Crítica: Elysium (2013)

elysium-2013O diretor sul-africano Neill Blomkamp chamou a atenção com Distrito 9 em 2009, com direito a indicação ao Oscar de melhor filme. Dessa vez, com o orçamento hollywoodiano de 115 milhões de dólares, ele concebe um visual ainda mais arrebatador, carregando Elysium com efeitos especiais de altíssimo nível.

O ano é 2154 e o mundo enfrenta uma desigualdade social estratosférica. 99% da população vive na Terra, que não é mais do que um lixão a céu aberto. Tudo é muito sujo e superpopulado. No meio do povo existem andróides que fazem um policiamento opressor. Os serviços de saúde são outro problema, com hospitais abarrotados e sem estrutura, com os pacientes espalhados pelo chão dos corredores (alô, Brasil!).

Já o 1% restante vive em uma estação espacial chamada elysium, onde tudo é branco, clean e os habitantes contam com uma máquina capaz de curar doenças e reconstruir qualquer tecido do corpo. Se os imigrantes se aproximam, são recebidos a míssil.

Essa situação torna-se ainda pior pelo fato do povo da Terra conseguir enxergar elysium diariamente, bastando olhar para cima. É o sonho inalcançável.

Max (Matt Damon) sofre um acidente de trabalho, lhe restando agora só 5 dias de vida. Sua única esperança é fazer a viagem até lá em cima e utilizar uma dessas máquinas milagrosas. Para tanto, vai precisar executar um serviço complicado para Spider (Wagner Moura). É algo que envolve sequestrar um figurão de elysium e absorver todos os segredos que estão guardados no cérebro dele.

A crítica social é forte no cinema de Blomkamp e o público só tem a ganhar com isso. Nos trinta primeiros minutos nos encantamos com esse futuro distópico construído de maneira exemplar, cheio de detalhes e de perigos. O humor também é um aspecto forte nesse início, principalmente nos diálogos entre Max e um certo oficial de condicional.

Mas quando eu achava que estava diante de um candidato a clássico sci-fi, as coisas mudam de rumo. A partir de dado momento o que vemos é apenas ação, ação e mais ação. Não me entendam mal, a ação é de qualidade. Blomkamp é um gênio em termos visuais. Ele utiliza ângulos diferenciados, um ritmo frenético e de vez em quando câmera lenta e planos abertos para termos a visão do todo. Sempre com bastante energia. Pode-se dizer que há um exagero na câmera tremida, mas nada que atrapalhe. O problema é que o filme se concentra tanto na ação que a parte mentalmente estimulante é deixada de lado.

A primeira parte de Elysium beira a perfeição. É uma pena, portanto, que após um começo inteligente e intrigante, o roteiro nos ofereça um filme de ação convencional, com o batido confronto entre o herói e o vilão, além de uma resolução simplista e apressada.

A previsibilidade e o excesso de situações abordadas também incomodam. É muita coisa para pouco tempo.  O potencial de Elysium era enorme. O que poderia ser um marco do gênero, se transformou em um blockbuster um pouco acima da média. De qualquer forma, podemos ter certeza de que Blomkamp tem muita coisa boa a oferecer.
7/10

Info: Adorocinema

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6 comentários sobre “Crítica: Elysium (2013)

  1. Que pena, estava cheia de esperanças com Elysium… Mas um 7 certamente merece uma conferida. Diante das previsões catastróficas que artistas e cientistas fazem para o futuro na Terra, fica-se apreensiva pelas criancinhas que nascem agora.

  2. Pelo visto, “Elysium” é uma decepção. Isso é uma unanimidade entre as críticas que tenho lido. Particularmente, acho o trabalho de Neill Blomkamp em “Distrito 9” muito irregular. Não esperava muita coisa desse filme, então. De todo jeito, vou assistir para prestigiar o Wagner Moura e a Alice Braga.

  3. Concordo que o excesso de ação pode ter comprometido a qualidade de Elysium….
    E de fato, o começo do filme é muito bom, mas ele não consegue manter o mesmo nível com o passar do tempo…
    Parabéns pelo texto!

  4. Assino em baixo de cada parágrafo, Bruno! Fui conferir na segunda-feira e, não fosse pelas poucas imagens do espaço, teria preferido assistir em casa mesmo. Um início promissor e um desenrolar na média dos blockbusters de Hollywood. Me surpreendi agradavelmente com o trabalho da Alice Braga e achei exagerado o desempenho do Wagner Moura.

    1. O Wagner Moura ficou a um passo da caricatura, mas acho que teve um bom desempenho no geral. Já a Alice Braga tá cada vez mais a vontade em Hollywood!

      É uma pena que Elysium não entregou o que prometeu…

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