Crítica | The Post – A Guerra Secreta

Ninguém em sã consciência pode duvidar da capacidade de Steven Spielberg de contar boas histórias. The Post é mais um exemplo recente de que o diretor ainda tem lenha para queimar. Apesar da trama se passar nos anos 1970, sua essência é algo que jamais deixará de ser relevante.

Baseado em acontecimentos reais, o filme retrata o emblemático caso dos “papeis do pentágono”, um documento que comprovava que os Estados Unidos não tinham a menor chance de vencerem a Guerra do Vietnã. Esse documento caiu nas mãos do The Washington Post, que enfrentou um verdadeiro dilema antes de publicá-lo. A pressão vinda da Casa Branca era muito forte, inclusive com promessas de um processo judicial que poderia levar os responsáveis pela publicação para a cadeia. É claro que a imprensa muitas vezes é responsável por um desserviço à sociedade ao impulsionar noticias falsas – principalmente nos tempos atuais -, mas aquele caso mostrou como uma matéria certa no momento certo pode colaborar para trazer a verdade a tona.

The Post é um tanto arrastado no seu primeiro ato, mas a medida que as coisas avançam a tensão aumenta. Mesmo sabendo os rumos do roteiro, não há como não se envolver com uma situação tão relevante, ainda mais com um Spielberg inspirado. Meryl Streep e Tom Hanks oferecem boas atuações e o resto do elenco é extremamente sólido, inclusive com atores que se destacaram em seriados recentemente.

Além da questão dos “papeis do pentágono” o outro tema de destaque é a quebra de barreiras por parte de Kay Graham, a primeira mulher a comandar uma empresa que ficou na lista das 500 mais importantes da revista Fortune. Ela possui o único arco do filme, já que aos poucos vai ganhando a confiança necessária para fazer o que acha certo. É justamente em alguns momentos com Kay que Spielberg dá uma exagerada na pieguice, mas o que importa é que ele conseguiu eternizar essa editora americana que foi essencial para a imprensa como um todo.

Junto com Ponte de Espiões, The Post é uma prova de que Steven Spielberg não perdeu a mão. Temos que aceitar o fato de que deslizes como Jogador Número 1 podem acontecer.

Nota: 7

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Crítica | Oeste Sem Lei (2015)

Como um profundo admirador do western é impossível eu não me empolgar com algo como Oeste Sem Lei. Em apenas 84 minutos de duração, o filme consegue nos presentear com uma verdadeira lufada de ar fresco dentro do gênero. Jay Cavendish é um jovem escocês que cruza o oceano atlântico em busca de sua amada. Jay claramente não está preparado para a hostilidade do velho oeste. Ele é um garoto educado e sensível no lugar errado e na época errada. Mas para ele, vale a pena correr todos os riscos para encontrar Rose.

No meio do caminho ele irá contratar Silas para guiá-lo e servir como um guarda-costas. Silas é um experiente cowboy. Ele sabe contornar os perigos e resolver boa parte dos problemas que se colocam diante deles. Há tempo para que uma inevitável amizade entre os dois surja, mas esperem por uma ou outra reviravolta.

Mesmo com uma curta duração, Oeste Sem Lei não se preocupa em apressar as coisas. O diretor John Maclean opta por investir em algumas sequências mais calmas que permitem que o público se encante com o cenário exuberante. Aliás, as filmagens foram feitas na Nova Zelândia e é impressionante constatar que conseguimos nos sentir no oeste americano. A química entre Jay e Silas também é um dos grandes trunfos do filme, com direito a diálogos inspirados e divertidos.

Mas não podemos nos enganar. O oeste não é lugar para qualquer um. Qualquer erro pode significar o fim de uma vida. Naquela época, não se pensava muito antes de apertar o gatilho.

Esta é uma experiência essencial para os amantes do gênero.

Nota: 8

Crítica | Kill Bill: Vol. 1 (2003)


Talvez dividir Kill Bill em duas partes tenha sido uma mera jogada de marketing, mas isso não atrapalhou tanto a experiência como um todo. Ainda que neste primeiro capítulo não exista um final propriamente dito, a jornada de vingança da Noiva traz praticamente tudo o que podemos desejar de um diretor como Quentin Tarantino.

