Entre o final dos 1990 e começo dos anos 2000 eu era um projeto de metaleiro: cabelo desgrenhado, camisetas pretas de bandas, pele excessivamente branca que não via sol e bastante Iron Maiden, Halloween, Black Sabbath e Dream Theater no som de casa.

Outra banda que eu ouvia bastante naquela época era o Angra. Eu os conheci justamente quando iniciavam uma formação com um novo vocalista, o Edu Falaschi. Escutei Rebirth inúmeras vezes e me interessei pela discografia dos caras.

Não posso dizer que cheguei a me tornar um fã, mas sempre gostei do som e respeitei a banda por ser uma verdadeira desbravadora na cena musical nacional.

Não sou mais um projeto de metaleiro e fazia muito tempo que Angra não aparecia nas minhas playlists, mas o fato é que quando soube que haveria um show deles na Ópera de Arame me bateu uma nostalgia forte. Não poderia ficar de fora dessa. E não me arrependi.

A noite já teve uma bela supresa chamada Rage In My Eyes, a segunda banda de abertura. Originários de Porto Alegre, eles fazem um metal melódico ácima da média, com direito a pitadas de elementos gauchescos como o acordeão. Há um bom equilíbrio entre peso e melodia, dava pra sentir as músicas já no primeiro contato. O vocalista tem um puta alcance e bastante presença de palco. Ele até fez uma justa homenagem a um dos maiores nomes do metal brasileiro: André Mattos. No dia seguinte já adicionei os álbuns deles no meu Spotify.

E aí veio o Angra com todo o seu peso e energia.

Nos primeiros acordes de Nothing to Say o povo já sentiu que eles não estavam para brincadeira. Tecnicamente os caras são fora de série e vê-los fazendo o que sabem ao vivo é uma bela experiência.

Eles tocaram o Rebirth do começo ao fim e depois mandaram alguns clássicos consolidados.

Eventualmente o show acaba ficando arrastado, geralmente em algumas músicas não tão conhecidas e difíceis de se cantar junto. Ou em solos um pouco longos demais.

O italiano Fabio Lione tem uma voz interessante e é esforçado, mas às vezes senti que ele sumido em meio a parte instrumental. Talvez a acústica da Ópera de Arame seja a grande culpada por isso. De qualquer forma, ele está abaixo de Andre Mattos e Edu Falaschi, isso é inegável.

Rebirth, Nova Era, Heroes of Sand e Carry On mostraram toda a sinergia da banda com o seus fãs mais ferrenhos.

No final das contas, o Angra segue entregando tudo aquilo que são capazes. Rafael Bittencourt é o único remanescente da formação original, mas segue muito bem acompanhado.