Crítica: Touching the Void (2003)

Touching the Void é um documentário que retrata a experiência de quase morte dos alpinistas Joe Simpson e Simon Yates. O objetivo deles era escalar o Siula Grande, nos Andes peruanos. Esse pico é considerado por especialistas como um dos mais complicados de se chegar ao topo. Compreendemos a dificuldade da tarefa graças as ótimas tomadas da reigão feitas pelo diretor Kevin Macdonald.

A situação ganha contornos dramáticos quando Joe quebra uma perna, ficando suspenso por uma corda segurada por Simon. Eles não conseguiam se comunicar devido a distância e ao vento ensurdecedor e, achando que Joe estava morto, Simon cortou a corda para salvar a própria pele.

O filme é divido em duas partes: uma mostra Joe e Simon contando a história para a câmera e a outra mostra os fatos sendo representados por atores.

As cenas recriadas dão a dimensão do esforço de Joe para sobreviver, mas vê-lo olhando para a câmera e relembrando tudo o que aconteceu é o que realmente comove.

“Quanto mais perto você está da morte, mais percebe que está vivo”. A tagline do filme não poderia ser mais perfeita. A sensação de morte está presente a todo momento. Não tem como não se impressionar com tudo o que Joe teve que enfrentar para sobreviver. É uma das histórias de superação mais impressionantes que tive a oportunidade de assistir.

Joe deve ser visto como uma figura inspiradora. Além de lutar pela própria vida de maneira épica, ele se mostrou extremamente honesto e sincero ao relatar que perdeu as esperanças em diversos momentos, chegando a chorar copiosamente e gritar desesperadamente, mas nunca desistir.

Outro ponto que chama a atenção é o fato de Joe ser ateu e em nenhum momento ter pedido auxílio divino. Em situações como essa não é de se admirar que alguém que se diz ateu acabe rezando e fazendos promessas religiosas.

Não recebe uma nota 5 pelos fato dos atores não terem se mostrado muito convincentes. Se Touching the Void contasse com atores mais bem preparados a experiência seria ainda melhor.
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/b. knott

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Crítica: Waiting for Superman (2010)

O documentário faz um painel de como está o sistema educacional público americano. Estatísticas preocupantes são apresentadas, como a que mostra que apenas 12% dos alunos de escolas públicas de Washington são proficientes em matemática. Waiting for Superman dá nome e cara as estatísticas, nos aproximando do assunto.

A narração do diretor Davis Guggenheim é ótima, sem ironias e sem sensacionalismo.

Procura-se entender os motivos que levam a um quadro tão ruim e que gera muito poucos universitários no futuro. Um dos motivos apontados é o despreparo de alguns professores, que são protegidos pelo sindicato da classe. No contrato deles existe algo chamado “estabilidade” que faz a demissão ser quase impossível. Num estado americano, 1 em cada 57 médicos perdem o direito de atender pacientes, 1 em cada 97 advogados perdem o direito de atuar e somente 1 em cada 2.500 professores ficam proibidos de dar aula.

É revoltante ver professores lendo jornais quando deveriam ensinar alguma coisa para os alunos. Pior ainda é escutá-los dizendo: “Vocês aprendendo ou não, eu ganho o mesmo”. E esse é mais um problema das escolas públicas. Não faz diferença se você é um professor bom ou ruim. O salário e os benefícios são os mesmos.

Parecia uma situação sem esperanças até Geoffrey Canada aparecer com sede de mudanças. A chance de crianças menos favorecidas economicamente reside nas escolas charter, que são públicas, mas são administradas de maneira particular. Geoffrey Canada surge com uma fórmula “mágica” de professores competentes, motivados e com melhores salários e uma carga horária de aulas maior. Funciona. O problema é que esse tipo de escola tem poucas vagas. A disputa para fazer parte delas se dá por sorteio, como uma loteria. É muito triste ver o futuro de uma criança depender de um maldito sorteio. O documentário trabalha bem com nossas emoções na sequência final, em que vemos as crianças torcendo para serem contempladas com a chance de um futuro promissor.

Waiting for Superman é informativo, relevante e hipnótico do começo ao fim.
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/b. knott

Crítica: Exit Through the Gift Shop (2010)


Exit Through the Gift Shop é um dos indicados ao Oscar 2011 de melhor documentário e, aparentemente, tem chances de sair vencedor. Os comentários positivos acerca dele não são poucos, agradando tanto aos críticos como ao público em geral.

Este é um documentário que merece um olhar mais aprofundado. Até o momento não se sabe ao certo se ele é 100% real ou se tem contornos de farsa, o fato é que ele já ganhou espaço de destaque no meio cinematográfico.

Tudo começa com a paixão do francês Thierry Gueta por filmar. Ele leva a câmera para todos os cantos da sua casa e para qualquer lugar que vá. A vida dele segue sem muitos propósitos até ter a ideia de fazer de sua paixão algo relevante, passando a registrar a vida dos artistas de rua, um fenômeno underground que vinha crescendo graças ao subversivos Invader, Bansky e Shepard Fairey, para citar alguns.

Em 87 minutos muitos aspectos interessantes desses artistas são mostrados. Eles são inegavelmente talentosos e possuem uma ânsia incrível de espalhar suas marcas pelas ruas das cidades, como uma autêntica demarcação de território.

Algumas sequências são bem marcantes e com alguma tensão, como aquela em que Banksy resolve demonstrar sua “arte” dentro da Disneylandia.

Eis que de repente, Thierry Gueta passa de um mero cinegrafista a objeto de apreciação. Ele decide parar de registrar os artistas e se tornar um deles. O resultado dessa empreitada deixo para vocês conferirem quando forem assistir ao filme, mas isso merece algumas reflexões.

Exit Through the Gift Shop representa com qualidade o mundo em que vivemos hoje. Um mundo em que, de uma hora para outra, alguém desconhecido torna-se famoso. Um mundo em que receber elogios das pessoas certas, nas horas certas, pode transformar uma besta em um artista bestial.

Transportando esse pensamento para diferentes mídias, não consigo não pensar no cinema e nos críticos. Quem define se um filme é bom ou ruim? Nós mesmos, através de nossos conhecimentos e julgamentos próprios ou somos influenciados por críticos de renome? Podemos encontrar em qualquer canto da internet pessoas que dizem que um filme é bom apenas por ter lido críticos falando bem dele, mas no fundo a pessoa não gostou nada do que viu, sentindo vergonha de falar e defender seu ponto de vista.

Estamos diante de um documentário ágil, sempre interessante e que tem a capacidade de nos fazer pensar sobre o mundo da arte em geral. Se ele é verdadeiro ou uma farsa não sei dizer, mas posso afirmar que o Hype está feito.
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