Autor: bruno knott

Resenha de Filme: Os Gritos do Silêncio (1984)

gritos-do-silencio

Vários aspectos de Os Gritos do Silêncio colaboram para fazer dele um filme de guerra perturbador e comovente. Temos aqui uma história baseada em dolorosos fatos reais. Acompanhamos a Guerra Civil do Camboja na perspectiva de um correspondente estrangeiro do New York Times e de um jornalista local. Sydney Schanberg e Dith Pran, mais do que colegas de trabalho, são amigos verdadeiros. Quando o comunista Khmer Vermelho assume o poder e propaga atrocidades por todo o território, os estrangeiros são obrigados a deixar o país. Infelizmente, Dith Pran não consegue sair e vai viver o martírio nas mãos dos seus captores, assim como outros milhões de cambojianos que não se adequavam a ideologia do Khmer.

O filme é dividido em duas partes, sendo que a parte final, totalmente dedicada a Dith Pran, é o grande destaque. Sofremos ao ver Pran enfrentando as agruras da escravidão e torcemos para que ele finalmente consiga escapar. As tentativas de fuga são momentos de verdadeiro suspense e agonia. Tudo isso torna-se ainda mais chocante quando sabemos que o ator Haing S. Ngor teve essas mesmas experiências. Piores, até. Este foi o primeiro trabalho dele no cinema. Não era um ator profissional (era um médico refugiado), mas transmitiu o desespero da situação como poucos conseguiriam.

O diretor Roland Joffé mostra toda essa história de uma maneira bem realista e focando nos personagens. As cenas de conflitos são poucas, mas bem dirigidas. Filme essencial.

298

Resenha de Filme: Moscou Contra 007 (1963)

from-russia-with-love-1963

Já assisti a um bom número de filmes de James Bond, mas pouquíssimos deles chegaram a realmente me empolgar. De cabeça, menciono três: Skyfall, Casino Royale (2007) e Moscou Contra 007, nessa ordem de preferência. Dono de um ritmo dinâmico empregado pelo diretor Terence Young, diálogos cheios de presença de espírito e uma atuação inesquecível de Sean Connery, Moscou Contra 007 fez muito sucesso com o público e ganhou o coração dos fãs do agente secreto britânico. Este é o segundo da série e foi o momento em que aspectos característicos da franquia surgiram. Temos aparatos inovadores e perigosos, bond girls e competentes cenas de ação. A perseguição de Bond por um helicóptero talvez seja o ponto alto. Aliás, não tem como ver essa cena e não lembrar de Intriga Internacional de Hitchcock. Mesmo estando longe de ser o meu tipo de filme preferido, não posso deixar de reconhecer suas qualidades, sendo a principal delas a capacidade de nos divertir.

298

Crítica: Platoon (1986)

platoon-1986

Não é exagero dizer que Platoon é um dos filmes de guerra mais autênticos e realistas já produzidos, principalmente se pensarmos em termos de Guerra do Vietnã. Para comprovar tal afirmação, basta sabermos que o diretor Oliver Stone serviu na infantaria americana no conflito e que o personagem principal basicamente representa o próprio diretor. Ao analisarmos entrevistas de Stone sobre o filme e a Guerra em si, vemos declarações sinceras que demonstram seu desejo de transmitir para o público a sensação de estar no meio daquele caos. Para completar, uma exibição do filme a alguns veteranos da guerra e a reação deles é outro indicativo da verossimilhança de Platoon.

Assim como o novato Chris Taylor (Charlie Sheen) aterrizamos no Vietnã e temos as piores impressões possíveis. O calor, cadáveres transportados em sacos plásticos e o olhar vazio de um veterano indo embora são sintomáticos. Em um missão de reconhecimento, Chris percebe que o perigo não reside apenas nos vietcongues, mas também na floresta densa, na umidade, nos insetos, nas cobras e nas poucas horas de sono. Mais tarde, ele descobre que até o mesmo o seu próprio pelotão pode representar um risco, afinal existe um racha entre os sargentos Barnes e Elias.

Uma guerra como essa é capaz de transformar o ser humano rapidamente. Uma morte causada pelo exército inimigo serve como desculpa para atos covardes contra uma vila indefesa. A loucura toma conta de alguns, assim como o mais profundo medo. Percebam a diferença de Chris no começo e no final do filme. Para sobreviver aqui é necessário adaptar-se e contar com um pouco da sorte.

O filme acerta em cheio ao retratar de maneira honesta e visceral a guerra do Vietnã, com momentos de muita tensão, medo e violência. E claro, temos que aplaudir Stone por mostrar toda a controvérsia acerca deste conflito.

Um top 10 do gênero.

