Crítica: Philomena (2013)

philomena-2013Confesso que ao assistir ao trailer pela primeira vez, encarei Philomena como um dramalhão previsível moldado para fazer bonito no Oscar. Tive imensa alegria em constatar que eu estava errado. Estamos diante de outro grande filme de Stephen Frears, diretor responsável pelos ótimos Alta Fidelidade (2000) e A Rainha (2006).

Baseado em fatos reais, Philomena conta a história de uma senhora de 70 anos em busca do filho que ela não vê há quase 50 anos, tendo, para isso, a ajuda do jornalista Martin Sixsmith, sedento por uma boa história para retomar a carreira.

O passado de Philomena foi trágico. Ela engravidou cedo sem estar casada, algo considerado pecaminoso pelos fervorosos católicos da Irlanda. Ela foi recebida em um convento durante a gestação e por mais quatro anos, período em que deveria trabalhar praticamente como escrava. Ela podia ver o filho durante um curto período do dia, isso até o momento em que as freiras o venderam para um família americana. O filme nos revela uma prática doentia e comum na Irlanda de antigamente, um verdadeiro crime da igreja católica.

Philomena e Martin partem para uma viagem aos Estados Unidos à procura do filho dela. Podemos esperar por algumas surpresas e revelações, mas principalmente por uma excelente química entre os personagens principais. Martin sempre se mostra respeitoso para com Philomena, ainda que ele faça alguns comentários um tanto irônicos em alguns momentos, inclusive expondo seu ateísmo. Apesar do material ser essencialmente triste, o diretor Stephen Frears investe em uma abordagem mais leve, com doses não exageradas de humor e acerta em cheio.

É inevitável não nos comovermos em algumas cenas e a bela atuação de Judi Dench é a grande responsável por isso. Jamais me senti manipulado durante a sessão. Philomena emociona de uma maneira sincera e autêntica. Esta é uma experiência das mais agradáveis e equilibradas que o cinema ofereceu recentemente. Uma mistura perfeita de drama e comédia.
9/10

Título original: Philomena
País: Reino Unido/Estados Unidos/França
Ano: 2013
Direção: Stephen Frears
Roteiro: Steve Coogan, Jeff Pope
Duração: 98 minutos
Elenco: Judi Dench, Steve Coogan, Sophie Kennedy Clark, Michelle Fairley

Um comentário sobre “Crítica: Philomena (2013)

  1. Isso é o mais incrível em Philomena, um filme que tinha tudo para ser um dramalhão piegas e manipulável, mas consegue ser um drama digno e envolvente do princípio ao fim. Adoro.

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