Crítica: Livre (Wild, 2014)

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Cheryl é uma jovem que decide iniciar uma jornada das mais exaustivas: percorrer a Pacific Crest Trail, uma trilha de cerca de 1.800 quilômetros, desde a fronteira dos Estados Unidos com o México até o Canadá. Antes mesmo de iniciar essa longa caminhada Cheryl já enfrenta dificuldades, como o incrível tamanho de sua mochila, posteriormente apelidada de “Monstro” por outros trilheiros.

A inexperiência e a autocrítica constante proporcionam algumas cenas de humor e também colaboram para criarmos empatia com a garota. Após percorrer alguns poucos quilômetros, ela já precisa lidar com enormes hematomas, dores pelo corpo e medo. Medo não só de animais selvagens e dos sons desconhecidos, mas principalmente de homens que demonstram no olhar suas condenáveis intenções.

A narrativa alterna sequências do presente com ótimos flashbacks, cuja intenção primordial é mostrar os motivos que a levaram a realizar essa empreitada. Percebemos um forte laço emotivo de Cheryl com a mãe, uma mulher que sempre enfrentou as dificuldades tentando olhar para o lado positivo da vida. Após a morte da mãe, Cheryl passou a usar drogas, ter relações sexuais com qualquer um e se distanciar de todos à sua volta. Enfrentar a imensidão por vezes hostil da natureza e os seus próprios traumas é uma oportunidade para um renascimento simbólico.

Um dos pontos mais marcantes de Livre é sem dúvida a bela fotografia, que realça a beleza selvagem dos lugares por onde ela passa. Mas é claro que o destaque é a atuação de Reese Whiterspoon, totalmente entregue ao personagem e com grandes de ser reconhecida pelo Oscar.

É difícil não comparar este filme com Na Natureza Selvagem. Livre pode não ser tão bom, mas está longe de ser uma mera cópia. Aliás, está aí uma boa dica para uma sessão dupla.
[8.5]

7 comentários sobre “Crítica: Livre (Wild, 2014)

  1. Estou muito curiosa para assistir a “Livre”. Parece ser um filme com uma mensagem muito boa. Além disso, tem Reese Witherspoon, que é uma atriz que eu gosto bastante.

  2. Sim, Na Natureza Selvagem e 127 horas foram as primeiras referências que passaram em minha mente. Mas, o filme tem brilho próprio e nos envolve, só acho que deveria ser mais curto.

  3. Pouco me empolguei com este filme e, ao contrário da Amanda, não acho que ele tenha um brilho próprio. Mas dois aspectos dele me encantaram particularmente: a excepcional montagem, que faz do passado de Cheryl a parte mais encantadora da história – e que complementa com perfeição quem ela se tornou; e a participação de Laura Dern, que, mesmo breve, fica sempre presente com o espectador, assim como também está sempre presente, de forma fragmentada como são nossas memórias, na vida da protagonista.

  4. Realmente é difícil não compará-lo com Into The Wild, ainda assim é um ótimo filme.

    Só uma correção, a trilha tem 4.200 km acho que você deve ter visto a quantidade em milhas.

    1. valeu a dica, marcio. eu fiquei na dúvida quando escrevi o texto. a trilha tem mesmo 4 mil km, mas acho que a cheryl não fez ela de ‘cabo a rabo’. vou averiguar

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