Crítica: Amantes Eternos (2013)

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Amantes Eternos é um tipo diferente de filme de vampiro. Aqui não há espaço para romance meloso no estilo Crepúsculo e também temos poucas cenas de terror e suspense. Trata-se de uma experiência um tanto melancólica, que explora os infortúnios da vida eterna de maneira contundente.

Claro, não se pode negar os benefícios de viver ao longo dos séculos: ler quantos livros quiser, ver o maior número possível de espetáculos e viver um amor verdadeiro para todo o sempre. Mas há algo de errado em uma existência que não seja finita. 

Por mais que Adam tenha vivido intensamente na companhia de Eve, ele tem dificuldades de levantar da cama, parece sempre cansado, com humor deprimido e começando a cogitar o suicídio, sintomas característicos da depressão. 

O enredo foge de qualquer tipo de fórmula. É mais uma experiência que deve ser aproveitada intensamente, tal qual os vampiros fazem quando sorvem o saboroso sangue tipo O negativo. 

Falando em vampiros, a verdadeira essência dos personagens é revelada aos poucos. Eu não sabia que estava diante de um filme do gênero, portanto foi intrigante acompanhar as pistas sobre a real identidade deles, como a preferência pela escuridão, os aparelhos antigos e a compra de sangue no hospital.

Outro ponto interessante são as críticas feitas a sociedade e aos seres humanos em geral. Os vampiros nos chamam de zumbis, acredito que pelo fato de que às vezes fazemos as coisas no piloto automático, sem desfrutar daquilo que temos diante de nós. Percebam como Eve e Adam sentem a beleza das coisas, tanto da natureza como de uma bela performance musical. São coisas que a longa experiência de vida ensina, não é mesmo?

Há ainda espaço para o humor negro, ainda que em pequenas doses. Nesse sentido, o destaque vai para uma cena em que um vampiro lamenta o fato de que hoje em dia não se pode jogar um cadáver no meio do rio, como era feito antigamente com os tuberculosos. 

Amantes Eternos exige um pouco de paciência. É um filme mais contemplativo, mas que, se você permitir, te absorve e te hipnotiza com uma fotografia com cores frias que possibilitam inúmeras sensações, inclusive medo, afinal vampiros podem ser imprevisíveis, mesmo os mais “civilizados”.
8/10

 

Um comentário sobre “Crítica: Amantes Eternos (2013)

  1. Esse é o filme que seja o meu retorno ao nostálgico Caixa Belas Artes. Estou super ansioso por meu retorno.

    Crepúsculo acho que, na minha humilde opinião, suja o nome dos vampiros………Mas, opinião pessoal.

    A fotografia que você cita fria, me instiga.

    Abraços

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