Crítica: Vidas Secas (1963)

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Mesmo quando eu gosto bastante de um livro, sempre assisto sua adaptação cinematográfica de mente aberta, cogitando a possibilidade do filme superá-lo. Convenhamos, isso é algo que dificilmente acontece. Alguns exemplos desse fato raro? Lolita (de Kubrick), Ilha do Medo (Scorsese) e Perfume: A História de um Assassino (Tom Tykwer). Não foi o caso de Vidas Secas, adaptação do seminal livro escrito por Graciliano Ramos, mas o diretor Nelson Pereira dos Santos realizou um ótimo trabalho, capturando bem a atmosfera do original e nos brindando com emoções quase tão intensas como aquelas que experimentamos no livro.

Mas falemos do filme.

Vidas Secas é um retrato poderoso de uma família que transita pelo sertão nordestino buscando dias melhores. Cada membro da família enfrenta seus próprios desafios, além do grande desafio vivido por todos: sobreviver a miséria.

Sentimos o calor, sentimos a angústia e sentimos o desespero cada vez maior. Fabiano não recebe o dinheiro que merece pelo trabalho que realiza, desperdiça no jogo e na bebida. Sinhá Vitória compara sua situação com o inferno. Os garotos sofrem com o cansaço e com a infância praticamente roubada. Baleia, a cachorrinha mais famosa da literatura brasileira, desbrava o sertão com energia e alegria caçando suas presas e oferece seu carisma para quem quiser recebê-lo.

Não há muito espaço para humor ou leveza. Trata-se de uma experiência difícil, mas inesquecível. A sequência final é reveladora: a família mais parece um grão de areia engolido pela imensidão do sertão. Será que os tais dias melhores virão?

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Um comentário sobre “Crítica: Vidas Secas (1963)

  1. Nunca vi esse filme, interessante.

    Vidas Secas foi um dos raros livros de leitura obrigatória na época do colegial que eu gostei bastante.

    Baleia eterna!

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