Crítica: Lincoln (2012)

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Engana-se quem acha que Lincoln é algum tipo de cinebiografia tradicional, daquelas que exploram as mais diversas fases da vida do personagem principal. O que o filme nos mostra é um período específico da História americana, algo que dura poucos meses e que basicamente só trata de uma coisa: a luta verbal para que a 13ª emenda (abolição da escravatura) fosse aprovada.
Tudo é muito bem recriado. Cada detalhe ganha grande importância para Spielberg, que faz deste filme uma experiência impecável em termos técnicos. A escolha dos atores também foi muito feliz, com nomes respeitadíssimos e em ótima forma, como Tommy Lee JonesJoseph Gordon-Levitt, isso sem falar no incrível Daniel Day-Lewis, que parece trazer Lincoln de volta a vida.
Apesar de todos esses acertos digo que me decepcionei bastante. Sou um admirador da história americana, mas me faltou uma conexão afetiva com o que eu estava vendo para relevar o excesso de diálogos cansativos e até maçantes. Claro que existem momentos inspirados, afinal estamos diante de grandes atores fazendo seus trabalhos, mas claramente falta algo. Durante quase duas horas vemos políticos tentando convencer outros políticos utilizando os mais diversos meios para tal e só. Fiquei torcendo para mais alguma cena de batalha e para mais momentos intimistas com Lincoln e sua família, mas o roteiro prefere mesmo focar nos debates políticos sem fim.
É de se espantar o fato de Spielberg não aproveitar esta intrigante figura histórica para nos emocionar de alguma forma. Achei que isso aconteceria pelo menos no ato final, mas o diretor toma uma estranha escolha ao retratar a morte do personagem, eliminando qualquer esperança que eu tinha de me comover. Pena.
É perfeitamente possível entender os motivos que levaram os americanos a amarem tanto este filme, mas a verdade é que ele dificilmente vai ter o mesmo impacto para o público de outros países. Convenhamos, se levar o Oscar não vai ser nada merecido, afinal concorrentes como Argo, As Aventuras de Pi, Amor e A Indomável Sonhadora são bem superiores.
7/10

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5 comentários sobre “Crítica: Lincoln (2012)

  1. Pelo que acompanhei na época de lançamento, “Lincoln” agradou quase 100% dos críticos estadunidense. Mas chegou no Brasil, muitos outros apontaram vários deméritos.
    Mas depois de “Cavalo de Guerra”, o que Spielberg fizer é lucro rs. Sigo curioso também.

    Abs.

  2. Era de se esperar que existisse menos furor com o filme em terras brasileiras, contrastando com as críticas extremamente positivas que LINCOLN recebeu lá fora. Ainda tenho muita curiosidade com o filme (como você, também conheço e admiro este período da História americana, mas espero me envolver mais). Sei que se trata de um filme mais duro, sem muita emoção (algo que estamos acostumados e gostamos na filmografia de Spielberg), o que me deixa vacinado de antemão. Quem sabe eu não aprecie mais?
    Um abraço!

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