Crítica: O Salário do Medo (1953)

o-salario-do-medo-1Dirigido por Henri-Georges Clouzot e estrelado por Yves Montand, O Salário do Medo é uma aventura cheia de tensão, cujo resultado é totalmente imprevisível. O primeiro ato do filme investe um bom tempo no vilarejo de Las Piedras, localizado em algum lugar da América Latina. Tal localidade se tornou um reduto de estrangeiros sem dinheiro, em busca de qualquer trabalho minimamente decente.

Eis que surge uma oportunidade quando uma empresa americana precisa transportar nitroglicerina até um poço de petróleo que pegou fogo. Trata-se de uma missão praticamente suicida, dada a instabilidade do produto e o longo e tortuoso caminho que quatro pessoas deverão percorrer dirigindo dois caminhões. O pagamento: 2 mil dólares. Seria este o preço de uma vida?

Há quem reclame de uma certa lentidão da primeira parte, porém ela é essencial para desenvolver alguns personagens e ressaltar a precária situação de Las Piedras e seus habitantes. Assim nos envolvemos muito mais com eles e nos importamos com os arcos narrativos, principalmente com o de Jo, que passa de “cabra da peste” para covarde em questão de quilômetros.

Os obstáculos enfrentados tornam-se cada vez mais complicados, nos deixando em dúvida se eles conseguirão alcançar o destino. O suspense se faz presente em cada instante. Não é à toa que Clouzot já foi chamado de Hitchcock francês.

Algumas críticas ao capitalismo também podem ser percebidas, enriquecendo este material que é, na essência, um entretenimento de muita qualidade. Como curiosidade, O Salário do Medo foi o primeiro filme a vencer tanto o urso de ouro em Berlin, como o grande prêmio do festival de Cannes.
8.5/10

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