Crítica: Sem Dor, Sem Ganho (Pain & Gain, 2013)

pain-and-gain-2013Por mais absurdo que possa parecer, Sem Dor, Sem Ganho é baseado em uma história real, algo que o letreiro do filme faz questão de nos avisar duas vezes. Daniel Lugo (Wahlberg) é um marombeiro que acredita em malhar e também no sonho americano. Ele é um tipo de gerente de academia, tem um bom salário, mas quer mais do que apenas pagar as contas no fim do mês. Pelo voice-over do início já temos uma ideia de quem é este personagem, que tem como heróis Vito Corleone, Scarface e Rocky e que trata com má vontade a todos os alunos que “desperdiçam os seus dons”.

Daniel Lugo tem um plano para mudar de vida: encontrar um cliente rico, sequestrá-lo e extorqui-lo. Para tanto, vai precisar da ajuda de alguns comparsas e na própria academia ele seleciona dois fisiculturistas mais burros do que ele mesmo.

Muitos críticos possuem uma verdadeira aversão ao diretor Michael Bay e de sua carreira duvidosa. Particularmente, acredito que cada filme deve ser avaliado pelo o que ele é, deixando o passado do diretor de lado. Este Sem Dor, Sem Ganho é uma experiência incrivelmente divertida. São várias as cenas genuinamente cômicas, com um pé no humor negro e às vezes até beirando o surreal.

Com direção e edição ágeis, o filme jamais perde o ritmo. São sucessões ininterruptas de sequências bizarras que nos fazem rir, com direito a uma discussão sobre suplementação com leite materno e um bombadão impotente. Isso sem falar nas decisões idiotas que os três sempre tomam quando vão cometer os crimes.

Podemos reclamar do excesso de narrações em off, afinal isso faz o filme perder o foco em alguns momentos. Piadas de mal gosto também estão presentes, mas na maioria das vezes elas funcionam. Faltou um pouco de tato ao contar uma história real dessa maneira cômica, ainda mais pelo fato de tudo ter ocorrido há pouco tempo. Este material poderia gerar um filme com um preso dramático em mãos mais talentosas.

De qualquer forma, Sem Dor, Sem Ganho deve ser enaltecido por jamais tentar ser mais do que é. Trata-se de uma sátira recheada de um humor agressivo e eficiente, capaz de realmente divertir ao longo de suas duas horas. Nunca nos aproximamos emocionalmente dos “marombeiros ninjas”. Eles são criminosos e o roteiro deixa isso bem claro. Não há chances para redenção. Eis uma história de quem pegou a própria vida e a jogou no ralo.
7.5

Ficha do filme no Adorocinema

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4 comentários sobre “Crítica: Sem Dor, Sem Ganho (Pain & Gain, 2013)

  1. Gostei muito de “A Ilha” e “A Rocha”. Dos outros filmes de Michael Bay sequer me lembro. Pelo que você escreveu, Bruno, acho que vou gostar de “Sem Dor, Sem Ganho”.

  2. Excelente crítica man, concordo inclusive com a nota data e você falou muito bem, cada filme deve ser analisado por ele mesmo e não pelo histórico do diretor (ou quem quer que seja) afinal, se fosse pelo histórico Bay deveria ficar suspenso do cinema por mais alguns anos depois dos dois últimos Transformers.

    Gostei da forma como o filme não se leva a sério e do humor negro que possui nele. Bem divertido e, para mim, uma surpresa.

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