Crítica: O Homem da Máfia (2012)

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O diretor Andrew Dominik demonstrou extrema competência em seu trabalho anterior, o épico-western O Assassinato de Jesse James e agora, cinco anos depois, acerta novamente neste perturbador e artístico O Homem da Máfia.
Dois bandidos de qualidade duvidosa assaltam uma casa de pôquer recheada de pessoas conectadas com a máfia. Não demora muito e os mafiosos colocam Jackie (Brad Pitt), um matador de aluguel, em busca dos assaltantes. O que mais chama a atenção aqui não é a história em si, mas sim a maneira como ela é contada, com um apuro técnico invejável e um time de atores do mais alto calibre.
Algo que pode afastar o público de O Homem da Máfia é o excesso de diálogos. Na maior parte do tempo eles funcionam bem, inclusive oferecendo inesperadas doses de humor negro, mas existem alguns monólogos que apenas nos levam ao tédio, como os de James Gandolfini. Apesar de considerar Gandolfini um grande ator, seu personagem simplesmente não diz a que veio. Chega um momento em que não aguentamos mais vê-lo bebendo mais uma dose e nem falando sobre suas aventuras sexuais. Infelizmente, as cenas com ele quebram o ritmo de uma maneira irritante.
O Homem da Máfia não é um filme de ação, mas isso não quer dizer que não seja violento. Andrew Dominik cria aqui uma das cenas de espancamento mais brutais do cinema. É uma sequência chocante, com bastante sangue e efeitos sonoros que potencializam os socos, nos causando desconforto e nos dando pena de quem está levando a surra. Outro momento memorável é o assassinato em câmera lenta, que não só aumenta o efeito dramático da situação, como também adiciona contornos de poesia visual para a situação.
Para deixar tudo mais interessante, há uma contundente crítica social contra os Estados Unidos. Ao longo do filme vemos alguns pronunciamentos de Barack Obama e de outras figuras políticas durante a crise financeira na época das eleições presidenciais de 2008. Na última cena conseguimos entender plenamente o propósito de tudo isso. Que bela maneira de encerrar um grande filme!
8/10

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2 comentários sobre “Crítica: O Homem da Máfia (2012)

  1. FILME PÉSSIMO, MUITO VIOLENTO! A TRILHA SONORA É UM CONTRAPONTO PARA A EXTREMA VIOLÊNCIA DAS MORTES. DIÁLOGOS INTRAGÁVEIS!!! O FILME NÃO ACRECENTA EM NADA, A NÃO SER NO FINAL, COM A MELHOR FRASE DO FILME (ALIÁS, A ÚNICA QUE SE SALVA…)

  2. Grande filme mesmo!
    Fui surpreendido pela violência excessiva, mas creio que esse era o objetivo do diretor e, considerando isso, elas são eficientes.
    Os personagens são muito bem construídos e interpretados.
    É incrível como acabamos nos identificando (até certo ponto) justamente com o personagem do Brad Pitt, o mais centrado de todos. Mas nenhum deles é santo.
    Ele é quase um “orelha”, o personagem que enxerga a história com a visão “de fora”, quase como um expectador.
    E é incrível também como os bandidinhos do início do filme soam como os grandes brutos no início do filme, mas na verdade são os mais ingênuos e perdidos da história.
    A cena final é espetacular! Se só essa cena fosse boa no filme, ainda sim valeria o ingresso!

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