5

Crítica: A Primeira Noite de Um Homem (1967)

graduate

A Primeira Noite de um Homem foi um filme extremamente popular quando foi lançado e conseguimos entender os motivos para isso facilmente. Temos aqui Mike Nichols, um diretor jovem e talentoso, que elaborou cenas em que a linguagem cinematográfica se destaca e ainda ajuda a história progredir, com direito a inspiradas metáforas visuais e a transições criativas. Nichols ainda conseguiu acertar o tom do filme ao misturar comédia, drama e romance. As atuações de Dustin Hoffman e Anne Bancroft também foram importantes para o êxito, com Hoffman fazendo muito bem o papel do jovem recém formado e inexperiente e Anne Bancroft interpretando a lendária e sedutora Mrs. Robinson. Para completar, não posso deixar de mencionar a trilha sonora de Simon e Garfunkel, que por si só é boa e ainda combina muito bem com diversas sequências. A trama é simples, mas é trabalhada de maneira eficiente. Apesar de uma ou outra situações parecerem um tanto absurdas, estamos tão compenetrados na história que nem ligamos muito. Próximo de completar 50 anos do seu lançamento, A Primeira Noite de um Homem está longe de perder o seu encanto.

5

Crítica: Final Cut: Ladies and Gentlemen (2012)

final-cut-holgyeim-es-uraim

O cineasta húngaro György Pálfi demonstrou originalidade e investiu em um trabalho árduo para criar este espetacular ‘Final Cut: Ladies and Gentlhemen‘. O tema é clichê, mas a maneira que a história é contada é extremamente intrigante e serve como uma singela homenagem à sétima arte. Utilizando cenas de diversos filmes e de alguns seriados, o diretor nos oferece um romance repleto de momentos marcantes. Com muito conhecimento sobre a história do cinema e um trabalho de montagem que beira a perfeição, a narrativa ganha vida e flui muito bem do começo ao fim. É um exercício dos mais agradáveis reconhecer alguns dos 450 filmes e seriados que são abordados aqui, desde Avatar a Um Corpo que Cai, passando por Apertem os Cintos… O Piloto Sumiu e muitos outros! Essa é uma dica especial para todos os cinéfilos.

5

Crítica: A Bela da Tarde (Belle de Jour, 1967)

a-bela-da-tarde

Quando investimos no nosso impulso cinéfilo de ir atrás de filmes relevantes para a História do cinema não é incomum nos depararmos a seguinte situação: assistirmos a um clássico consagrado e simplesmente não gostarmos de quase nada. É o meu caso com A Bela da Tarde, uma das obras mais famosas do cineasta espanhol Luis Buñuel. Esta foi a minha segunda vez diante deste filme. Confesso que tive uma experiência um pouco melhor do que a anterior, porém foi insuficiente para me tornar um admirador.

A Bela da Tarde mostra a história de Severine, uma mulher bem casada e sem problemas financeiros, que é incapaz de sentir qualquer tipo de prazer diante do marido. Eles até dormem em camas separadas! O fato é que ele é bonzinho demais para despertar o tesão nela. O que ela quer é receber ordens, ser tratada de maneira rude, apanhar, ser xingada, ser sujada de lama e assim por diante. Tais desejos ficam evidenciados por cenas que revelam suas fantasias e também pela sua decisão de ‘trabalhar’ em um bordel parisiense como mulher da vida.

A trama pode ser superficial, mas consegue proporcionar reflexões interessantes acerca das atitudes de Severine e da sociedade como um todo. Trata-se de um distúrbio psicológico grave ou apenas uma fuga do tédio? Difícil dizer. Apesar do tema abordado, não espere por cenas gráficas de sexo, mas sim por boas doses de erotismo. Não dá para negar o apelo sexual da bela Catherine Deneuve. não é mesmo?

O filme marcou época e tornou-se admirado por grandes nomes do cinema, como Martin Scorsese e da crítica, como Roger Ebert, além de levar o Leão de Ouro de Veneza em 1967.

Crítica: Tudo Pelo Poder (2011)

the-ides-of-marchGostar de política não é pré-requisito para admirar este espetacular Tudo Pelo Poder. O filme mostra o jogo político por trás das eleições primárias que definirão o representante democrata para as eleições presidenciais americanas. Espere por atos pouco éticos, reviravoltas, surpresas e tensão. Uma autêntica atmosfera de thriller é empregada pelo diretor. Cada manchete de jornal pode ser responsável por uma grande mudança no rumo das votações, seja a tal manchete verdadeira ou não. Além do sempre intrigante roteiro, o destaque aqui fica para as atuações. Só tem gente boa! George Clooney, Paul Giamatti, Philip Seymour Hoffman e Ryan Gosling conseguem nos deixar totalmente envolvidos com a trama, que passa voando. Se você gosta de House Cards, é mais do que certo que irá ter uma bela experiência com Tudo Pelo Poder.

5