Crítica: Branca de Neve (Blancanieves, 2012)

blancanieves-2012

Apesar de sua essência ser o conto de mesmo nome concebido pelos irmãos Grimm em 1820, este Branca de Neve afasta-se bastante do desenho da Disney que todos conhecemos. Antes de tecer comentários sobre a trama de autoria do diretor e roteirista Pablo Berger, julgo necessário dizer que trata-se de um filme mudo e em preto e branco. Pois é. Parece que o vencedor do Oscar O Artista inspirou alguns cineastas a fugirem do lugar comum e arriscarem um pouco mais. É sempre um alívio saber que nem só de blockbusters que o cinema é feito.

A opção de Pablo Berger por um filme sem diálogos e em preto e branco realça a beleza do que contemplamos na tela. Cada frame merece ser admirado pelo imenso requinte estético. Mas sou da opinião que não se deve investir nos aspectos técnicos em detrimento de uma história envolvente. E é justamente uma história envolvente que nos oferecem em Branca de Neve.

Durante uma tourada, o experiente Antonio Villalta comete um erro e é atingido pelo touro. Sua esposa se desespera com a situação e dá início a um trabalho de parto complicado que culmina em sua morte. Antonio Villalta fica em uma cadeira de rodas e rejeita a criança, que passa aos cuidados da avó. Anos depois, com a morte da avó, Carmencita é enviada para morar com o pai, agora casado com a interesseira e manipuladora Encarna. A garota sofre nas mãos de Encarna, tendo que viver em um porão mal-iluminado e cheio de ratos, além de ter que trabalhar de maneira forçada todos os dias.

Falar mais da história pode atrapalhar um pouco a experiência, mas fiquem tranquilos. Branca de Neve não é Branca de Neve sem os anões e eles estão aqui!

A ousadia das escolhas técnicas de Pablo Berger potencializam o lirismo da trama, permitindo que a emoção tome conta em vários momentos. Ajuda também o fato de os atores evitarem o overacting, algo que fez alguns exemplares do cinema mudo do início do século passado envelhecerem mal. Para completar, o ritmo do filme é dinâmico, o que não se deve apenas à qualidade do roteiro, mas também à trilha sonora legitimamente espanhola e à montagem inteligente.

Branca de Neve é magia pura. É o cinema mostrando que não recebeu o nome de sétima arte à toa.
9/10

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3 comentários sobre “Crítica: Branca de Neve (Blancanieves, 2012)

  1. Segunda crítica muito favorável a “Blancanieves”. Bruno, acho que, desprezando a ordem cronológica, hoje em dia o Cinema é a Primeira, a Melhor das Artes, que continua viva, sintetizando outras, emocionando e inovando!

  2. Um bom filme até os 45 do segundo tempo. Aí, o diretor resolve dar uma de “diva”, aparecer mais do que deveria, e nos entrega aquele final de merda. Francamente… Nota zero.

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