Crítica: As Aventuras de Pi (2012)

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Muitos consideravam o livro Life o Pi, do escritor espanhol Yann Martel, impossível de ser adaptado para o cinema. O cineasta Ang Lee provou que quem achava isso estava errado. Vivemos em um mundo onde a tecnologia já avançou tanto que não faz sentido dizer que um livro não pode ganhar sua versão nas telonas. Se a obra vai manter a qualidade aí já é outra conversa. Para alegria dos fãs do livro e dos cinéfilos em geral, As Aventuras de Pi é um dos grandes filmes de 2012.

Uma curiosidade: O autor Yann Martel afirmou que se inspirou no livro Max e os Felinos, do falecido escritor brasileiro Moacyr Scliar. Um ponto interessante é que Martel não havia lido o livro e sim uma crítica do mesmo. Espero poder ler ambos um dia e comparar.

Ang Lee inicia o filme com cenas que mostram diversos animais, nos convidando a admirar esses seres espetaculares em cada detalhe.

As Aventuras de Pi conta a fantástica história do jovem indiano Pi Patel, que ficou no mar por meses na companhia do tigre de bengala que atende pelo nome de Richard Parker. Pi, sua família e vários animais do zoológico que possuíam, estavam em uma viagem rumo ao Canadá quando o navio que os transportava naufragou. A sequência do desastre marítimo é filmada com muita competência por Ang Lee, com o auxílio de efeitos especiais de primeira ele deixa a situação ainda mais aterrorizante, digna de um pesadelo.

A provação de Pi no mar nos é apresentada na forma de um flashback, já que vemos o Pi adulto contando sua história para um jovem escritor. Como já sabemos de antemão que ele vai sobreviver ao naufrágio, a tensão pode diminuir em alguns momentos, mas isso está longe de atrapalhar a experiência como um todo.

As reflexões sobre a fé são pontos muito importantes aqui. Quando criança, Pi decidiu seguir as crenças de três religiões: cristianismo, hinduísmo e o islamismo. Uma das mensagens que o filme passa é que não existe religião certa ou errada, como um personagem diz: “Você conhece Deus a partir da religião na qual ele é apresentado a você”.

Mas não é só a fé religiosa que é abordada. Para Pi conseguir sair vivo dessa situação, ele vai precisar ter fé na sua própria sobrevivência e botar para fora a sua força interior, algo que só é possível graças a ameaçadora companhia do tigre Richard Parker. A relação dos dois é que faz As Aventuras de Pi ser tão interessante, além, é claro, do visual que explora de maneira poética o gigantesco oceano, com todas as suas belezas e perigos.

Se existe uma falha ela está no desfecho, quando Pi conta uma outra versão para a história. Tenho certeza que se essa versão fosse encenada, tudo ficaria mais interessante e menos anticlimático.

As Aventuras de Pi transmite suas mensagens de teor religioso e humano com eficiência, em uma experiência que se revela rica não apenas no aspecto técnico.
8/10

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6 comentários sobre “Crítica: As Aventuras de Pi (2012)

  1. Cara, esse final de ano tem sido corrido e ainda não pude ver Pi. Espero fazer essa semana ainda. Gostei muito da sua crítica, aumentou minha vontade de assistir. Abração!

  2. Como muitos não tive oportunidade de assistí-lo ainda em 2012, mas que bom que ainda ficou em cartaz mais alguns dias. Gostei bastante do filme, da história, do visual e dos efeitos especiais.

    Faltou apenas um final mais “PUNK”, do tipo: chorem maricas. Mas não rolou hehehe.

    Scliar já li alguns de seus livros, mas esse no qual Yann Martel diz ter se inspirado também não.

    1. rapaz eu tava torcendo para aquele safado do tigre dar uma olhadinha pro Pi… pra emocionar mesmo, mas depois pensando bem achei que foi a melhor maneira da acabar a parada

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