Crítica | Com Amor, Simon (2018)


Mais do que ousadia, há muita sensibilidade em Com Amor, Simon. Essa é uma história leve e divertida de amadurecimento e aceitação, mas o roteiro também não se esquece do drama e consegue fazer isso sem forçar a barra.

Simon é um garoto que sabe que é gay, mas tem medo de sair do armário. Ele tem bons amigos e uma família compreensiva, mesmo assim ele ainda não se sente capaz de dar esse passo.

O que impulsiona Simon a se revelar é o depoimento de um desconhecido no blog do colégio. A partir dai os dois trocam confissões e reflexões e logo um relacionamento virtual se consolida. Fica o mistério da identidade da outra pessoa, o que possibilita algumas expectativas curiosas.

Apesar do humor e da pegada mais tranquila, Com Amor, Simon nos oferece amostras de como ainda pode ser difícil para alguém se assumir, principalmente se considerarmos o bullying no colégio.

Como crítica, não posso deixar de falar sobre o irritante personagem Martin e o fato de suas atitudes reprováveis não terem sido adequadamente repudiadas pelo roteiro.

De qualquer forma, é um pequeno deslize de um ótimo filme que aborda um tema importante com equilíbrio e inteligência.

Nota: 8

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Crítica | Vingadores: Guerra Infinita (2018)

Acredito que existam dois motivos principais para Vingadores: Guerra Infinita funcionar tão bem. O primeiro é a nossa familiaridade com a maioria dos heróis. Foram anos de diversos filmes solo que nos aproximaram de nomes como Tony Stark, Steve Rogers, Peter Parker e muitos outros. Sem todo o background que foi construído a experiência não seria tão eficiente.

E o outro motivo? É claro que é Thanos.

Thanos está naquele seleto grupo de vilões cujas motivações são claras. Ele tem uma história capaz de justificar suas ações e uma personalidade com nuances. E para completar, ele é extremamente perigoso. Thanos é realmente uma ameaça para os heróis e para o mundo inteiro, ainda mais se ele conseguir colocar suas mãos em todas as jóias do infinito.

Mesmo com cerca de 2 horas e meia, Vingadores: Guerra Infinita nunca é cansativo. As cenas de ação empolgam e são um pouco mais violentas do que o normal para a Marvel. O humor é inserido com sabedoria, geralmente com diálogos perspicazes nos momentos certos. São muitos personagens, mas não há confusão. A intensidade aumenta numa crescente até culminar em um desfecho que almeja ser épico.

Eu digo que almeja pois as corajosas decisões tomadas pelo roteiro podem ir por água abaixo no próximo filme. Nos resta torcer para que isso não aconteça.

Nota: 8

Extinção (Extinction, 2018)

Extinção é mais uma bomba produzida pela Netflix, que precisa urgentemente melhorar a qualidade de seus filmes. Somos apresentados aqui a um homem que está sofrendo com pesadelos. Ou será que são visões? Ele vê uma invasão, o mundo destruído e sua família sofrendo. As sequências alternando entre essas visões e o presente fazem o ritmo de Extinção algo errático. Quando menos percebemos as coisas começam a acontecer rápido demais. Não existe tempo para criar um mínimo de empatia por Peter e sua família. Aberrações em forma de clichês se fazem presentes, principalmente nas atitudes das filhas de Peter, que obviamente servem apenas para deixar todos em risco. Por um dado momento, achei que estava diante de um fraquíssimo spin-off Colony. Com efeitos especiais irregulares, atuações no piloto automático e uma reviravolta pouco inspirada, Extinção é uma experiência sofrível.
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