Kill Bill: Vol. 1 mostra que o cérebro de Tarantino é fervilhante caldeirão de referências cinematográficas. Tais referências são usadas com ousadia e criatividade para contar a história de uma mulher que foi traída e deixada para morrer. Agora ela quer apenas se vingar de todos os responsáveis. Ela faz uma lista de cinco nomes e nós vamos acompanhá-la nessa caçada.

Poucos filmes foram tão divertidos de se assistir na década passada. Uma Thuman está bem a vontade como uma verdadeira máquina de matar. A violência empregada nas cenas é extremamente estilizada, portanto dificilmente alguém poderá sentir aflição. Mas que elas impressionam, não restam dúvidas.

Um dos grandes momentos de Kill Bill é quando o filme dá lugar para um anime que explica as origens de uma personagem. Um prato cheio para quem gosta deste nicho da cultura japonesa.

Vale a pena observar também as relações de Kill Bill com Pulp Fiction, como o uso da espada de Samurai e a cidade de Okinawa (lembram do monólogo de Cristopher Walken?).

Com um ritmo ágil e vibrante, o filme jamais deixa de nos divertir. A trilha sonora escolhida a dedo também colabora para nos deixar no clima. Há ainda tempo para uma interessante reviravolta no final. É meio impossível terminar de assistir essa primeira parte e não querer imediatamente ver a sequência.

E isso é mais uma prova de que as coisas funcionaram muito bem aqui.

Nota: 9

Crítica | Tully (2018)

 

Tully é mais uma parceria entre o diretor Jason Reitman e a roteirista Diablo Cody que deu certo. Contando com uma memorável atuação de Charlize Theron, o filme é um retrato nada glamouroso da maternidade.

O inspirado primeiro ato nos diverte com a rotina diária de cuidar de um recém-nascido. É fralda e choro que não acabam mais. E Marlo não poderia estar mais acabada.  Poucos filmes se preocupam em mostrar o lado complicado de se criar um filho. E além do recém-nascido, Marlo tem outro dois filhos, sendo que o garotinho tem algum problema que ainda ninguém conseguiu diagnosticar.

Uma saída para essa verdadeira batalha pode ser contratar uma babá noturna. Sim. Contratar alguém para cuidar do filho enquanto a mãe consegue algumas horas do sono.

Marlo fica relutante em um primeiro momento, mas logo ela chega no seu limite e decide ir atrás da babá.

A partir daí, Tully vai perdendo sua força.

O que era um divertido e sincero comentário sobre a maternidade, torna-se um filme não tão interessante sobre a amizade de duas mulheres com idades diferentes. Apesar de algumas boas sequências e da química entre Charlize Theron e Mackenzie Davis, é fácil notar a superioridade da primeira parte. O que me incomodou mesmo foi a reviravolta no final. Tully não precisava disso para funcionar. Houve um excesso de preciosismo por parte do roteiro, eu diria.

Ainda bem que quando Tully acerta, acerta em cheio.

Nota: 8

Crítica | Breaking Away (1979)

Se você tem interesse por corridas de bicicleta Breaking Away certamente é uma boa opção de filme para assistir. São quatro cenas em menos de 100 minutos em que o destaque é a velocidade de uma bicicleta. A que envolve um treino na estrada e uma perseguição a um caminhão é a que mais me chamou a atenção. O diretor Peter Yates soube conduzir com segurança esses momentos, inclusive utilizando uma trilha marcante. Mas se você não está nem aí para esse esporte, saiba que Breaking Away tem muitos outros aspectos positivos. Dave, Mike, Cyril e Moocher são jovens que acabaram de terminar o ensino médio e não entraram para a universidade. Há um grau elevado de melancolia e fatalismo em algumas de suas conversas, principalmente quando o personagem Dave (Dennis Quaid) está falando. Eles são da cidade de Bloomington e sofrem preconceito dos universitários que vem de fora. O que eles ainda não sabem é que eles tem sim motivos para se orgulharem do que são e do que podem se tornar. Talvez uma disputa de bicicleta seja uma grande oportunidade para eles entenderem isso. Breaking Away é uma experiência divertida, tocante e que reserva boas doses de adrenalina.

