Crítica: Cidadão Kane (1941)

cidadao-kaneCidadão Kane é um filme que jamais me enjoa, pois além de se tratar de uma excelente única em termos de cinema, a cada assistida acabo descobrindo algum detalhe novo que havia passado despercebido. A história é bem conhecida: o milionário Charles Foster Kane morre na primeira cena, logo após dizer a enigmática palavra rosebud. Um jornalista vai entrevistar algumas pessoas que fizeram parte da vida de Kane, tentando descobrir o significado dessa palavra e assim poder entendê-lo melhor.

Logo no início acompanhamos um hipnótico resumo da vida deste magnata da imprensa, que saiu do nada e transformou-se em um multiplicador de opiniões, dono de diversos jornais, rádios e afins. Trata-se de um personagem que fascina não só pela atuação de Orson Welles, mas também pelo fato de muita coisa ser baseada na vida de William Randolph Hearst, que tentou de todas as formas boicotar o filme na época de seu lançamento.

Os entrevistados revelam alguns segredos de Kane e aí temos a oportunidade de formar uma opinião sobre ele. O mistério envolvendo a palavra rosebud é resolvido apenas na última e antológica cena. Ver a palavra no trenó nos faz pensar que no momento derradeiro, Kane relembrou a época em que era feliz de verdade. De maneira não muito sutil, o roteiro bate na tecla de que montanhas de dólares não necessariamente trazem felicidade.

O que mais impressiona em Cidadão Kane é a fotografia ousada de Gregg Toland. Explorando o preto e branco como poucos, Toland faz de cada frame algo extremamente belo. Temos aqui movimentos de câmera e enquadramentos que chamam a atenção, além do uso do deep focus, técnica que permite que todos os planos sejam focalizados.

E o que falar de Orson Welles? Com total liberdade de criação e apenas 25 anos de idade, foi capaz de criar um dos filmes mais admirados de todos os tempos. Clássico absoluto.
10/10

5 comentários sobre “Crítica: Cidadão Kane (1941)

    1. é um dos filmes mais estudados e comentados de todos os tempos. meu texto não adiciona nada de diferente, mas queria ter o registro dele aqui no blog! obra-prima.

  1. Além da explicação sobre o nome do trenó, foi a lembrança de uma fotografia magnífica o que me ficou do filme. O resto, o tempo levou…

  2. É um filme que não canso de rever também, uma aula de cinema e de comunicação. A fotografia é mesmo impressionante, a forma como trabalha a profundidade de campo, as sobreposições. Fora todas as experimentações no roteiro e na montagem. Um clássico, sem dúvidas.

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