e trazendo com isso uma infinidade de problemas. Mas o povo que mora ali não está sozinho. Acompanhamos a luta de dois padres e de uma assistente social para tentar ajudar a comunidade da melhor maneira possível.

A sequência inicial de Elefante Branco nos apresenta ao padre Nicolás (Jérémie Renier) de uma maneira intensa. No meio da Amazônia ele precisa se esconder enquanto vários índios são assassinados por não indicarem o seu paradeiro. Nicolás é resgatado por Julián (Darín) e levado até a favela de Vila Virgem na capital argentina. Julián acaba de descobrir que possui um tumor no cérebro, portanto também enfrenta um momento muito difícil.

O filme evidencia toda a dificuldade de se fazer a diferença dentro daquela comunidade. Eles querem ajudar como podem, não só com rezas, mas com atitudes, às vezes colocando a própria pele em risco. Após um garoto ser assassinado, Nicolás vai até as entranhas da favela para resgatar o corpo. O diretor Pablo Trapero cria uma atmosfera de tensão muito forte nessa cena, nos deixando no escuro da mesma maneira que Nicolás com os olhos vendados.

São várias as sequências com poucos cortes, uma técnica que quando bem empregada adiciona bastante e é o caso aqui. Em alguns momentos conseguimos nos sentir no meio de todo aquele caos, principalmente durante a brutal invasão policial.

O personagem do padre Nicolás é o que apresenta o melhor arco narrativo. Ele passa por importantes conflitos existenciais transmitidos de maneira visceral pelo ótimo Jéremie Renier. É interessante ver os três tendo momentos de fraqueza. Realmente, não é fácil viver uma vida assim.

No final das contas Elefante Branco não adiciona nada de muito novo para o tema e ainda tem um final um tanto anticlimático, mas ele trabalha com um assunto importante de uma maneira bem realista e conta com ótimas atuações do trio Ricardo Darín, Jérémie Renier e Martina Gusman.
7/10

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2 comentários sobre “Crítica: Elefante Branco (2012)

  1. Segundo texto que leio sobre esse filme hoje! 🙂

    O seu é menos entusiasmado do que o outro que eu li, mas, de todo jeito, estou curiosa em relação ao filme, especialmente por causa da presença de Ricardo Darín, um dos melhores atores da atualidade.

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