Crítica: Ladrões de Bicicletas (1948)

ladroes-de-bicicletaLadrões de Bicicletas é o maior nome do neorrealismo italiano e também um dos grandes clássicos do cinema mundial. Em 1949 recebeu um Oscar honorário e em 1952 foi considerado o melhor filme de todos os tempos pela revista britânica Sight and Sound. Assim que a palavra “fine” aparece na tela, conseguimos facilmente entender a admiração e o respeito que o filme possui.

Eu assisti ao filme pela primeira vez há 5 anos e posso dizer que a segunda experiência foi ainda melhor. A emoção recebida foi a mesma, mas creio pude absorver alguns detalhes que passaram despercebidos na primeira sessão.

O enredo desta obra-prima de Vittorio De Sica não poderia ser mais simples: Antonio Ricci vislumbra uma possibilidade de melhorar a condição de vida de sua família ao conseguir um emprego como colador de cartazes. Para executar tal tarefa necessita de uma bicicleta, que ele consegue após sua esposa penhorar roupas de cama. Logo no primeiro dia, Ricci tem a bicicleta roubada. Mais do que a bicicleta, roubaram a perspectiva de dias melhores em uma Itália repleta de problemas no período pós-guerra. Ele e o filho Bruno tentarão de todas as formas reavê-la. 

Assim como outros exemplares do movimento neorrealista, Ladrões de Bicicletas traz a tona dramas reais. Para compor o elenco, foram escolhidos não profissionais e o resultado não poderia ter sido melhor. Autenticidade é o que não falta. Somos transportados para aquela sofrida Itália e torcemos para que Ricci e Bruno tenham sucesso na busca. 

São várias as sequências marcantes. A que mais me comove é aquela na qual pai e filho jantam numa pizzaria, mesmo sem terem encontrado a bicicleta. Trata-se de um pequeno momento de fuga e de alegria, mas infelizmente os clientes esbanjadores do local não os deixam esquecer da complicada situação em que se encontram.

Um fato me chamou bastante a atenção. Em alguns momentos, Ricci está tão empenhado na procura pela bicicleta, que às vezes parece não se importar com o próprio filho. É só perceber uma cena em que Ricci sai correndo em disparada e o garoto fica para trás, com dificuldades para atravessar as ruas e quase sendo atropelado. É o desespero, afinal a bicicleta representa a chance de uma vida mais digna.

Ladrões de Bicicleta mistura sensibilidade e rudeza de maneira perfeita. É uma história que jamais perde a força, tanto pela qualidade do diretor e do elenco, como também pela sua natureza atemporal. Temos aqui uma mensagem forte transmitida de maneira poética. Esta é a árdua batalha diária de um herói anônimo, como outros tantos. 
10/10

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