Mesmo com a pandemia do COVID ainda presente a cena alternativa de Curitiba respira!

Desde o começo da pandemia que eu não frequentava um show e devo dizer que não poderia ter escolhido melhor. Metallica em um show para 40 mil pessoas no Couto? Uma multidão na Pedreira para ver o Kiss? Que nada!

O pequeno espaço do Jokers é um convite a uma experiência mais intimista e é exatamente isso que as bandas de Curitiba Mordida e o Charme Chulo pedem. Essa proximidade empolga até a pessoa mais fria e travada. Ficar parado não é uma opção em hipótese alguma.

MORDIDA

Confesso que não conhecia a banda Mordida, mas logo de cara já fui contagiado pelo som direto e envolvente dos caras. É uma pegada meio jovem guarda com rock alternativo com letras contestadoras que soa muito bem ao vivo. Quando menos percebemos já decoramos o refrão e estamos cantando junto com eles.

O vocalista Paulo de Nadal sabe motivar a galera e a presença da cantora Uyara da Banda Mais Bonita da Cidade deixou tudo ainda melhor.

Agora me tornei mais um ouvinte mensal deles no Spotify.

CHARME CHULO

Meu primeiro contato com a banda curitibana Charme Chulo foi ano passado. Escutei o álbum novo O Negócio É o Seguinte e me encantei de primeira.

Os caras conseguem fazer um som único misturando rock, indie, pop, música caipira e tecnobrega. E isso ao vivo fica ainda mais interessante.

O frontman Igor Filus não fica parado em momento algum. Com suas dancinhas peculiares ele nos convida para fazer parte do show. E é o que acontece. O gelo seco nos envolve, a viola caipira e a guitarra sobem o tom e inevitavelmente balançamos e cantamos os hits da banda a plenos pulmões.

Não falta energia e animação em um show do Charme Chulo. E algo bem particular da banda é que eles conseguem mudar a atmosfera quase que de uma música para a outra. Em um momento nos sentimos em um baile do chopp alternativo com É Dia de Matar Porco, depois temos uma bela balada com Mais Além e na sequência um pouco de sofrência com Você Não Nunca Irá Dançar Comigo.

Destaque também para É Tudo Química e Piada Cruel.

Para mim foi um tanto nostálgico um show nesses moldes. Acho que desde o Sugar Kane não tinha uma experiência. E valeu cada minuto.

Cabe a nós, quando possível, prestigiar a nossa obstinada e ousada cena local.