Nota: 8

Crítica | Cargo (2017)


Minha empolgação com filmes de zumbi diminuiu nos últimos anos. Talvez o que mais contribuiu para isso foi a queda absurda da qualidade do seriado The Walking Dead.  Ficou tão ruim que eu desisti no começo da oitava temporada e quis dar um tempo no gênero.

Só encarei Cargo pela presença de Martin Freeman e porque o curta-metragem que o filme se baseia é absolutamente tocante.

Infelizmente, a roteirista e o diretor não souberam aproveitar o material original que eles mesmos criaram. Muito longe disso.

Em nenhum momento o filme se preocupa em explicar exatamente o que está acontecendo no mundo. Dá para entender que um possível apocalipse zumbi está acabando com tudo. O casal Andy e Kay acha que uma boa chance para sobreviver está em navegar por um rio e fazer algumas coletas.

As coisas são ainda mais difíceis para eles por causa da bebezinha Rosie.

É uma pena que em Cargo os personagens insistam em tomar as piores decisões possíveis. Vários clichês do gênero se fazem presentes e atualmente acho um tanto difícil perdoá-los. Para piorar, existem certas coincidências e encontros inesperados que prejudicam ainda mais a experiência.

O filme flui de uma maneira estranha, pouco natural. Logo no início Andy é mordido e ele vai ter apenas 48 horas para tentar salvar Rosie antes de se transformar. A jornada dos dois em busca de salvação poderia ser bem diferente se ele usasse um pouquinho do bom senso. Mas aí não haveria conteúdo para 1 hora e 45 minutos de filme, não é mesmo?

Apesar do bom ator que é Martin Freeman, me vi pouco envolvido com a missão dele. Minha torcida era para que o filme acabasse o quanto antes.

Pior do que as escolhas erradas de Andy e Kay, só mesmo a presença dos aborígenes, basicamente uma tentativa falha de se fazer crítica social.

Mas tem algo positivo: a fotografia que explora as exuberantes paisagens do outback Australiano. E só.

Não preciso nem dizer que basta ver o curta-metragem. Cargo é uma adaptação das mais insossas e desnecessárias.

Nota: 4

Crítica | O Sacrifício do Cervo Sagrado (2017)

O Sacrifício do Cervo Sagrado é o terceiro filme do grego Yorgos Lanthimos que eu assisto e agora me considero fã do diretor.

Mais uma vez ele nos absorve em uma atmosfera inquietante recheada de situações pouco usuais. Desta vez, seu apuro técnico chama a atenção ainda mais, principalmente quando flerta com o estilo de Kubrick.

Mas vamos a trama.

Steven Murphy é um cirurgião cardíaco de renome. Ele mora em uma casa enorme e tem uma família que se dá bem.

Os diálogos proferidos quase que no piloto automático já são um indício da estranheza do filme. As coisas ficam ainda mais estranhas no desenrolar do relacionamento entre Steven e o garoto Martin. Um fato do passado impulsiona essa relação e isso poderá levar a consequências trágicas para Steven e sua família.

Revelar mais sobre o enredo pode ser considerado spoiler e atrapalharia a experiência.

O que pode ajudar a entender o filme e o seu final é a mitologia grega, especificamente a obra Ifigénia em Áulide escrita em 408 a.c. por Eurípedes. Aliás, podemos até considerar O Sacrifício do Cervo Sagrado como uma releitura dessa tragédia grega.

Quando vemos os filmes de Yorgos Lanthimos temos que esperar o inesperado. A maioria das cenas de O Sacrifício do Cervo Sagrado nos deixam angustiados. Ficamos totalmente imersos nessa trama perturbadora. Os longos takes e a trilha sonora muitas vezes incômoda elevam ainda mais a tensão.

