Crítica: A Vizinhança do Tigre (2014)

a-vizinhanca-do-tigreMistura de documentário e ficção, A Vizinhança do Tigre mostra a realidade de alguns jovens da periferia de Contagemregião metropolitana de Belo Horizonte. Somos apresentados a Neguinho, Menor, Juninho e Eldo, cada um enfrentando dilemas particulares e todos sendo vítimas da falta de perspectiva de um futuro melhor. Em dado momento do filme, o personagem Eldo diz que, antigamente, pichava muros para passar o tempo e fazer o tempo passar é praticamente a única coisa que eles fazem.

Acompanhamos os garotos Neguinho, Menor e Juninho fumando maconha, usando crack, tendo conversas com um linguajar bem específico e pesado, mas sinceras, evidenciando uma forte camaradagem. O público chega a dar gargalhadas com as atitudes deles e com os diálogos bem naturais, como quando Neguinho diz “no primeiro dia de aula eu não vou não, fi…” ou ao chamar Menor de “demônio” quando este faz uma bizarra maquiagem com um corretivo.

O que o futuro reserva para eles? O filme não faz julgamentos, mas nos faz pensar sobre as possibilidades destes jovens. Um deles até trabalha, o problema é o salário diminuto. É interessante perceber que eles almejam algo melhor, ou, pelo menos, mostram sua indignação com a situação quando cantam algumas músicas. Temos um pouco de alento com a sequência de um casamento, porém a realidade (como a falta de dinheiro e as drogas) não demora a reaparecer.

A Vizinhança do Tigre é um trabalho honesto, visceral, feito com raça. De maneira surpreendente, nos diverte e nos perturba na mesma medida e ainda impulsiona reflexões. Mais um brilhante exemplo da qualidade de nosso cinema.
8.5/10

 

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