Nosferatu (1922)

nosferatu-1922-posterMesmo alterando o nome dos personagens e dos locais onde a trama se passa, o diretor F.W. Murnau foi acusado de adaptar para o cinema o livro Drácula, de Bram Stoker, de maneira ilegal. Como punição, todos as cópias de Nosferatu deveriam ser destruídas. Sorte a nossa que muitas sobreviveram.

É claro que Nosferatu é a história do Conde Drácula, só que com algumas modificações. Por exemplo, ao invés de Drácula temos o Conde Orlock, a cidade é Wisborg e o professor Van Helsing tem uma participação irrelevante, ao contrário do livro.

O filme transformou-se em um clássico do cinema mudo tanto pelo visual marcante e pela atmosfera carregada, como também pelo fato de ter sido o primeiro exemplar de um gênero muito amado e explorado. Muito da mitologia dos vampiros está aqui, como a aversão a luz do sol e a incontrolável sede de sangue.

Convenhamos, o filme está longe de assustar e chego a duvidar que tenha assustado alguém mesmo em 1920, mas a figura do Conde Orlock é realmente perturbadora. O ator Max Schreck encarna o personagem de maneira intensa. Todas as cenas em que ele aparece transmitem um magnetismo impressionante, algo que se deve a atuação de Schreck e também a composição do Conde Orlock que mais parece uma mistura de rato, morcego e homem. A careca pálida, as mãos retorcidas, os dentes pontiagudos, os braços junto ao corpo e um olhar ameaçador são alguns dos detalhes.

Pena que alguns atores exageram no overacting, como é o caso de Gustav von Wangenheim, que faz do “herói” um ser patético e saltitante.

O ritmo cai um pouco na segunda metade, mas melhora nos últimos minutos, principalmente na cena final, quando o suspense atinge o ápice.
8/10

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4 comentários sobre “Nosferatu (1922)

  1. Bruno, entrei no clima do filme desde a primeira cena. E olha que raramente gosto de filmes antigos, mas a direção de Murnau e a interpretação de Max Schreck são impecáveis. Bom domingo!

  2. Pois é, ele não conseguiu os direitos do livro e tentou mascarar a cópia, hehe. De qualquer forma é uma filme que gosto bastante. A cena dele entrando no quarto da mocinha mesmo, é assustadora. Um clássico.

  3. Muito legal o texto, Bruno! (não sabia do negócio das cópias serem destruídas x-x que tristeza).

    “Muito da mitologia dos vampiros está aqui, como a aversão a luz do sol e a incontrolável sede de sangue.” Então, parece que algumas coisas – como a aversão à luz do sol – foram inseridas por conta de limitações técnicas da época, e daí viraram meio mitologia vampiresca! Muito legal!

    Em relação ao overacting, a gente tem que dar um desconto, porque era o comum para a época. Era preciso usar o overacting numa época em que a imagem não era tão minuciosa, e principalmente, que não tinha som (no cinema mudo, o interpretar era quase uma “mímica”).

    1. Oi Juliana!

      Não sabia desse detalhe em relação as limitações técnicas… há males que vem para bem! hehe

      Quanto ao overacting, concordo totalmente! Mas é que nesse caso específico acho que houve um exagero por parte do ator. Nada que atrapalhe o filme como um todo, é claro!

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