É necessário um pouco de paciência para se aproveitar o cinema de Yorgos Lanthimos. Talvez este seja mais um daqueles casos de ame ou odeie. Eu me incluo na primeira opção.

Nota: 9

Crítica | Ele Está de Volta (2015)

Imaginem o que poderia acontecer se Hitler se materializa-se na época atual e visitasse diversas cidades da Alemanha. Essa é a instigante premissa de Ele Está de Volta, filme alemão lançado em 2015 que deu muito o que falar.

Investindo na história do peixe fora d’água, Ele Está do Volta cria situações extremamente eficientes de humor. Um humor politicamente incorreto, é claro. Outro ponto positivo está na forte crítica social. Muitas cenas são reais e improvisadas e é um tanto perturbador ver tanta gente endeusando uma figura responsável pela morte de milhões.

É uma pena que Ele Está de Volta perde a força e aos poucos se transforma em uma verdadeira bagunça. A piada fica sem graça depois de uns 30 minutos e a crítica se torna repetitiva. Para piorar, há um exagero na quantidade de temas que o roteiro tenta abordar. A longa duração é outro problema.

No final das contas, trata-se de uma boa ideia que aos poucos foi sendo desperdiçada. Pelo menos, fiquei curioso para ir atrás do material original.

Nota: 6

 

Crítica | Nasce Uma Estrela (2018)

Nasce Uma Estrela foi um projeto arriscado, afinal a direção coube ao estreante na função Bradley Cooper e como atriz principal foi escolhida uma cantora que nunca havia sido a estrela de um filme. A suposta aposta se mostrou acertada.

Bradley Cooper comanda o filme com mão segura. Ele capturou com eficiência vários aspectos do mundo do show business, além de conceber cenas com grande carga emocional. O roteiro eventualmente soa apressado, mas como estamos muito investidos na história isso acaba não atrapalhando.

Mesmo com um enredo batido, Nasce uma Estrela funciona pois souberam atualizá-lo para os tempos atuais.

Ally divide o seu tempo entre um trabalho estafante e shows musicais em um bar de drag queens. Jackson Maine é uma estrela do country rock que já começou o seu período de decadência, apesar de ainda empolgar o público. Graças a uma feliz coincidência os dois se encontram e além de um relacionamento intenso, começam a se ajudar no palco.

Jackson Maine tem um problema que foi responsável por abreviar a carreira de muitos músicos talentosos: o vício no álcool. Ele também usa drogas ilícitas, mas é o álcool que está diariamente acabando com ele. Bradley Cooper compõe o personagem de uma forma sensacional, mudando o seu modo de falar e investido em uma linguagem corporal que diz muito.

Este não é um musical em que os personagens começam a cantar em vez de falar, mas a música obviamente é um dos principais atrativos de Nasce uma Estrela. Bradley Cooper surpreende com sua voz e Lady Gaga simplesmente brilha. Lady Gaga entrega uma performance extremamente competente, mas é cantando que ela realmente nos encanta.

Dois momentos merecem imenso destaque: a introdução do personagem de Bradley Cooper e, principalmente, a primeira aparição de Ally no palco cantando a agora famosa Shallow.

A crítica ao mundo do show business fervilha em diversas sequências. É sabido que muitas vezes não basta boas letras e uma boa voz para se fazer sucesso. Há todo um processo por trás disso envolvendo aspectos que na verdade deveriam ser irrelevantes. O problema é que o público em geral tem um certo apreço por coisas espalhafatosas. Confesso que é algo que não consigo entender. O que consegui entender muito bem quando os créditos começaram a descer é que eu estava diante de um dos grande filmes de 2018.

Nota: 8


By Brauns
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Crítica | Liga da Justiça (2017)

Os problemas na produção de Liga da Justiça se refletem no resultado final que vemos na tela. Com introduções apressadas de personagens, uma história protocolar e um dos piores vilões já vistos em adaptações de quadrinhos, temos aqui uma experiência decepcionante dentro do gênero.

