Crítica: Vampiros de Almas (1956)


Após retornar de uma viagem, o médico Miles Bennel encontra alguns habitantes da cidadezinha de Santa Mira enfrentando uma situação inusitada. Uma jovem acredita que o amado tio Ira não é mais o tio Ira. Para ela, trata-se de um impostor se passando por ele. Um impostor que não demonstra sentimentos, por isso o estranhamento. Um garotinho também é levado ao consultório de Miles aos prantos por afirmar que sua mãe não é mais sua mãe, apesar de fisicamente igual.
Como um homem da ciência, Miles não cogita possibilidades absurdas para explicar o fato. Ele e um psiquiatra local chegam a conclusão que isso tudo é um tipo de “neurose contagiosa”, uma “histeria em massa”. As coisas ficam ainda mais estranhas quando Miles é chamado para ver um cadáver que simplesmente apareceu na mesa de bilhar de um amigo seu. Tal corpo é idêntico a este amigo do médico, com a diferença de  não possuir digitais e nem linhas de expressão no rosto.
Quando o doutor compreende com o que está lidando pode ser tarde demais. Fica difícil ou até impossível saber em quem confiar. Todos parecem tomados por essa loucura coletiva e ele não consegue se comunicar com outras cidades, o que deixa a situação ainda mais complicada.
A qualidade mais marcante de Vampiro de Almas é este ar de thriller que o diretor Don Siegel trabalhou tão bem. A tensão vai crescendo de maneira gradual, até que conseguimos sentir na pele o desespero de Miles e Becky, afinal a cidade inteira está atrás deles e apesar de todo o cansaço eles não podem dormir ou também serão duplicados. As chances do casal conseguir escapar ficam cada vez menores. O tom de urgência é intenso e a sensação é de perigo iminente, do começo ao fim.
O filme ficou famoso ao longo dos anos pelo seu comentário político. Não é difícil perceber a crítica contra o período do macartismo, no qual qualquer pessoa com atitudes “suspeitas” poderia ser considerada comunista, tendo que arcar com as consequências. Ainda que o escritor do material original negue que tenha criado uma alegoria, o diretor afirma que é praticamente impossível não fazer essa associação. Sobra um tempo também para críticas contra a corrida nuclear e também contra o próprio ser humano e a frieza de suas atitudes.
Em apenas 80 minutos Vampiro de Almas trabalha com vários elementos de maneira eficiente. Não é à toa que é figurinha carimbada em listas de melhores filmes de ficção científica.
8/10

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3 comentários sobre “Crítica: Vampiros de Almas (1956)

  1. Já disse aqui algumas vezes que o gênero de ficção científica não é o meu forte como cinéfila. Por isso mesmo, tenho aprendido bastante com os seus posts sobre esse tipo de filme.

    1. é o meu gênero preferido, sem dúvida!! o objetivo dessas dezenas de post é fazer um top 20 em breve! tô assistindo vários filmes celebrados do gênero que nunca tinha visto e assistindo novamente os que eu já conhecia e gosto… foi um projeto que decidi seguir ao longo do ano, achava que não ia dar conta, mas tá dando certo

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