Crítica: Amor Bandido (Mud, 2012)

matthew-mcconaughey-mudO diretor Jeff Nichols havia me impressionado bastante com o ótimo O Abrigo em 2011, portanto minhas expectativas para esse trabalho eram grandes. Já adianto que elas foram correspondidas em sua totalidade.

Três materiais diferentes vieram a minha mente enquanto assistia a Amor Bandido: O filme Indomável Sonhadora, pelos cenários que exploram o rio Mississipi e a atmosfera do sul dos Estados Unidos, o livro As Aventuras de Huckleberry Finn de Mark Twain e, também, o clássico da sessão da tarde Conta Comigo, principalmente pelo espírito aventureiro e pela presença de adolescentes em processo de amadurecimento como personagens principais.

Os garotos Ellis e Neckbone, moradores de uma região ribeirinha do sul dos Estados Unidos, desbravam o rio Mississipi e seus afluentes e vão dar em uma pequena ilha deserta. Lá encontram um barco em cima de uma árvore, algo que os fascina imensamente. Eles decidem se apropriar dele, mas dão de cara com Mud (Matthew McConaughey), um homem misterioso que afirma ser dono do barco.

Ellis parece hipnotizado por Mud, um fugitivo se escondendo da polícia e de caçadores de recompensa. Seu crime foi assassinar um homem que passou dos limites com Juniper, o amor de sua vida. Mud pede ajuda para completar a fugar e reencontrar a garota. Ellis decide ajudar pois trata-se de um verdadeiro romântico e Neckbone está interessado em um revolver como recompensa.

Jeff Nichols mostra competência ao nos deixar totalmente imersos naquele mundo belo e potencialmente perigoso. Com uma direção segura e calma, ele nos apresenta a vários personagens interessantes que ganham vida graças a qualidade dos atores. Os destaques ficam por conta de Matthew McConaughey e do garoto Tye Sheridan, em apenas o seu segundo trabalho no cinema. A química dos dois é notória, nos permitindo acreditar facilmente na forte amizade entre Ellis e Mud.

Trata-se de uma história de amadurecimento através das descobertas do amor. Para Ellis o amor verdadeiro é algo extremamente importante. A iminente separação de seus pais o abala bastante emocionalmente, então fazer com que Mud e Juniper se reencontrem torna-se o seu grande objetivo. Ele quer uma comprovação de que o amor perfeito existe e acha que a união dos dois servirá para isso. Com o tempo, o garoto vai descobrir que a vida e o amor guardam surpresas.

Amor Bandido é uma experiência completa, pois nos oferece um magnífico visual e uma história repleta de significados e, por que não dizer, de alma. A única coisa que destoa um pouco é o ato final, que parece nos transportar para algum filme de ação de Hollywood. É uma pena que tenham optado por uma sequência assim, mas na realidade ela não tira o brilho de tudo o que vimos antes.
9/10

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2 comentários sobre “Crítica: Amor Bandido (Mud, 2012)

  1. Acho que foi o primeiro filme que vi no qual uma criança, digo, um adolescente se vê diante de decepções amorosas inseridas na história com complexidade e maturidade. É um filme sobre heartbreak, sentido precocemente na pele. Houve quem chamou o filme de misógino, mas isso é absurdo, pois a visão do roteiro para as mulheres do filme não é simplista.

    Só não curti o moleque metendo a mão na cara de todo mundo kkkk. Na continuação ele deverá ser boxeador.

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