O estúdio pressionou para que o filme não ultrapassasse duas horas de duração e isso impediu um melhor desenvolvimento de Aquaman, Flash, Cyborg e do vilão Steppenwolf. O caso mais grave, é claro, é do vilão. Steppenwolf nada mais é do que um ser das trevas que quer destruir tudo. Por que? Porque sim, oras. Nem mesmo o CGI dele é algo digno de nota.

Há quem elogie a participação do talentoso ator Ezra Miller como Flash, mas para mim as piadinhas de uma linha do personagem são tudo menos engraçadas. Na verdade, as considerei irritantes na maior parte do tempo. O único momento de humor do filme que funciona está no trailer.

Liga da Justiça foi uma tentativa de mudar a atmosfera carregada dos filmes anteriores da DC. O que eu acho difícil de entender é o fato de que eles já haviam acertado a mão no ótimo Mulher Maravilha e agora vacilaram feio.

A trama pedestre em nenhum momento empolga. São basicamente duas grandes cenas de ação e um monte de blá blá blá entre elas. Para piorar, o pequeno grau de tensão que havia desaparece completamente quando o Superman entra em cena.

Vamos encarar os fatos. O Universo Estendido da DC ainda tem muito o que aprender com a Marvel.

Antes que alguém me chame de fan boy da Marvel já aviso que não estou nem aí para essa disputa tosca. O que me interessa é apenas a qualidade dos filmes. E, convenhamos, os da Marvel estão bem a frente.

Nota: 5

Crítica | Com Amor, Simon (2018)


Mais do que ousadia, há muita sensibilidade em Com Amor, Simon. Essa é uma história leve e divertida de amadurecimento e aceitação, mas o roteiro também não se esquece do drama e consegue fazer isso sem forçar a barra.

Simon é um garoto que sabe que é gay, mas tem medo de sair do armário. Ele tem bons amigos e uma família compreensiva, mesmo assim ele ainda não se sente capaz de dar esse passo.

O que impulsiona Simon a se revelar é o depoimento de um desconhecido no blog do colégio. A partir dai os dois trocam confissões e reflexões e logo um relacionamento virtual se consolida. Fica o mistério da identidade da outra pessoa, o que possibilita algumas expectativas curiosas.

Apesar do humor e da pegada mais tranquila, Com Amor, Simon nos oferece amostras de como ainda pode ser difícil para alguém se assumir, principalmente se considerarmos o bullying no colégio.

Como crítica, não posso deixar de falar sobre o irritante personagem Martin e o fato de suas atitudes reprováveis não terem sido adequadamente repudiadas pelo roteiro.

De qualquer forma, é um pequeno deslize de um ótimo filme que aborda um tema importante com equilíbrio e inteligência.

Nota: 8

Crítica | Cortina de Fumaça (1995)

Cortina de Fumaça (Smoke, 1995) é uma daquelas joias um tanto esquecidas do cinema. Com atuações memoráveis de William Hurt, Harold Perrineau, Forrest Whitaker e Stockard Channing, o filme nos delicia com diálogos inteligentes e naturais.

É na tabacaria de Auggie que quase tudo acontece. Auggie tem boas conversas com os seus clientes durante o trabalho e ali conhecemos personagens reais e fáceis de se criar empatia.

Alguns momentos são mais marcantes que os outros. Não há como não destacar a tentativa de aproximação de Rashid Cole com o pai que o abandonou e também o chamado projeto da vida de Auggie.

Neste tal projeto, Auggie tira uma foto do mesmo lugar, na mesma hora, todos os dias. Em um primeiro momento, tudo parece igual. Nada disso. Cada foto possui detalhes diferentes, como a iluminação, o tempo e as pessoas que aparecem. Cada foto é uma história nova. E assim a vida segue.

Cortina de Fumaça é uma experiência honesta e repleta de sensibilidade. Se você gosta de bons diálogos e personagens com uma química enorme, não pode deixar de conferir essa pequena maravilha.

Nota:

– Curiosidade: Giancarlo Esposito (o Gustavo Fring de Breaking Bad) e Jared Harris (Lane Pryce de Mad Men) tem pequenas participações aqui. Quem escolheu o elenco sabia bem o que fazia!