Desde quando conheci o Mordida no Jokers há algumas semanas eu passei escutá-los com afinco. Ao tomar ciência desse show um tanto underground no Bar do Pinhão já marquei na minha agenda.

Fazia tempo que eu não frequentava essa região um tanto boêmia e descolada de Curitiba. Antes de entrar no bar demos uma passada na clássica sorveteria do gaúcho e observamos os skatistas ousados na pista. Uma experiência certamente nostálgica.

O Bar do Pinhão estava bem vazio quando chegamos. Deu para escutar umas músicas alternativas, comer um hambúrguer responsa com preço justo e sorver algumas pilsens de qualidade.

Depois de um tempinho o pessoal da banda e seus agregados chegaram. E como ninguém é de ferro, eles sentaram um pouco, tomaram umas cervejas, fumaram um cigarrinho na rua e depois de mais ou menos uma hora começaram a botar o Pinhão a baixo.

Ao contrário do show no Jokers, dessa vez nós sabíamos várias músicas de cor e estávamos empolgados para cantar junto.

O vocalista Paulo de Nadal sabe como contagiar a galera com seu jeitão animado e sua voz afinada. Quem também é essencial para fazer tudo funcionar é a cantora Isis Vareschi, que dita o ritmo de algumas das melhores músicas do Mordida.

Bem no início do show a banda pediu para o pessoal do bar afastar as mesas. Sinal de que o negócio ia pegar fogo. E foi o que aconteceu. O público era pequeno, mas engajado. A maioria sabia cantar as músicas e todos pareciam realmente curtir aquele momento.

Essa proximidade que um espaço tão pequeno assim proporciona é realmente algo único. É muito diferente de um show em um estádio. Parece que você está diante de uma roda de amigos fazendo parte de tudo.

Talvez o ápice da noite tenha sido Maria Amélia. Com o nível de álcool no sangue do público já um pouco maior e com uma evidente sinergia, por 3 minutos todo mundo só queria saber de pular e cantar. Com Eu Amo Vc foi a mesma coisa. Como não cantar a plenos pulmões esse magnífico refrão: “Amarelo combina, com meu cobertor. Gelada. Bundinha de sorvete. Eu amo você!”?

A música Festa Jovem também foi um ponto alto e valeu uma reflexão. Por duas horinhas fui tomado por uma agradável saudosismo e relembrei dos meus 18 anos. Só sei que aproveitei tudo como se não tivesse nenhum boleto para pagar.

Obrigado por isso, Mordida.

Eis aí uma banda autoral curitibana criminosamente subestimada. Quanto a mim, não hesitarei em exaltá-los em qualquer oportunidade.