Crítica: Indomável Sonhadora (2012)

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A Indomável Sonhadora impressiona em vários aspectos. Algo que chama a atenção logo de cara é que as três pessoas que fazem o filme funcionar eram estreantes no cinema: a garota Quvenzhané Wallis e Dwight Henry fazem aqui os seus primeiros papéis e o diretor Benh Zeitlin só havia dirigido curtas até então.

Somos apresentados a uma comunidade que vive na extrema pobreza em um local chamado  “A Banheira”, que pode ser inundada a qualquer momento e sumir do mapa. Essa região representa as áreas ribeirinhas do Lousiana que foram muito afetadas pelo furacão Katrina em 2005.

As primeiras cenas já mostram como o grau de pobreza ali é perturbador. Parece que um caminhão passou por cima da casa da garotinha Hushpuppy e do pai Wink, que moram em espaços separados. Tudo é muito sujo, bagunçado, falta comida e eletrodomésticos, mas sobra bebida. Todos na região aparentemente afogam as mágoas no álcool, principalmente o pai de Hushpuppy, que insiste em dizer que tem tudo sob controle.

Talvez o ponto mais forte do filme seja a relação entre Hushpuppy e o pai, que quer ensiná-la a ser forte e a sobreviver naquele mundo, mesmo que em algumas situações ele se utilize de brutalidade física e psicológica para fazê-la entender. Dwight Henry tem uma atuação primorosa, mas é claro que a força maior do filme está na surpreendente Quevenzhané. Não há como não se contagiar com a capacidade de interpretação da garota, que merecidamente foi indicada ao Oscar de melhor atriz.

Para reforçar que estamos vendo a trama a partir ponto de vista da garota, o diretor aposta em uma câmera tremida e em ângulos que fogem do comum. O filme mantém o nosso interesse durante todo o tempo, até mesmo quando investe em aspectos fantasiosos, algo que poderia parecer fora de lugar. A trilha sonora também merece elogios com acordes que transmitem energia e ainda mais emoção.

Chega quase a ser um milagre cinematográfico o fato de três ilustres desconhecidos serem os responsáveis por essa bela historia. Acho que isso se chama talento.

Não tenho dúvidas que estamos diante de um dos melhores lançamentos do cinema em 2013 no Brasil.
9/10

/curta a fanpage do intratecal, se aprouver…

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12 comentários sobre “Crítica: Indomável Sonhadora (2012)

  1. Também gostei do filme, mas gostaria de rever. Digo isso, porque acredito que o filme tem umas camadas metafóricas sobre natureza e tal, até por aqueles animais que aparecem e a menina tb trata os humanos como “animais”. Enfim, é mesmo um belo filme.

  2. Minhas expectativas só crescem, acredito muito que este filme irá me encantar de verdade… Realmente chega a perturbar ver um diretor novato, e uma menina e um homem naturais da região afetada pelo Katrina, ganharem prêmios em Sundance, Cannes e agora chegarem tão fortes ao Oscar.
    Já ouvi até pessoas cravando a vitória de BEASTS OF THE SOUTHERN WILD sobre LINCOLN.
    Um abraço…

  3. “Chega quase a ser um milagre cinematográfico o fato de três ilustres desconhecidos serem os responsáveis por essa bela historia. Acho que isso se chama talento.

    Não tenho dúvidas que estamos diante de um dos melhores lançamentos do cinema em 2013 no Brasil.”

    Onde assino?

    Esse filme, feito na raça e com vontade, é uma explosão de sensibilidade e criatividade. Ouso dizer que é um dos melhores que já vi, independentemente de ano.

  4. Indomável Sonhadora é um grito selvagem à ingenuidade dos animais. Talvez esse filme só desse certo mesmo com três novatos. Os outros já estão carregados por um sentimento mais nobre, esses carregam certa descoberta nas costas e coroam isso com belas atuações.

  5. Chorei muito, a primeira frase é exatamente o que sinto ‘devemos escutar os corações para entender o mundo ao redor’, ou algo assim.

  6. Assisti ao filme sem saber de onde era a produção nem onde se passava o filme; confesso que fiquei surpreso ao saber, DEPOIS de vê-lo, que se passa nos EUA! Independente de onde passe (apesar de que, seria interessante deixar claro onde se passa a história), o roteiro é bem intencionado, mas confuso, muitas situações não ficam claras se são fantasia da menina ou situações reais, o relacionamento com o pai no início não é muito claro (fantasia ou realidade da menina?), onde exatamente estão e o que ocorre no local também deixa a desejar; as sequências de cenas são frouxamente interligadas, sem muita clareza. Enfim, de boas intenções o céu tá cheio, mas a realidade…

    1. Se quer um filme que paternalize o espectador, vá assistir um Blockbuster da vida, esse tipo de filme -maravilhoso por sinal- só se realiza com a participação ativa do intelecto daquele que o recebe, os fatos não vêm (e não devêm!) mastigados.

  7. Um belo filme. Nos envolve do inicio ao fim. A relação da menina com todos os seres da natureza é algo que nos faz refletir…Alias, o filme todo nos leva a refletir… vale a pena rever.

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